Miguel Sousa Tavares, evocando sua mãe, menciona a palavra poetisa, agora tão em desuso. Gosto deste substantivo feminino. Tenho pena que algumas pessoas a desconsiderem em nome do combate a “estereótipos de género” ou sei lá o quê. É uma palavra muito bonita: pelo sentido, pelo significado, pela sonoridade, pela elegância.
Penso rápido (2)
Pedro Correia,

Confesso que eu também tenho sentido a falta de ouvir a bonita palavra “poetisa” na língua do politicamente correto…
Há coisas que nunca entenderei neste fenómeno da correcção política, Carlos.
Agora também se diz embaixadora em vez da palavra correta, embaixatriz, que é muito mais bonita e elegante.
Embaixatriz continua a ser usada mas referindo apenas a mulher ou esposa do embaixador.
Porque afinal, portuguesmente falando, poetisa é absolutamente correcto.
po·e·ti·sa
substantivo feminino
Mulher que compõe versos.
Não é um posto nas forças armados, nem sequer um posto de trabalho, é um estado de espírito de algumas eleitas…
… Afinal podia dizer-se também a Ministro da agricultura…
Ainda me lembro quando Maria de Lurdes Pintasilgo foi empossada como chefe do Governo, em 1979: era tratada como “a primeiro-ministro MLP” pela comunicação social. Parecia quase inacreditável que aquele substantivo tivesse género. Hoje “primeira-ministra”, “ministra”, “juíza” ou “embaixadora” – designando funções que só há poucas décadas passaram a ser desempenhadas por mulheres – tornaram-se de uso corrente. Falta-nos incorporar a nova realidade no léxico militar, onde as mudanças foram mais lentas e mais tardias. “Generala” soa mal. “Sargenta” soa pior.