Primeira tarefa do dia: consultar o dicionário para saber se a palavra absurdo em Portugal tem o mesmo significado que no resto do planeta Terra. Não pode ter.
Escrevi isto lá no meu cantinho e é a traço grosso o que penso sobre a praxe.
O Socialismo ficou na gaveta? O estudante sacrifica o seu individualismo em nome de um valor mais alto: A Comunidade E Socialismo e os socialistas condenam-o? Só pode ser porque não é para a sua comunidade socialista.
Eu não gosto – nunca gostei – de coisas diariamente televisionadas, coisas como a casas dos segredos, ou big brothers ou, recuando uns bons anos, aquele programa com a famosa cena do “ponha, ponha, ponha” e o lagarto. E quem diz isto, diz os Idolos ou outros programas afins. São tudo, no meu entender, transmissão pública de humilhação alheia, sem nenhum intuito que não entreter a plebe. Mas é, na maioria dos casos, humilhação alheia e consentida (neste aspecto considero que algo como os Ídolos é pior que uma Casa dos Segredos – tenho sérias dúvidas que nos Ídolos a transmissão da humilhação seja consentida à posteriori). Como tal, não gosto, não vejo, não participo, mas admito sem qualquer problema que as pessoas que participam no programa têm todo o direito de o fazer.
Isto não surpreende, tendo em conta a declaração de uma jovem “praxista” ontem no Prós e Contras: nós temos o direito a praxar porque até os estagiários são obrigados a beber absinto quando chegam às redacções dos jornais. Desisti há muito de compreender a actual geração. Pode ser a melhor preparada cientificamente falando, mas quando descemos aos valores éticos e morais estão perto do zero.
Não vi porque de peças relacionadas com praxes ando eu cheio.
Mas ocorre-me perguntar: esse imbecil andou no básico e no secundário, provavelmente à conta do contribuinte, para isso? Mais valia ter ido para o raio que o tivesse partido, chiça.
Sim, senhor! Estes jovens são uma amostra do povo que qualquer dirigente de um regime totalitário gostaria de ter no seu país. Para mim é muito triste, depois de quase tantos anos de democracia quantos houve de ditadura, e numa altura em que tanta gente luta contra humilhações diárias, porque os seus direitos não são respeitados, ouvir estas declarações. O único direito que aqui faz sentido é o de expressão. Mas usá-lo para proferir estas sentenças deixa-me perplexa. E se o que ali se diz é sentido, sinto também medo. Medo do futuro, medo de que estes indivíduos que agora se “põem de quatro” e que o aceitam fazer como uma imitação de uma vida que é dura (como se fosse preciso representá-la dessa forma ridícula) venham a ter poder. E quando digo poder não penso só em possíveis cargos políticos. Penso nas situações mais básicas, nos seus grupos de amigos, nas famílias… Quem usa as suas forças para lutar pelo direito de ser humilhado demonstra uma perigosa inversão de valores que não poderá trazer nada de bom, nem para si nem para os outros. Sei que quem assiste a estas imagens sabe dar o devido desconto e não toma a parte pelo todo mas isto só reforça a imagem negativa que muitos têm dos estudantes e do sistema de ensino que, de facto, dá prova de algum fracasso, nomeadamente no que toca à filosofia. Tantos autores, ao longo de séculos, nos deixaram as suas reflexões para nos ajudarem a elevar o nosso espírito para que, da boca de quem era suposto ter aprendido a pensar, saiam estas afirmações de profundo desprezo pelo que é eminentemente humano…
Primeira tarefa do dia: consultar o dicionário para saber se a palavra absurdo em Portugal tem o mesmo significado que no resto do planeta Terra. Não pode ter.
Escrevi isto lá no meu cantinho e é a traço grosso o que penso sobre a praxe.
Alguns praxistas mereciam ser praxados com carácter vitalício, Helena.
O Socialismo ficou na gaveta?
O estudante sacrifica o seu individualismo em nome de um valor mais alto: A Comunidade
E Socialismo e os socialistas condenam-o?
Só pode ser porque não é para a sua comunidade socialista.
O socialismo foi metido na gaveta em 1977, ano em que o Dr. Mário Soares foi praxado pelo FMI.
Se calhar é um dos tais direitos humanos que deviam ser referendados… Vai-se a ver e era nisto que o outro estava a pensar.
Cumprimentos,
Questiono-me a que corresponderá o “direito” a ser humilhado. Certamente ao “dever” de humilhar.
Eu não gosto – nunca gostei – de coisas diariamente televisionadas, coisas como a casas dos segredos, ou big brothers ou, recuando uns bons anos, aquele programa com a famosa cena do “ponha, ponha, ponha” e o lagarto. E quem diz isto, diz os Idolos ou outros programas afins. São tudo, no meu entender, transmissão pública de humilhação alheia, sem nenhum intuito que não entreter a plebe. Mas é, na maioria dos casos, humilhação alheia e consentida (neste aspecto considero que algo como os Ídolos é pior que uma Casa dos Segredos – tenho sérias dúvidas que nos Ídolos a transmissão da humilhação seja consentida à posteriori). Como tal, não gosto, não vejo, não participo, mas admito sem qualquer problema que as pessoas que participam no programa têm todo o direito de o fazer.
O Big Brothel, comparado com certas praxes, é tão inocente como a Rua Sésamo.
Ui!
As tais declarações serão efeito da síndroma de abstinência de absinto, Isabel?
Isto não surpreende, tendo em conta a declaração de uma jovem “praxista” ontem no Prós e Contras: nós temos o direito a praxar porque até os estagiários são obrigados a beber absinto quando chegam às redacções dos jornais.
Desisti há muito de compreender a actual geração. Pode ser a melhor preparada cientificamente falando, mas quando descemos aos valores éticos e morais estão perto do zero.
Espantosamente, ainda ninguém se lembrou de teorizar sobre o direito ao absinto.
Não vi porque de peças relacionadas com praxes ando eu cheio.
Mas ocorre-me perguntar: esse imbecil andou no básico e no secundário, provavelmente à conta do contribuinte, para isso? Mais valia ter ido para o raio que o tivesse partido, chiça.
Consumir praxes prejudica gravemente a saúde. Mental.
Ele há cada direito… Francamente, eu prefiro outros. Que não passem pela humilhação, claro.
Boa semana, Pedro. 🙂
Obrigado por continuar a cultivar o direito à simpatia, AE.
“O direito a ser humilhado”
Pronto: — mais uma deixa fraturante para o BE apresentar no parlamento!
Estamos praxados.
Direi mesmo mais: estamos praxidos.
Eu diria mesmo mais: quem leva naquilo que é seu, não é desprezo nenhum…
Faz-me lembrar aquela boa alma campestre, que quando chegava a hora da bucha rumava sempre à palheira do Ti Zé Bicadas.
Sim, senhor! Estes jovens são uma amostra do povo que qualquer dirigente de um regime totalitário gostaria de ter no seu país.
Para mim é muito triste, depois de quase tantos anos de democracia quantos houve de ditadura, e numa altura em que tanta gente luta contra humilhações diárias, porque os seus direitos não são respeitados, ouvir estas declarações. O único direito que aqui faz sentido é o de expressão. Mas usá-lo para proferir estas sentenças deixa-me perplexa. E se o que ali se diz é sentido, sinto também medo. Medo do futuro, medo de que estes indivíduos que agora se “põem de quatro” e que o aceitam fazer como uma imitação de uma vida que é dura (como se fosse preciso representá-la dessa forma ridícula) venham a ter poder. E quando digo poder não penso só em possíveis cargos políticos. Penso nas situações mais básicas, nos seus grupos de amigos, nas famílias… Quem usa as suas forças para lutar pelo direito de ser humilhado demonstra uma perigosa inversão de valores que não poderá trazer nada de bom, nem para si nem para os outros.
Sei que quem assiste a estas imagens sabe dar o devido desconto e não toma a parte pelo todo mas isto só reforça a imagem negativa que muitos têm dos estudantes e do sistema de ensino que, de facto, dá prova de algum fracasso, nomeadamente no que toca à filosofia. Tantos autores, ao longo de séculos, nos deixaram as suas reflexões para nos ajudarem a elevar o nosso espírito para que, da boca de quem era suposto ter aprendido a pensar, saiam estas afirmações de profundo desprezo pelo que é eminentemente humano…
Pois é, Ana: começam a invocar o direito a “pôr-se de quatro” e acabam feitos num oito.
A minha alma pasma.
Só falta virem dizer que têm direito à ignorância para o filme ser “hardcore”
Para já exercem sem rodeios o “direito” à estupidez.
Para quando o direito à violência conjugal?
Não há direito.
Infelizmente o direito à estupidez é dos mais praticados.
Invocam-no quase como se fosse um dever, André.