Se há coisa que sempre admirei nos alemães foi a enorme objectividade com que os seus jornais sempre relatam os factos. Veja-se as referências isentas e objectivas ao jogo de ontem na imprensa alemã.
Ronaldo hoje somos NÓS que temos a musculatura de vencedores.

Ronaldo, hoje rapamos-te.
Mas a melhor de todas é esta:

E… objectivamente a Alemanha não precisou de jogar nada de especial, o que torna a derrota portuguesa ainda mais injustificável.
Este resultado pode dar-lhes ideia que vão ter sempre defesas a fazerem passes para golo, e o Rui Patrício à baliza.
O primeiro caso é do Bild de ontem. Nem vale a pena comentar um jornal que é mistura entre Correio da Manhã e Crime.
O segundo não sei de onde veio, mas também é de ontem (o resultado ainda estava a 3-0) e goza com a obsessão capilar de Ronaldo.
O grande problema não é a objectividade ou falta dela, mas a falta de sentido de humor.
A última, do medo, não é alemã. O Frankfurter Allgemeine Zeitung fez a ronda pela imprensa internacional e tirou essa do La Repubblica: ll-wm/deutsches-team/wm-pressestimmen-de utschland-macht-allen-angst-12995053-bg9.h tml
http://www.faz.net/aktuell/sport/fussba
Não esquecer que há muito que Mourinho assinalou o problema de caspa de Ronaldo e Casillas.
Há um detalhe importante acerca da objectividade alemã:
– é que o último jogo é com os EUA.
Se a Alemanha perder sem afectar a diferença de golos será ainda primeira… e Portugal pode dizer adeus, a menos que faça alguma goleada redentora.
Se Portugal ganhar os dois jogos que faltam, a Alemanha ganhar ao Gana e perder com os EUA o cenário de que fala é bem possível. Nesse caso a diferença de golos seria o factor de decisão e Portugal está já em desvantagem. Os alemães até poderiam fazer o jeitinho a Klinsmann de perder pela margem mínima, sendo que seriam os primeiros no grupo e os americanos ficariam em segundo lugar.
Pessoalmente não creio muito nisso. Penso que se Portugal vencer os EUA (mesmo que por um golo apenas) e os alemães o Gana (como imagino que aconteça), os alemães não quererão fazer o tal jeitinho. As coisas podem correr mal caso os portugueses espetem uma goleada das antigas a um Gana que nada terá para jogar nesse cenário.
Seja como for, é indiferente. Portugal tem, antes de mais, que ganhar os dois jogos que faltam. O resto não está nas mãos da equipa. Até por isso prefiro que tenha havido um vencedor entre Gana e EUA. Assim os portugueses não se podem refugiar na calculadora. É para vencer e acabou.
Quanto a Casillas, Mourinho enfiou-o no banco para dizer que mandava mais que ele, não por qualquer razão de qualidade. As más exibições recentes dele terão mais a ver com falta de ritmo que com decréscimo das qualidades (34 anos, deveria estar ainda no topo das suas capacidades para a posição). Neste caso é uma profecia que se cumpriu a si mesma: GR não joga, perde ritmo, joga mal, é mau e conclui-se que é por isso que não joga.
Exacto, era esse cenário de que falava… e pode nem se tratar de fazer um favor aos EUA, que os alemães não são disso, mesmo estando lá o Klinsmann.
Simplesmente podem manter-se num ritmo de passeio, testar novas combinações, evitar lesões e cartões, e no final serem surpreendidos.
Mas isto era só para salientar que o “depender de nós”, como falava ontem o Paulo Bento, não é bem assim – implica também recuperar do vergonhoso goal-average…
Por isso, se ganharem “mais ou menos” aos EUA, mesmo assim vão ter que estar a ouvir o relato do EUA-Alemanha até ao fim.
O jornal Bild é um jornal popularucho e de qualidade muito rasca – assim tipo Correio da Manhã, mas ainda mais popular e ainda mais rasca. Não é, felizmente, modelo para os jornais alemães – embora seja de facto o jornal mais lido na Alemanha.
O terceiro exemplo, como já foi referido nos comentários, trata-se de um excerto de revista de imprensa internacional.
Quanto aos dois primeiros, ambas as imagens são do Bild, portanto trata-se de apenas um jornal alemão e não de jornais alemães. E espero que na Alemanha não se façam generalizações sobre a isenção e objectividade da imprena portuguesa tendo por base uma publicação ainda pior do que o Correio da Manhã…
País tradicionalista em tudo – mesmo , e sobretudo, quando importa ” o último grito” seja lá do que for – continuamos a acarinhar e subsidiar o insuperável “jormalismo Melchior” ( amigo do Artur Corvelo, como certamente recordarão…).
Todos tão sérios por aqui.
E ainda por cima dizem mal do Correio da Manhã/Bild como se fosse pior que os outros. Basta não escrever sobre faca e alguidar para se ser um jornal?
Uma questão de aparência portanto.