Delitos poéticos (1)


enlil,

NINGUÉM SE MEXA! MÃOS AO AR!

 

“Ninguém se mexa! Mãos ao ar!” disse o histérico

e frívolo homenzinho com mais medo

da arma que empunhava que de nós.

“Mãos ao ar!”, repetiu para convencer-se.

 

Mas ninguém se mexeu, como ele queria…

Deu-lhe então a maldade. Quase à toa,

Escaqueirou o espelho biselado

Que tinha as Boas-Festas da gerência

 

Escritas a sabão. Todos baixámos,

Medrosos, a cabeça. Se era um louco,

Melhor deixá-lo. (O barman escondera-se

Por detrás do balcão). Ali estivemos

 

Um ror de medo, até que o rabioso

Virou a arma à boca e disparou.

 

Alexandre O’Neill

 

Alex Colville, “Pacific”, 1967

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