Em Portugal é “dia de reflexão”. Em Macau vota-se desde as 8h da manhã. E amanhã, salvo algum cataclismo, continuar-se-á a votar. Isto quer dizer que fora de Portugal os eleitores não precisam de reflectir. Ao fim destes anos todos, os partidos continuam a tratar os cidadãos-eleitores como menores sujeitos a tutela ou mentecaptos. Em qualquer caso, como uns desgraçados que necessitam da protecção do Estado no dia que antecede os actos eleitorais para poderem votar em consciência. Os partidos prestariam um serviço a todos se acabassem com ele. Se há coisa mais anacrónica, sinal maior de um perene e intransponível atavismo, é esta coisa do dia de reflexão. Melhor seria chamá-lo dia da estupidez.
Dia da estupidez
Sérgio de Almeida Correia,

O dia da estupidez é amanhã. Hoje é o dia do futebol. Bola p’rá frente, que está tudo bem!
Se fosse só esse o único paradigma típico de um regime totalitário na Lei Eleitoral …
Eu também gostei muito da campanha eleitoral e choro por ter acabado. Especialmente ontem, que lá apareceu o Senhor Professor Doutor Engenheiro José Sócrates.
Se fossem preciso mais, isto seria uma prova do conservadorismo atávico dos portugas.
Que ultrapassa (nesta matéria de conservadorismo de costumes) as clássicas (e igualmente tão estúpidas como o Dia de Reflexão) fronteiras Direita / Esquerda, como alguns nos querem fazer crer.
Haverá algum partido mais conservador do que o PCP?
E não me refiro à manutenção da anacrónica cartilha marxista-leninista, refiro-me à forma como encara e como actua em todas as questões mais comezinhas do nosso dia-a-dia colectivo.
Quem vive como eu numa autarquia que o PCP governa há 38 anos com maioria absoluta (nas últimas eleições representando 17,98% do eleitorado do concelho, que, por artes mágicas da nossa Lei Eleitoral, se transformou em maioria absoluta com 47,80%: 5 vereadores contra 4) sabe do que falo.
E se tentar conhecer com alguma profundidade a gestão autárquica, confirmará o seu conservadorismo.
Portanto, conservadores e felizes todos, uns mais do que outros, como é evidente.
De acordo, Sérgio. Já defendi isso mesmo, aqui e noutros lados. Não faz o menor sentido manter-se esta regra tão anacrónica. Como se os cidadãos fossem débeis mentais. Como se pudessem ser iluminados por um raio inspirador ao longo destas 24 horas (enquanto vêem a final da Champions, por exemplo).
Quando ainda por cima todos os estudos comprovam que o sentido de voto de mais de 90% dos eleitores (refiro-me aos que tencionam mesmo votar) está decidido há semanas, senão mesmo há anos.
Nalguns será mais o sentido do “não voto”. Mas esse é outro problema…, para mais tarde.
Bom domingo, Pedro.
Subscrevo, Sérgio.