Na Ucrânia, por estes dias, não se luta apenas nas ruas e nas praças. As batalhas da propaganda política também são decisivas, com o recurso às novas tecnologias. Este vídeo, por exemplo, teve rápida difusão mundial: já recebeu 3,5 milhões de visualizações.
Dois minutos: não é preciso mais. Uma jovem chamada Yulia difunde a mensagem, clara e directa, recorrendo à técnica do vivo televisivo: “Queremos ser livres”.
É quanto basta para o essencial ficar dito. E para o eco se propagar: “Ja som Ukrajinec”.
Um marco na luta contra o Governo de Kiev. E uma lição de eficácia comunicacional também.
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Diz que na Soeiro Pereira Gomes nenhum quis ver.
Por lá ainda há quem pense que a Ucrânia é parte integrante da URSS.
Já agora, Yulia, quero dizer-te que a vossa luta deve ser a nossa luta: a luta dos portugueses, espanhois, franceses, italianos, gregos, irlandeses, ingleses, brasileiros…
Mais ainda, também nós, os portugueses, temos um governo alinhado com ideologias corruptas sobre o capital e os mercados que não só nos tiram o pão, o gás, a electricidade e o tecto para viver com dignidade como também a liberdade.
Olha, Yulia, e os gajos são apoiados por muitos desses países com que alguns de vós sonham.
Mas, sabes Yulia, aqui a corrupção é manhosa, velada, discreta, bem falante, organizada, maliciosa e, tal como um polvo, tem vários tentáculos.
Perguntar-me-ás: Então, por que não lutam? Sabes, Yulia, somos um bom povo, mas estamos estamos corrompidos por um sentimento terrível: a inveja.
Gostamos muito de ser/ver pobrezinhos, humildes, com o cu lavadinho e não apreciamos pobres com dignidade, gostamos deles dependentes para que possamos satisfaser nossa vaidade e orgulho bacôco.
Também temos inveja do vizinho, da vizinha, do primo, do irmão, do colega de trabalho…, e quando mudamos para uma posição bem melhor a inveja acompanha-nos e aumenta ainda mais.
Temos inveja que outros possam alcançar o mesmo bem-estar, porque invejosamente gostamos de ser adulados. E esta inveja consome de tal forma as nossas forças que ficamos sem forças para lutar. Só somos diferentes com os estrangeiros, porque temos vergonha. Significa isto, a vergonha que sentimos, que ainda há esperança para mudármos.
Por favor, leva esta mesnsagem a todos com quem te encontrares e pede que nos ajudem. Se possível manda fotos desses corpos sem vida de jovens e adultos que morreram a lutar contra a corrupção. Peço-te isto para que compreendamos todos que esses rostos sem vida serão os rostos que no futuro veremos com um sorriso alegre e uma gargalhada livre, na Ucrânia.
Espero voltar a ver o teu rosto, com um sorriso alegre.
Felizmente nós por cá não temos “forças da ordem” que matam mais de cem cidadãos que exerciam o direito constitucional à manifestação, como agora aconteceu em Kiev.
Pois é, Pedro,
nós por cá não lutamos como eles. Os nossos direitos constitucionais não são suficientemente fortes para nos mobilizar a esse ponto. Eles também estão endividados, mas as dívidas deles à Rússia não devem ser para pagar. E nós, no ocidente, entenda-se os nossos governos, não falamos porque a passagem do gás também é feita pela Ucrânia. Mas ainda bem que não falam.
Se lutássemos como eles não faltaria quem nos chamasse de selvagens, sequestradores das forças da ordem, usando machados e outras armas mais. Mas entenda bem, não é isto que eu desejo para nós e para qualquer outro povo. Mas desejo, tal como na Ucrânia, que a corrupção tenha um fim.
Ninguém bem formado deseja morticínios em lado nenhum, meu caro. Por todos os motivos. E também porque nunca problema algum foi resolvido sobre pilhas de cadáveres. No continente europeu – e naquela zona especificamente – já houve mortos em excesso nos últimos cem anos. Só no início da década de 30 foram dez milhões, vítimas do maior de todos os crimes de Estaline: de/ukraine_famine.htm
http://www.unitedhumanrights.org/genoci
Pedro,
a questão não é colocada pelo lado da boa ou má formação das pessoas. Nem das ocorrências do passado.
Os povos têm direito à lierdade e a lutar pela mesma. A via da violência infelizmente resolve algumas coisas, mas não soluciona tudo.
Os meus comentários, e o meu “diálogo” com a Yulia, têm como objectivo revelar que o assalto ao poder e a opressão sobre os povos ocorre em ambos os lados.
Nos países ditos democráticos, hoje em dia, assistimos a acções terroristas contra as populações em nome de uma legitimidade democrática, que pensa que o voto popular os legitima a fazer qualquer merda e qualquer merda contra todos. Entendem-se donos do estado, do país, das leis do estado e da vida da nação. É a este messianismo bacôco, estúpido, irracional e infantil que contraponho em meus comentários.
O Pedro ao usar os argumentos sobre Stalin, um carniceiro, parece-me que procura retirar o peso de minhas palavras.
Vamos lá ver, a Ucrânia é, deve ser, dos ucranianos, mas não só desses ucranianos que lutam pelas ruas de Kiev.
Meu caro: a Ucrânia já foi retalhada vezes sem conta, já foi vítima de morticínios sem fim e padece do excessivo peso da história, aliás à semelhança de muitos países e territórios do centro e leste da Europa, o continente de todas as guerras e de todos os massacres. Será, estou certo disso, aquilo que o povo ucraniano determinar – com plena soberania e autodeterminação. Porque o tempo em que essa soberania estava asfixiada em nome de vontades imperiais alheias terminou de vez.
A fuga do presidente deposto, que abandonou Kiev como os ratos costumam abandonar os porões dos navios, é bem demonstrativa disso.
Brilhante vídeo, embora tresande a psy ops da CIA.
Não digo que não. Mas lá que é eficaz, lá isso é.