Da Segunda Circular ao Coliseu


Pedro Correia,

 

Marcelo Rebelo de Sousa deu o pontapé de saída na campanha presidencial sem necessidade sequer de abordar o tema. Fê-lo em horário nobre, com os canais informativos de televisão a transmitir em directo, e aproveitando a seu favor o palco do congresso do PSD, que fora montado para outro efeito. Bastou-lhe aparecer quando ninguém esperava e falar com a habitual desenvoltura durante meia hora: obteve audiência máxima, o aplauso caloroso dos congressistas e o sorriso condescendente de Passos Coelho.

Tornou-se ele próprio a notícia da reunião magna dos sociais-democratas e condicionou por completo a margem de manobra da direcção laranja, condenando à irrelevância  a moção de estratégia global de Passos, na parte referente às presidenciais, ainda antes de ser votada.

Com brilho formal, perfeito controlo do tempo e um notável sentido de humor — confirmando neste caso um dos atributos mais raros da política portuguesa, como o JAA justamente observou aqui. E lançando um novo mito na iconografia laranja: depois de Aníbal Cavaco Silva a rodar o Citroën no vitorioso congresso de 1985, tivemos desta vez o futuro candidato presidencial Marcelo descobrindo a estrada de Damasco capaz de conduzi-lo a Belém, via Coliseu dos Recreios, enquanto seguia de táxi na Segunda Circular.

É em momentos como este que devemos render tributo ao mérito. Marcelo dá dez-a-zero ao melhor especialista em marketing político. Comparado com este profissional, todos os outros são amadores.

16 comentários em “Da Segunda Circular ao Coliseu”

  1. Meu caro Pedro, infelizmente tenho que te dar toda a razão.
    Malogrado país este onde a direita não tem outra escolha que não MRS. Oxalá Guterres se candidate… Não sendo bom é, pelo menos, alternativa.

  2. O Rio ainda vai dar muito sumo (julgo eu). Se não veja-se como o porcoassado foi atropelado por neofito só porque o RR não disse mas sonhou alto.
    E julgo que a campanha que o Marcelo fez semanas seguidas a empurrar o RR para S.Bento obedecia a este receio que eu sugiro.
    A ver vamos como diz o cego.

    1. Na política só marca pontos quem se chega à frente, meu caro. Quem fica em casa aguardando uma comitiva que um dia lhe bata à porta com andor e fanfarra pode esperar sentado.

  3. Um dos culpados pela bancarrota continua a seduzir pessoas que se apaixonam pelas palavras em vez do que significam as palavras.

  4. Por mim só tenho pena que ele não se queira candidatar. Seria um optimo Presidente da República Portuguesa.

  5. Nas presidenciais, prevejo para Marcelo um desfecho “à la Freitas do Amaral” e do seu movimento Pr’à Frente Portugal: muita festa na campanha, muita mobilização, mas uma derrota por 0,1%. Tudo depende do candidato opositor. Guterres é uma boa escolha.

  6. O Prof. Marcelo sempre no seu maior e aglutinador do congresso do último fim de semana. É o candidato natural a ganhar por longa margem.
    Assim o espero. Serei votante sem exitação.
    Rui Falcão

  7. Lino Mor
    O único mérito deixado pelo Guterres foi (por fim) reconhecer o “pântano” da sua incapacidade…pena que, mais recentemente, outros camaradas não tenham seguido o exemplo…Tenhamos esperança que um belo dia de contrição surja no socrático tempo de antena…

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