O candidato.


Luís Menezes Leitão,

 

Esta entrevista constitui a demonstração acabada para quem tivesse dúvidas de que Durão Barroso não quer outra coisa do que ser candidato a Belém, e que tem o apoio do actual Governo para lá chegar. Há muito que se viam sinais nesse sentido. Primeiro foram as contínuas peregrinações de Passos Coelho a Bruxelas ou às sucessivas homenagens que Barroso ia recebendo pela Europa. Depois foi a sucessiva ascensão de barrosistas no PSD e a sua inclusão no Governo, onde até o antigo chefe de gabinete de Barroso foi feito secretário de Estado e conservado depois do desastre comunicativo desta semana. E finalmente ocorreu a tentativa de rejeitar logo no Congresso a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, que este habilmente desmontou com uma intervenção que pode ter tocado o coração dos militantes mas manifestamente não conseguiu convencer Passos Coelho.

 

O problema de Durão Barroso é que o seu abandono em 2004 e a sua desastrada actuação na comissão europeia causou tão profunda irritação nos portugueses que ele sabe que não tem a mínima hipótese de ser eleito, mesmo com o apoio do PSD e do CDS. Ensaiou por isso uma estratégia simples. As sondagens demonstram que o PS vai vencer as próximas eleições, mas não terá maioria para governar. Como não é credível que o PS se alie ao PCP ou ao BE e com o CDS não deve ter condições para formar maioria, atento o previsível castigo que os pensionistas, seu eleitorado tradicional, lhe vão aplicar, resta apenas o PSD para formar governo com o PS. Ora, como se sabe que Passos Coelho não sobreviveria a uma derrota eleitoral, o que Durão está a dizer publicamente a António José Seguro é que neste momento, com os seus homens em lugares-chave, já tem o partido na mão e que oferece o apoio do PSD a um governo PS a troco de um apoio do PS nas presidenciais. Assim já conseguiria ser eleito como os exemplos históricos têm demonstrado em relação a um candidato apoiado pelos dois maiores partidos. Eanes teve 61% dos votos em 1976 e Soares 70% dos votos em 1991. Apoiado pelos dois maiores partidos, e até eventualmente pelo CDS, Durão Barroso teria seguramente muito menos votos, mas os suficientes para ser eleito. Aliás, já começou na entrevista a inverter o discurso, proclamando a sua paixão pelo país, a sua simpatia pelas classes sacrificadas e a declarar ter avisado Passos de que havia limites para esta política, tudo a contrastar com as suas anteriores declarações de que estaria o caldo entornado se o país não aplicasse as medidas de austeridade que lhe foram exigidas.

 

Resta saber apenas duas coisas: o que pensam do negócio que hoje é proposto por Barroso os militantes do PS e do PSD. Palpita-me que a resposta não vai ser do agrado dele.

6 comentários em “O candidato.”

  1. Também estive atento a essa entrevista. E não me convenceu. Não me convenceu também nos pontos em que afirmava que a UE ignorava a real situação do país, e tampouco me convenceu quando todos nós escutámos o discurso da “tanga”: “O país está de tanga” (afirmação ipsis verbis).
    Como é possível um líder de uma nação afirmar isto em sua própria casa e desconhecer o que afirma como líder de uma instituição europeia?

    Também não me convenceu sobre a hipotética geometria eleitoral. E não me convenceu porque me apercebo que nestes períodos os discursos pretendem sempre inverter a situação que se patenteia no âmago de um povo (veja-se o que os órgãos de informação diziam a respeito de uma vitória de Sócrates e também sobre as percentagens eleitorais do CDS). O marketing político em nada difere do marketing de produto e do marketing institucional.

    E em nada me convenceu sobre a coesão europeia e sobre a a ditadura dos mercados.

    No plano interno, até demonstrações em contrário, prefiro seguir seu raciocínio, Luís.

  2. O que vale é que o grande engenheiro em filosofia, que também disse que não pretende candidatar-se, como é um mentiroso compulsivo, o vai fazer e derrotar sem apelo nem agravo essa escumalha Marcelo/Barroso/etc.

  3. Durão Barroso personifica bem (tal como outros) aquilo que existe de mais asqueroso nas pessoas.
    Se se candidatar e creio que não terá vergonha para isso sofrerá uma humilhante derrota.

  4. Durão Barroso é daqueles personagens que errou, erra e nada fez pelo bem da sociedade. Que quer este personagem que fugiu do seu país quando era primeiro ministro e foi para a presidência da UE? Que quer Durão, que o único que sabe e soube fazer é ser poliglota? Que quer este homem que nada fez senão agravar a situação do seu país, pois também ele tem culpa da situação em que Portugal se encontra e em nada nos beneficiou? Homem, sem valor que acredito piamente que o PS o dispensará porque destes homens, está o mundo cheio que falam muito, mas não dizem nada.

  5. Espero que este asno nem tenha o descaramento de voltar para Portugal, quanto mais concorrer a eleições e ser eleito. Este palerma é a epítome da classe política portuguesa, um conjunto de criaturas repelentes e mentirosas que nos condenaram a anos consecutivos de miséria. Este e o ***** do Sócrates representam a podridão absoluta desta República miserável que apenas envergonha os verdadeiros Portugueses.

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