Rui Tavares, o principal mentor do partido Livre, é desde 2009 deputado no Parlamento Europeu. Que tem sede na Bélgica, uma monarquia.
Mas no Livre “não há lugar para posições monárquicas”.
Ficamos todos a saber qual o conceito de liberdade do Livre. É idêntica ao do Clube do Bolinha. Menina não entra – se for monárquica.


Sendo eu republicano (sem fanatismos), é a pura verdade que muitos países dos mais avançados (digamos assim por simplicidade) da Europa são monarquias (ou equivalente). Bélgica, e, assim de repente, Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido… tudo países onde não consta que exista falta de liberdade. O Tavares é patareco, uma vez que é inimaginável ignorância neste assunto de um deputado europeu.
Parece-me uma posição ainda mais lamentável por ser expressa em comunicado oficial do partido, ao que diz o ‘Público’, e não por vincular apenas o dirigente X ou Y. Digo isto com acrescido à-vontade, também por ser republicano.
(1) Que eu saiba, a sede do Parlamento Europeu é em Estrasburgo, na França. Embora de facto reúna mais em Bruxelas, nominalmente a sua sede é em Estrasburgo. Ou não?
(2) O facto de um partido se denominar “Livre” não significa que os seus aderentes sejam livres de ter toda e qualquer orientação política, como me parece evidente. Se assim fôra, não se trataria de um partido, dado que cada um dos seus membros poderia defender algo de oposto aos restantes.
O Parlamento Europeu tem sede em Bruxelas e Estrasburgo. Funciona todo o tempo em Bruxelas excepto uma vez por mês, quando reúne em sessão plenária em Estrasburgo.
Num partido que se intitula Livre, por definição, cada um dos seus membros deve poder defender “algo de oposto aos restantes”, para usar as suas palavras. Caso contrário estamos perante algo que pode assemelhar-se a publicidade enganosa.
Sendo a monarquia uma das duas formas de Estado vigentes na UE, com toda a legitimidade, não consigo entender de todo como se inventa uma espécie de cláusula de exclusão dos monárquicos, em forma de comunicado. Sobretudo num partido com este nome.
Quase todos os nomes de partidos constituem publicidade enganosa, por esse seu padrão. O Partido Popular não é popular, o Partido Social Democrata não é social democrata, e o Partido Socialista não é socialista.
Sim, mas de um partido novo imagina-se que possa fazer a diferença, também neste aspecto.
1. Mais um “ai” num país que detesta discutir ideias, substantivos, valores de ação.
2. Os militares impingiram o pacto MFA-Partidos e logo aí Ultramontanos, Libertários (os de direita, as galochas chamavam-nos de fachos, os de esquerda eram terroristas), Anarquistas, Maoistas ficaram de fora. Na Direita, só o que se dizia de centro foi admitida.
3. A rara intelectualidade, leitora apressada dos Mouniers, dos Arons, dos Bernstein enfim uma dúzia de maduros que só faziam política com crescimento acima de 4% tratou logo de fazer dos partidos importantes da governação o centro do debate: social-democracia ou socialismo democrático? Eis a questão circular de trinta e cinco anos. A cacafonia ao serviço da clique neo-estato-rica tomou assim conta do Estado apesar de encher a boca da populaça de “direitos” (desejos).
4. Ser “xuxial” era o mesmo que discutir política aqui na piolheira. Seja Democracia Xuxial, seja Xuxial-Democracia, ou Xuxial´mo Democratico, dupont e dupont, as moscas e António José de Almeida.
4. PRD, PSN, Bloco foram propostas etéreas, voláteis, ocasionais num país que não …pensa.
5. Agora é o “Livre”, tendencialmente uma esquerda libertária que nada sabe o que fazer ao Império decadente europeu. Pelas movimentações direitistas escondidos, esquerdistas inconformados deram as mãos, falaram uns com os outros e… eis que se descobriu que muito os divide, não são pois bloco, nem pedra, nem tijolo.
São espuma.
Na esquerda à esquerda do PS, obcecada tantas vezes com o combate ao inimigo interno, quase nada do que parece é. O Bloco é tudo menos isso. E o Livre começa a dar maus passos, como este episódio demonstra.
Caro Pedro,
É o infelizmente usual “livre” da esquerda: é livre tudo o que esteja de acordo com o que pensamos. O resto é fachismo (ou outro adjetivo similar).
Uma certa esquerda vê absolutos em tudo. E gosta de transferir esses absolutos para as próprias designações que lhe servem de cartão de visita.
Bloco, por exemplo. Ou Livre.
Quando surge uma fenda neste absoluto, muita coisa se desmorona. O Bloco, por exemplo, é hoje tudo menos isso: está fragmentado e até já deu origem a dois partidos. O Livre, por este andar, começa a cometer os mesmos erros. Incluindo o maior de todos: a intolerância.
Mas tem lá dois penetras monárquicos… Nuno Cardoso da Silva e um tal de Frederico Duarte Carvalho. Não sei que purga tomaram, penetras e anfitriões. Mas deve ter sido forte e traumática para ficarem todos amnésicos.
Ao que tudo indica, Laura, mal entraram e já vão ser expurgados. Por delito de opinião.