Ja som Ukrajinec


Pedro Correia,

 

Na Ucrânia, por estes dias, não se luta apenas nas ruas e nas praças. As batalhas da propaganda política também são decisivas, com o recurso às novas tecnologias. Este vídeo, por exemplo, teve rápida difusão mundial: já recebeu 3,5 milhões de visualizações.

Dois minutos: não é preciso mais. Uma jovem chamada Yulia difunde a mensagem, clara e directa, recorrendo à técnica do vivo televisivo: “Queremos ser livres”.

É quanto basta para o essencial ficar dito. E para o eco se propagar: “Ja som Ukrajinec”.

Um marco na luta contra o Governo de Kiev. E uma lição de eficácia comunicacional também.

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10 comentários em “Ja som Ukrajinec”

  1. Já agora, Yulia, quero dizer-te que a vossa luta deve ser a nossa luta: a luta dos portugueses, espanhois, franceses, italianos, gregos, irlandeses, ingleses, brasileiros…
    Mais ainda, também nós, os portugueses, temos um governo alinhado com ideologias corruptas sobre o capital e os mercados que não só nos tiram o pão, o gás, a electricidade e o tecto para viver com dignidade como também a liberdade.
    Olha, Yulia, e os gajos são apoiados por muitos desses países com que alguns de vós sonham.
    Mas, sabes Yulia, aqui a corrupção é manhosa, velada, discreta, bem falante, organizada, maliciosa e, tal como um polvo, tem vários tentáculos.

    Perguntar-me-ás: Então, por que não lutam? Sabes, Yulia, somos um bom povo, mas estamos estamos corrompidos por um sentimento terrível: a inveja.

    Gostamos muito de ser/ver pobrezinhos, humildes, com o cu lavadinho e não apreciamos pobres com dignidade, gostamos deles dependentes para que possamos satisfaser nossa vaidade e orgulho bacôco.
    Também temos inveja do vizinho, da vizinha, do primo, do irmão, do colega de trabalho…, e quando mudamos para uma posição bem melhor a inveja acompanha-nos e aumenta ainda mais.
    Temos inveja que outros possam alcançar o mesmo bem-estar, porque invejosamente gostamos de ser adulados. E esta inveja consome de tal forma as nossas forças que ficamos sem forças para lutar. Só somos diferentes com os estrangeiros, porque temos vergonha. Significa isto, a vergonha que sentimos, que ainda há esperança para mudármos.

    Por favor, leva esta mesnsagem a todos com quem te encontrares e pede que nos ajudem. Se possível manda fotos desses corpos sem vida de jovens e adultos que morreram a lutar contra a corrupção. Peço-te isto para que compreendamos todos que esses rostos sem vida serão os rostos que no futuro veremos com um sorriso alegre e uma gargalhada livre, na Ucrânia.
    Espero voltar a ver o teu rosto, com um sorriso alegre.

    1. Felizmente nós por cá não temos “forças da ordem” que matam mais de cem cidadãos que exerciam o direito constitucional à manifestação, como agora aconteceu em Kiev.

      1. Pois é, Pedro,

        nós por cá não lutamos como eles. Os nossos direitos constitucionais não são suficientemente fortes para nos mobilizar a esse ponto. Eles também estão endividados, mas as dívidas deles à Rússia não devem ser para pagar. E nós, no ocidente, entenda-se os nossos governos, não falamos porque a passagem do gás também é feita pela Ucrânia. Mas ainda bem que não falam.

        Se lutássemos como eles não faltaria quem nos chamasse de selvagens, sequestradores das forças da ordem, usando machados e outras armas mais. Mas entenda bem, não é isto que eu desejo para nós e para qualquer outro povo. Mas desejo, tal como na Ucrânia, que a corrupção tenha um fim.

        1. Ninguém bem formado deseja morticínios em lado nenhum, meu caro. Por todos os motivos. E também porque nunca problema algum foi resolvido sobre pilhas de cadáveres. No continente europeu – e naquela zona especificamente – já houve mortos em excesso nos últimos cem anos. Só no início da década de 30 foram dez milhões, vítimas do maior de todos os crimes de Estaline:
          http://www.unitedhumanrights.org/genocide/ukraine_famine.htm

          1. Pedro,
            a questão não é colocada pelo lado da boa ou má formação das pessoas. Nem das ocorrências do passado.
            Os povos têm direito à lierdade e a lutar pela mesma. A via da violência infelizmente resolve algumas coisas, mas não soluciona tudo.
            Os meus comentários, e o meu “diálogo” com a Yulia, têm como objectivo revelar que o assalto ao poder e a opressão sobre os povos ocorre em ambos os lados.
            Nos países ditos democráticos, hoje em dia, assistimos a acções terroristas contra as populações em nome de uma legitimidade democrática, que pensa que o voto popular os legitima a fazer qualquer merda e qualquer merda contra todos. Entendem-se donos do estado, do país, das leis do estado e da vida da nação. É a este messianismo bacôco, estúpido, irracional e infantil que contraponho em meus comentários.

            O Pedro ao usar os argumentos sobre Stalin, um carniceiro, parece-me que procura retirar o peso de minhas palavras.

            Vamos lá ver, a Ucrânia é, deve ser, dos ucranianos, mas não só desses ucranianos que lutam pelas ruas de Kiev.

          2. Meu caro: a Ucrânia já foi retalhada vezes sem conta, já foi vítima de morticínios sem fim e padece do excessivo peso da história, aliás à semelhança de muitos países e territórios do centro e leste da Europa, o continente de todas as guerras e de todos os massacres. Será, estou certo disso, aquilo que o povo ucraniano determinar – com plena soberania e autodeterminação. Porque o tempo em que essa soberania estava asfixiada em nome de vontades imperiais alheias terminou de vez.
            A fuga do presidente deposto, que abandonou Kiev como os ratos costumam abandonar os porões dos navios, é bem demonstrativa disso.

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