A propósito do início do novo ano lectivo, vieram-me à lembrança os primeiros dias de aulas. Que alegria imensa se apoderava de mim nos dias que antecediam o começo de um novo ano de aprendizagem. Folhear livros novinhos, repletos de conceitos ainda por descobrir. Conhecer professores e colegas novos, rever os já conhecidos. Sempre gostei do regresso às aulas, de comprar o material escolar, de antecipar e planear o estudo, as actividades extra-curriculares e os meus hobbies. Sempre fui muito dinâmica, criativa e enérgica. Hoje, ao fim de tantos anos, e com a certeza de que ainda me falta aprender tanta coisa, dou por mim a pensar que passou depressa de mais, ou talvez tenha sido eu que fui depressa de mais, e pelo caminho acabei por perder muita coisa. Perdi amigos, contactos, perdi aquele saborear doce das coisas que se vão conquistando passo a passo, porque fui depressa de mais. Conheci muito, mas retive pouco, aprendi demasiado, para logo após esquecer. Quis dar a volta ao mundo, mas esqueci-me de escolher por onde começar e, agora, sinto o vazio de quem foi tão longe, mas chegou só. Eu era mais que os outros, mais ambiciosa, mais audaz, mais aventureira, mais perseverante, era mais… Porém, agora que os observo à distância, invejo as suas vidas pacatas e amenas, que têm tudo o que é preciso para serem felizes e tranquilas. Será que o são ou que tal como eu questionam o rumo que tomaram? Talvez essas vidas me invejem a mim, por acharem que podiam ter ido mais longe. A vida é pois este labririnto às avessas. No meio das encruzilhadas questionamos sempre o caminho, mas o que importa mesmo é não deixar de caminhar.
Depressa de mais
realmagic,

Para mim a escola foi quase sempre uma chatice. Excepto quando aprendia alguma coisa, o que era raro.
Todos temos experiências diferentes. 🙂
Verbalizaste algo que tenho a certeza muita gente sente, mas não ousa partilhar. Gostei muito, Joana.
Obrigada, Teresa! 🙂
Muito bem, Joana. É isso mesmo.
😉