1. Há uma ‘vaga de fundo’ no PS que pretende usar António Costa para um projecto que jamais será o dele.
2. Alguns socialistas já cortaram com o PS tradicional, o PS histórico, o PS de centro-esquerda, o PS do memorando, do Tratado Orçamental, da responsabilidade financeira. Basta ver o registo das votações parlamentares: esses socialistas votaram ao lado do Bloco de Esquerda, no Parlamento, em diversos momentos cruciais ao longo da legislatura. Por outras palavras: um partido que vale hoje só 4,5% nas urnas, mesmo numa eleição que potencia o voto de protesto, lidera do ponto de vista estratégico esses socialistas que pretendem transformar o PS naquilo que nunca foi nem jamais será.
3. Mesmo assim, existe a intenção deliberada de moldar o maior partido da oposição portuguesa à semelhança de um Syriza ou um Partido de Esquerda francês ou um Die Linke alemão, aproveitando a recente deriva esquerdista de Mário Soares. Não por acaso, Soares recusou fazer campanha pelo PS nas europeias enquanto autorizava a difusão da sua imagem nos cartazes de propaganda eleitoral do Syriza. Dando assim caução intelectual aos expoentes daquela ala.
4. Tendo um certo revanchismo socrático como aliado e alguns órgãos de informação como marcos instrumentais nesta estratégia, de que são peças complementares o fragilizado BE, por um lado, e o novíssimo Livre, por outro, esses socialistas que aspiram à formação de uma frente de esquerda sob a palavra de ordem “não pagamos” e sonham queimar a efígie da “senhora Merkel” na praça pública só necessitam de uma figura de proa que os represente. Soares está excluído, pela sua avançada idade. José Sócrates é um has been. Francisco Assis pertence à ala oposta: alguns no PS até têm pesadelos só de imaginar que um dia o partido poderá vir a ser liderado por ele.
5. António José Seguro – que contou sempre com um grupo parlamentar profundamente hostil – serviu enquanto nada havia a fazer senão carregar tijolo após o partido ter ficado quase reduzido a escombros nas legislativas de 2011 e não havia novas eleições no horizonte.
6. O calendário político potenciou o ataque ao poder interno. E agora todas as armas valem, começando pelas tentativas de assassínio de carácter vindas de alguns aliados conjunturais de outrora: esta é uma das piores características da política e explica em grande parte a péssima reputação de que gozam os partidos junto dos portugueses.
7. Resta Costa. Essa ala socialista de matriz lisboeta e urbana chic, muito activa nas redes sociais, mobiliza-se agora contra Seguro na esperança de que o ainda presidente da câmara de Lisboa sirva de bandeira à mirífica “unidade de esquerda” sempre perseguida e nunca alcançada desde a Revolução dos Cravos.
8. Mas podem desenganar-se. Costa jamais será o Tsipras ou o Lafontaine ou o Mélenchon desta facção. E, até por experiência muito pessoal, está vacinado desde há muito contra a tentação de formar “frentes de esquerda”, que se destinariam apenas a abrir um fosso talvez irreparável entre o PS e a generalidade dos portugueses.
9. Ser em 2014 o que Manuel Serra esteve a um passo de conseguir em 1974, satelizando o PS às forças situadas à sua esquerda? No way. Costa jamais cometerá tão clamoroso erro. Desde logo por saber que nunca conquistará o poder sem conquistar o centro.
10. Neste ponto, pelo menos, Seguro e Costa convergem. E, convenhamos, o essencial é isto. O resto são jogos florais de alguns incapazes de entender a política para além da lógica de trincheira, estribada em confrontos de personalidades. Como se as ideias não importassem. Mas importam. E o que intriga no confronto em curso no PS é este mesmo: palavras a mais, ideias a menos. Tanto barulho para quê?


Acho que é simples: é preciso voltar à mesa do orçamento (na versão ampla da coisa: ou seja, do estado e das suas benesses). E todos esses estão convencidos que lá voltam mais facilmente com o Costa do que com Seguro.
Ouviu de toda essa gente alguma proposta política?
Ainda aguardo. Sentado.
Limpinho, Pedro. Os órfãos de Sócrates não fizeram outra coisa na campanha senão elogiar o Livre, para depois aparecerem surpreendidos com o resultado do PS.
Como aquele indefectível socialista que recusou expressamente fazer campanha pelo partido em que ainda milita, acamaradou com Tsipras ao lado do co-coordenador do BE e depois indignou-se com a putativa “vitória de Pirro” obtida nas urnas.
” Queimar a efígie da senhora Merkel”
Como represália ela mandava encerrar a Auto Europa e a Siemens, ~Só!
O suficiente para a exportações baixarem mais de 15%… aí o papel higiénico/ listas telefónicas/ guardanapos, esgotariam num ápice !
” Duas nádegas um ânus… uma trampa!
É sempre um prazer receber a sua visita aqui no Delito, caro Bruno.
E o povo, pá?
O povo é sereno, pá.
É sereno mas não tem pachorra para a abstenção violenta. Nem creio que a esquerda europeia tenha cu para dois Hollandes, salvaguardadas as devidas proporções da importância relativa dos países.
“Botus et mouche cousue; c’est notre denise.” d/3/page/0/0/dupond-et-dupont
http://fr.tintin.com/personnages/show/i
Não podia estar mais de acordo.
Quando o socialismo se vê reduzido ideológicamente a «uma enorme sensibilidade social» a instabilidade está assegurada: almas sensíveis sem dogmas nem cânones cumprem o modelo do ‘saco de gatos’.
Neste caso a sensibilidade está na ponta das navalhas. Todas bem afiadas.
A alternativa que o PS tem para oferecer ao país é o regresso do team Sócrates, agora liderado pelo nº 2 de Sócrates, António Costa.
Estamos feitos…
É só fumaça, como diria o saudoso almirante sem medo. Quer dizer: já cheira a esturro.
Vou ser um pouco egoísta. Gostava de ver o Costa a governar, aliás será a única maneira de haver revisão profunda da Constituição. Passado 6 meses, estou ansioso de ver os comentários dos socialistas, restante esquerda e povinho acerca das promessas Hollandistas.
http://www.publico.pt/politica/noti cia/mario-soares-satisfeito-com-boa-vito ria-do-socialista-francois-hollande-1543 275