
Estava escrito nas estrelas que a “solução” encontrada para o BES iria provocar uma debandada geral dos investidores da banca portuguesa. Na verdade, já toda a gente percebeu o óbvio: Se o Fundo de Resolução reclamar dos restantes bancos o dinheiro que o Estado meteu no BES, a banca pura e simplesmente afunda. E depois da experiência do BES nenhum investidor vai querer apostar um cêntimo que seja em acções dos bancos portugueses. Na verdade, se há coisa que o país não pode fazer é pôr-se a experimentar soluções ainda não implementadas e que não têm condições para o ser na presente fase. Um Fundo de Resolução capitalizado, pronto a acudir ao salvamento dos Bancos, é capaz de ser uma boa ideia. Um Fundo de Resolução sem fundos, que precisa de pedir dinheiro emprestado ao Estado, e que ele diz que vai pedir depois à restante banca, não passa de uma anedota. Estas coisas não se gizam na praia, entre dois mergulhos. Com isto corremos o risco de ficarmos conhecido como o aprendiz de feiticeiro.

Muito bom dia. Respeitosamente, discordo da última parte: não arriscamos ficar conhecidos. Creio, sinceramente, que somos conhecidos por isso, e por outras tristes coisas. Cumprimentos. António Cabral (marrevoltado.blogspot.com)
A alternativa nada teria de feitiçaria: seria fazer como se fez no Chipre, em que se deixou falir o maior banco do país e se impôs perdas a todos os depositantes com mais de 100.000 euros, e a todos os obrigacionistas e acionistas. E em que se impôs controles sobre as saídas de capitais do país. Não sei se seria muito agradável, suponho que não.
Acho que é mais o “bom aluno” de bruxas ou bruxelas.
O BCE definiu:
Fundo Único de Resolução, para o qual todos os bancos dos países da união bancária deverão contribuir a partir de 2016, e que deverá ascender a 55 mil milhões de EUR em 2024.
Portanto, aquilo que se está a fazer é uma antecipação do plano do BCE, aplicado exclusivamente aos bancos portugueses. Uma completa idiotice, a menos que se pretendesse fragilizar todo o sistema bancário português.
O BCE é que poderia ter antecipado a sua solução envolvendo todo o sistema bancário europeu, conforme previsto para 2016. Só que preferiu aplaudir de fora, e assim os frágeis bancos portugueses vão servir de cobaia sozinhos.
De qualquer forma, o que se passa agora é um teste de stress real aos bancos portugueses. Os mercados apostam na queda de todo o sistema bancário, já que a ideia de nacionalização idiota ficou clara na intervenção sobre o BES.
A pressão parece-me que vai falhar, porque o BCP antecipou o aumento de capital, e deverá ter conseguido entretanto uma boa fatia dos depósitos do BES. Assim, isto será mais um golpe externo – baixar as acções para depois comprar a preço baixo. É claro que o Banco de Portugal não pode repetir esta gracinha de nacionalização com o BCP, e por isso trata-se só de aumentar a parada neste poker, e ver até onde desce o BCP antes de começar a subir de novo.
Se já não há remédio quanto à estupidez do Novo Banco, haverá pelo menos o bom senso de não exigir a intervenção dos outros bancos portugueses… porque os 500 milhões pedidos são uma gota nos 5000 milhões da troika, e só parecem ser uma casmurrice de despotismo central orientado pelas bruxas de bruxelas, com estas consequências.
Já agora, convém notar que com Nuno Amado o BCP andou a despedir centenas de pessoas, a fazer gestão de liquidez sucursal-a-sucursal, enquanto que o BES andava a engalanar na figura de maior banco.
O aspecto de ter este embuste do Novo Banco a sair imaculado sem reestruturações, enquanto os outros andaram a gerir privações, é outro aspecto perverso desta regulação indigente.
A única justificação para o Novo Banco seria manter a gestão das carteiras de crédito que o BES avançou para particulares e empresas. Na gestão da massa falida seria mais difícil de fazer chegar aos grandes credores esses múltiplos créditos bancários. Portanto, a única coisa que se acautelou foi a facilidade de recuperação da carteira do BES, para benefício dos grandes credores.
Portanto vemos que sistematicamente o único cuidado é em proteger a saúde das grandes fortunas, e evitar que a populaça se livre momentaneamente de encargos de empréstimos a habitação, e outros, por falência do cobrador bancário.
Realmente um momento paradigmático na legislação Bruxelas/BCE.
Salvar um concorrente?.
Espero bem que , quando a realidade desmentir tudo o que tem andado aqui a escrever sobre este assunto, tenha a umbridade de reconhecer que se enganou. A sua argumentação não assenta em nada que não sejam palpites. Ainda por cima afirma convicto que esta situação é tal qual a situação do BPN. Essa é a anedota do mês.
Com dotes de adivinho tão desenvolvidos, porque é que não joga no euromilhões?
Quando a realidade desmentir o que toda a gente está a perceber, naturalmente que terei a hombridade — e não umbridade — de reconhecer que me enganei. Eu e todos os outros que entretanto fugiram a sete pés da bolsa portuguesa.
Se alguma lição os pequenos accionistas podem retirar desta trapalhada toda é a seguinte:
NUNCA, JAMAIS, EM CASO ALGUM, comprar acções de bancos (ou qualquer outro tipo de instituições financeiras).
ps: Se o BCP for ao charco também, já não resta dinheiro da troika para o salvar…pois.
Precog lusitano, I supose?
http://www.publico.pt/opiniao/noticia/o-p recog-lusitano-1665658
Não. Acontece que fiz o antigo exame da quarta-classe e no ensino primário ensinaram-me a fazer contas. As mesmas que me dizem que estes 4.900 milhões são irrecuperáveis. Mesmo que ganhassem um milhão a cada 12 dias precisariam de 156 anos para repor o dinheiro.
Três, são três mil e novecentos milhões. Para si não sei, mas para mim mil milhões ainda são muito dinheiro.
P.S. Tem razão, é hombridade, mas que quer, aprendi a escrever nos anos 50, e também fiz o exame da 4ª classe e além desse, dois exames de admissão, que o meu Pai não era de brincadeiras: um ao Liceu, e outro à Escola Industrial e Comercial. Passei em todos).
Mas minha professora já tinha 70 anos e aprendeu a escrever no tempo do Senhor D. Luís, que Deus haja. Há não sei quantos acordos ortográficos, portanto. Só depois dos 20 quando fui prá tropa é que deixei de escrever farmácia com ph, veja bem.
Mas apesar do lapso ortográfico, o sr Meneses Leitão percebeu bem o que eu quiz dizer; ficamos pois a aguardar a respectiva retractação sobre esta matéria.
I suppose (dois “p”), já agora.
Costa
Não se deixe impressionar por esse acontecimento. É perfeitamente normal que nos circuitos ditos de investidores alguns camuflados como tal sejam efectivamente especuladores. as-a-descoberto-de-acoes-do-bcp=f885077#i xzz39e0GhNkc
Deixe-me recordar-lhe as escolas que emergiram nos EUA, que conduziram ao crash de 1929, e que usavam certos estratagemas para criar pânico e logo de seguida, após tomarem essas mesmas acções, as colocavam no mercado ainda mais valorizadas.
Quero com isto dizer que o Fundo de Resolução possui também – repito também – como garantia os activos do Novo Banco e não só as garantias das entidades mutualistas, os outros bancos e etc. Logo, cai por terra a teoria da fragilidade do sistema bancário para pagar o empréstimo, o que me leva a considerar ter havido um movimento especulativo em torno do BCP.
Aliás, a CMVM agiu muito bem, aqui:
http://expresso.sapo.pt/cmvm-proibe-vend
É verdade que existe fragilidade e, na minha opinião, seria preferível uma solução através da CGD com poder de alienação em partes – repito em partes – dessa instituição (mix de activos e pasivos).
Qualquer comparação desta situação com o BPN é estar a falar de situações distintas, até porque não existiam os instrumentos hoje disponíveis, ainda que nessa altura a iliteracia financeira por parte dos governantes fosse exactamente proporcional aquela que hoje existe. Nisto nada mudou, e a acção da troika e a submissão a ela mostrou-nos isso mesmo. O que mudou efectivamente foi a postura do BdP e os seus instrumentos de actuação, apesar de tudo.
Aquilo a que hoje assistimos é o facto dos países estarem a mudar de mão, para a mão dos povos. Mas isto está a ser feito pela acção da internet nas mãos de nós, os pobres, e não pelo desejo de mudança do status quo que mesmo os ditos governantes de agora estão habituados. Mas não são os únicos a querer permanecer no passado.
O que me preocupa realmente é o inverno e o eventual aumento do gás que a Rússia poderá estar a equacionar.