Questões incómodas


Sérgio de Almeida Correia,

“Note-se que com esta situação o Banco de Portugal (BdP) se arroga a capacidade de deliberação sobre fundos à guarda do Estado e obtidos por resgate governativo de má memória: uma situação que, no mínimo, é dúbia na sua legitimidade mas, no máximo,  pode ser mesmo ilegal .

Note-se igualmente que com esta abordagem o Estado chega-se à frente mas não se torna accionista, nem sequer obrigacionista … na melhor das hipóteses torna-se um “para-obrigacionista” pois facilita dinheiros que não são seus (pelos quais tem pago bom dinheiro arrecadado de impostos) para serem colocados num Fundo (a lucro económico zero) que é institucionalmente enquadrado pelo BdP que resolve tornar-se empreendedor de fim-de-semana.

Note-se também que é um organismo não eleito (o BdP), e protegido por uma entidade externa que não responde perante ninguém (o Banco Central Europeu), que assume o telecomando de uma empresa privada (uma expropriação sem nacionalização) e impõe uma nova equipa de gestão (sem ter havido uma Assembleia Geral) numa instituição temporária ( que nem é dona do seu próprio nome ).

Note-se sobretudo que há limites para se sacudir a água do capote quando  a tutela do Fundo de Resolução está situada bem no centro nevrálgico do actual governo“
 

Volto a dizer que em causa não está a solução. Não é isso que aqui discuto. O que discuto e não aceito é a aldrabice. Se não a aceitei antes não vou passar a aceitá-la agora porque passou a dar jeito ou porque vem de uns cavalheiros com bons fatos. Mas ainda bem que em Portugal também há quem não durma à sombra da propaganda da máquina do Governo.

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Um comentário em “Questões incómodas”

  1. Uma instituição estatal cuja competência é “… Compete ao Banco a supervisão prudencial das instituições de crédito e das sociedades financeiras.”, é apenas isso, uma competência de supervisão prudencial ….

    Acreditar que essa instituição vai conseguir uma eficaz “supervisão prudencial das instituições de crédito e das sociedades financeiras” é outra loiça.
    Como se viu, e se vê. Falhou a “supervisão prudencial”, repetidamente….

    Mas pior. Não é supervisão salvar uma falência. E com os valores de outrem.
    NÃO É supervisão. É esbulho. Esbulho a “nacionais”, e a “europeus”?.
    Ps.- O BdP “Integra o Sistema Europeu de Bancos Centrais que foi fundado em Junho de 1998. De acordo com a sua Lei Orgânica, o Banco de Portugal prossegue os objectivos e participa no desempenho das atribuições cometidas ao SEBC .”

    Burocracia no seu melhor. Uma “Europa” com pés de barro.
    Burocratas. Bem intencionados e bem pagos. Vai acabar mal.

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