O discurso de Marcelo


escafandro,

Pode analisar-se-lhe a sinceridade, as motivações, a oportunidade, a coerência, as consequências (por exemplo: será lamentável se vier a atenuar os efeitos do excelente discurso de Paulo Rangel). Prefiro salientar outro ponto: a utilização do humor. Há falta de humor nos discursos políticos nacionais. Por insegurança (parente muito chegada da arrogância), os políticos portugueses – na verdade, os portugueses em geral – levam-se demasiado a sério, tendo dificuldade em lidar com a ironia, que consideram falta de respeito. Não se passa o mesmo noutros países, em especial nos anglo-saxónicos. Aí, o humor é uma velha e insigne tradição, surgindo nos discursos políticos como sinal de desprendimento e inteligência. Foi isto que Marcelo trouxe ao congresso do PSD.

10 comentários em “O discurso de Marcelo”

  1. Realmente, o Marcelo é o verdadeiro “palhaço pobre”, porque faz rir o pessoal.
    Ao contrário do Cavaco, que representa na perfeição o papel de “palhaço rico”, sem piada nenhuma, nem o menor vestígio de sentido de humor.
    Mas será disso que precisamos, de um palhaço a substituir o outro na presidência da República?
    Eu concordo que a generalidade dos nossos políticos se leva demasiado a sério, ou, pensando melhor, talvez nem tanto, talvez isso seja apenas uma capa para esconder as suas enormes fragilidades e incompetências. Mas o Marcelo – que seguramente não se leva, nem leva nada, demasiadamente a sério -, não será brincalhão demais para poder ser presidente da República?

    1. Apesar da ideia não me chocar (apoiar Durão também não me atrai por ai além e está fora de questão juntar-me aos fãs de António Costa, esse indivíduo coerentíssimo e sempre certo, mesmo quando hesita e muda de opinião), não estou a defender a candidatura de Marcelo à presidência. Não estou sequer a elogiar-lhe o discurso. Apenas o sentido de humor.

  2. Sim senhor,se o nosso país agora fosse apenas um grande stand-up comedy o congresso do psd teria afinal uma grande solução estratégica para Portugal.Triste herança a de Abril quando pensamos na mudança de regime e vemos os resultados práticos de tal mudança,e o pior é que nenhum partido no parlamento é capaz,alguns decidiram que a solução era individar,outros vender a pataco(e proteger os amigos) e empobrecer e outros pensam que ainda estão em 1989.

    1. Os resultados de Abril são, antes de mais, termos a liberdade para eleger idiotas. Reiteradamente. E – reiteradamente – continuarmos a defender políticas que levam a becos sem saída. E depois culparmos apenas os partidos (que têm muitas responsabilidades, com certeza), de forma genérica. Compare-se a gestão de Rui Rio com a de Alberto João Jardim. São ambos do PSD. Mas os seus eleitores viram prioridades diferentes. (Claro que pode defender-se que mais vale gastar à tripa forra – quando estoira, todos sofrem.)

  3. Já assisti a muitos congressos, de todos os partidos. Já escutei excelentes discursos, de todos os quadrantes. O discurso que Marcelo fez ontem à noite foi um dos melhores de quantos escutei até hoje.

  4. Foi um discurso bastante humorístico. 🙂

    Então quando cá fora remata que é quase amigo de Relvas revela bem o seu humor. É amigo daquele e do 1º, e fartou-se de os elogiar nos últimos anos.

    Fartei-me de rir.

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