Os críticos da União Europeia insistem na ideia da mediocridade política da Europa e os exemplos parecem confirmar a tese. Israel ignora as opiniões europeias e até as desdenha; durante a intervenção da Líbia faltaram munições; e, mais recentemente, foi difícil concordar nas sanções contra a Rússia, com os 28 divididos entre pombas e falcões, com a Alemanha no meio.
O caso da Rússia é exemplar: este império em declínio hostiliza um país vizinho com quem tem afinidades e confia na fraqueza da resposta europeia. E ocorre o seguinte paradoxo: embora a Rússia tenha uma economia 12 vezes inferior à da UE, as sanções decididas pela Rússia contra interesses europeus tiveram forte impacto mediático.
Na Ucrânia, país europeu entre a Rússia e a UE, trava-se de novo uma guerra, aliás a poucas centenas de quilómetros da região onde há cem anos, em Agosto e Setembro de 1914, combateram enormes exércitos, tendo os russos batido os austro-húngaros de forma tão completa que a Áustria nunca recuperou.
Muitos observadores aproveitam para antecipar a possibilidade de um novo conflito entre europeus e russos, mas seria mais correcto afirmar que a fraqueza da UE vem da sua percepção de não ter inimigos externos.
A Europa transformou-se num império pós-moderno, com sentimento de culpa pelo anterior imperialismo e extrema relutância em exercer o poder que devia resultar da sua força económica. O facto é que não existe ameaça evidente, comum aos 28, ou igualmente urgente para todos. A Europa não tem inimigos, mas apenas alianças cuja ruptura seria impensável (não é o mesmo que dizer impossível). A Rússia de 2014 tem pontos em comum com a de 1914, o sentimento de insegurança e a inflexibilidade dos líderes. A UE também tem semelhanças com o Império Austro-húngaro, mas são gritantes as diferenças: não há ameaça existencial, vocação ofensiva ou incapacidade de diálogo.

A UE tem é semelhanças com a União Sovietica…ambas perseguem a cristandade Russa…ambas retiram aos Estados os mecanismos de soberania…etc