Dom José Policarpo


Patrícia Reis,

A última vez que o entrevistei, há três anos, no patriarcado, Dom José fumou sete cigarros, explicou-me o que gostava de ver na internet e o alívio de não ter sido “escolhido” para Santo Pontífice, para ocupar o lugar de Pedro.

Falámos de crianças, do aborto, de gays e direitos, rimos e demos tempo a Augusto Brázio para o fotografar devidamente.

Hoje, Dom José foi ver a Deus, como dizemos, nós que somos cristãos.

 

Eu recebi o telefonema de uma amiga que me disse:

 

– Eu sei que, apesar de tudo, gostavas dele e queria ser eu a dizer-te.

 

Apesar de tudo ficou a martelar na minha cabeça.

8 comentários em “Dom José Policarpo”

  1. Eu bem sei que não era a obrigação dele conceder a entrevista, mas mesmo assim considero altamente indelicado, para não dizer pior, fumar perante a entrevistadora.
    (Espero que ao menos tenha pedido licença para o fazer.)

  2. Não sendo eu crente, tocou-me a mensagem de Natal de 2012 de José Policarpo. Até guardei o documento e aqui transcrevo a sua parte final:

    4. Comecei por me dirigir a crentes e a descrentes. Todos celebram o
    Natal, porque a sua abrangência cultural é mais larga do que a prática da fé
    cristã. Muitos desses “descrentes” têm inquietações no seu coração, não
    cessaram de buscar o sentido belo e transcendente da vida. Vou ler-vos um
    texto do Papa Bento XVI, na sua Carta Apostólica “Porta da Fé”: “Não podemos
    esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não
    reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do
    sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo.
    Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela
    estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do homem
    traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre».
    Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no
    coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos
    procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro. É
    precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé” (PF. nº
    10).
    A todos esses nossos irmãos e irmãs convidamo-los a celebrar
    connosco o Natal. Talvez o Senhor vos visite, inundando o vosso coração de
    luz e de paz. Esta luz há-de conduzir à alegria mesmo aqueles que sofrem e
    são tantos no momento presente da nossa sociedade.
    Desejo-vos um Santo Natal. Sejamos verdadeiros para connosco
    mesmos, sinceros com Deus, generosos para com os nossos irmãos que
    sofrem.
    † JOSÉ, Cardeal-Patriarca

  3. Melhor site encontrado com opiniões moderadas na minha lingua e fora do Brasil. Textos maravilhosos e impregnados do status quo da quase nação europídia. Bom ler algo na minha língua que não tem nada a ver com meu cotidiano. Se vcs são unidos e trocam opiniões sobre o site atente para: aqui no Brasil faliu a poesia, a criação musical e a união continental da língua é um refúgio para a sobrevivência de nossa escrita. Viva Saramago, viva Sérgio vieira (libertador de timor-leste) que salvou angola e moçambique. Aqui está acontecendo o fim da história como previu o japa do nobel.

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