A fénix do euro


fiodeprumo,

 

A revista Le Point da última semana de Fevereiro publica um extenso e interessante artigo sobre Irlanda, o tigre celta dos anos oitenta, cujo crescimento chegou a atingir 7,5%, em média, nos anos noventa e 5,5% entre 2001 e 2007.
Até que em 2008 tudo se afunda com a implosão do Lehman Brothers. Os bens imobiliários perdem metade do seu valor e os bancos nacionais caiem uns atrás dos outros. De seis instituições dessa época, não restam mais do que três, e duas delas são totalmente controladas pelo Estado. A salvação bancária custou aos contribuintes 90.000 milhões de euros, fazendo passar a dívida pública de 25% para mais de 120% do PIB…
Mas não se pense que o país ficou a ferro e fogo. Esse não é o espírito daquele povo. Nem tão pouco  o seu firme liberalismo foi posto em causa. Nada disso.
Para se voltar a erguer, a Irlanda pura e simplesmente reproduziu as receitas que tão bem tinham provado nos últimos trinta anos, em especial a de continuar a criar mais e melhores condições para atrair o investimento estrangeiro. Aliás, no aeroporto de Dublin, o PM Enda Kenny, nos ecrãs, “agradece o visitante que venha ajudar à reconstrução do país”.
Em nenhuma outra nação do mundo tanta gente se levanta para ir trabalhar numa empresa estrangeira, explica Dan O’ Brien, o economista chefe do maior “think tank” local, o Institute of International and European Affairs.
Ao longo das décadas o país não só recebeu as sedes europeias da Apple, Intel, IBM, Microsoft, Google, Amazon, Twitter, LinkedIn, como uma série de laboratórios farmacêuticos. A tudo isto juntou-se, em 2013, a Huawei, o gigante chinês de telecomunicações e, mais recentemente, a Yahoo! que instalou em Dublin todos os seus serviços europeus.
Os investimentos americanos na Irlanda já superam todos os que foram efectuados nos BRICS (Brasil, Russia, Índia, China e África do Sul). E até Bono, a estrela nacional e cantor dos U2 elogia em Davos, ao lado do Primeiro Ministro, o milagre irlandês…
E em Portugal, como seria, alguma vez, isto possível?! Jamais, claro, porque nós temos as nossas convicções, muito firmes, do modo como a Constituição garante que queremos caminhar para o socialismo. Está à vista!

2 comentários em “A fénix do euro”

  1. Nós somos mais de reestruturar as dividas. Empurrar com a barriga prós filhos e prós netos, quem vier atrás que apague a luz, porque os nossos direitos são intocáveis.
    Os que há três anos diziam que a Irlanda estava pior que nós, porque tiveram um defice de 32% em 2011, estão todos no manifesto dos 70.

  2. Muito há que se pode fazer sem ter de mexer na constituição (o que não quer dizer que não deva ser alterada).
    Mas não é preciso alterá-la para muitas mudanças do estado. O problema é que para essas reformas no estado, precisamos de… estadistas. E isso é que não vislumbra. É a realidade e, infelizmente, a realidade não mente.
    Mais, não só não temos um único estadista, como há muito tempo que no governo como na oposição não se encontrava uma tal galáxia de buracos negros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *