A existência do que não existe…


fiodeprumo,

Presidente da Assembleia da República trata reivindicações dos militares de usarem da palavra na cerimónia como algo “que não existe”. Vasco Lourenço responde que, sendo assim, não estarão presentes.

Temo que se torne cada vez mais difícil entender o que a Presidente da Assembleia da República quer dizer, quando usa da palavra. A mim, parece-me que a senhora entende que os capitães de Abril devem ser convidados – e foram -, mas não quer que eles falem.

Não percebo nada destas matérias, mas julgo que haverá regras para quem fala na ocasião. Se os capitães se enquadram nessas regras devem poder falar. Se não se enquadram não falam. E explica-se, sem medos nem reservas, as razões da decisão tomada. O que se não pode é arrumar o assunto dizendo que ele não existe. Será que sou eu que estou a ficar senil?!

7 comentários em “A existência do que não existe…”

  1. Os partidos da maioria não terão assentido no pedido do Lourenço.
    A Inconseguida tem pouca souplesse e, lembrando-se dos tempos em que ainda não era reformada, ocorreu-lhe o “Non quod est in actis non est in mundo” (o que não está escrito – nas peças processuais – não existe, é como se não existisse) e vá de dizer que “não existe”.
    Mas, respondenedo: não, não está a ficar senil. Aqueles lugares é que exigem outro tipo de gente.

  2. Para ser uma cerimónia a valer deviam mas era convidar o dr. Mário Soares para dizer das suas, só que tinha de ir nos limites de velocidade e nunca a 200 km/h.

  3. O melhor que já li sobre este assunto.
    Um dos problemas da presidente da Assembleia é que não usa, nas suas comunicações, a língua oficial do país. Isso vindo da 2ª figura do estado é um muito mau sinal.

  4. Esta malta à força de pretender abafar uma realidade histórica, com suas atitudes, acabam por enaltecê-la ainda mais.

  5. Cara Helena,
    Temo que o problema seja mais profundo que o que refere. De uma forma geral creio que temos à frente dos destinos do país um conjunto de pessoas que para além de impreparadas têm um distanciamento muito grande da generalidade da população.
    Repare que a generalidade dos dirigentes (deputados, governantes, presidente, altos magistrados, altos gestores, etc. frequentam um circuito fechado que não é representativo do país. Estão permanentemente em conferencias, eventos, ocasiões rodeados dos seus pares de classe e consideram que a realidade é o que vêem à sua volta.
    É por isso que não coram quando Catroga se refere à sua reforma nos termos em qe o fez recentemento, nem Cavaco em ocasiões semelhantes, nem Assunção nas sucessivas argoladas, nem o secretário de estado a comparar-se ao pinóquio em plena AR, nem o primeiro ministro que mentiu descaradamente em campanha eleitoral, nem nos gastos sumptuários de alguns gestores, nem se encolhem perante as notícias do aumento da pobreza, nem sentem as dores da redução de serviços públicos de saúde, nem… nem… nem…
    As declarações da presidente da AR ontem foram infelizes mas o problema maior não é o facto de cada vez que ela fala já toda a gente estar à espera de uma boutade. O problema é que ela acha mesmo que pode tratar assuntos daquela maneira, que pode desconsiderar figuras fundadoras do regime que ela deve guardar.
    Será que ela falaria nos mesmos termos se estivéssemos a falar de um alto gestor de uma multinacional?
    Cumprimentos
    João

  6. A terra a quem a trabalhar
    A casa a quem a ocupar
    O dinheiro a quem o roubar
    Emprego a quem o empregar

    Acabaram com a reforma agrária
    Com a Lisnave e a Setenave
    Agora os estaleiros de Viana
    O que resta é para enganar

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