Anacronismos


tralhasdavida,

O cúmulo de se ser de antigamente é uma pessoa mandar vir o CD do concerto do Simon & Garfunkel no Central Park e dar por si no carro a gaguejar nas partes em que tinha o LP riscado.

 

7 comentários em “Anacronismos”

  1. Creio que me “actualizei” pacificamente, na passagem do vinil para o CD. Não tenho a sensibilidade daqueles que classificam as “aparelhagens” pela capacidade de reproduzir o som do molhar dos lábios, pela língua do intérprete (palavra de honra que li isto há muitos anos, numa revista dedicada à alta-fidelidade; e nesse momento desisti de tentar vir a ser um conhecedor da matéria) e ao fazê-lo sustentam irrevogavelmente (ui, que palavra!) que nada substitui o vinil. Nem tenho meios para ter em casa uma sala acusticamente cuidada por forma a tirar todo o partido de um equipamento de excelência. Para quê investir, se o pudesse fazer, uma fortuna em equipamento, para ter o som desvalorizado pela forma, decoração e dimensão da sala? Fiquemo-nos então, no assunto, pela mediania do bom-senso.

    Por isso aceitei de muito bom grado, que me perdoem os puristas, o som digitalmente comprimido (ou lá o que é…) dos CDs. Límpido, para o ouvido de leigo e, aleluia, sem riscos. E muito prático.

    Ficou por aí a minha progressão tecnológica. Desconheço o que seja fazer o “download” de músicas para o iPod, ou coisa parecida, com ou sem piratarias. Para minha grande perda, certamente. Mas nesse patamar cristalizei e nele fico satisfeito (assim se vão fazendo CDs e vá eu ganhando o necessário para uma ou outra vez comprar um).

    Tudo isto para lhe diz deer que, de certa forma, partilho esse seu anacronismo (que nada me incomoda). E lhe agradecer por me recordar de um CD há tanto tempo esquecido numa prateleira cá de casa. Vou buscá-lo.

    Costa

  2. Muito bom mesmo – a música e as letras. Oiço muitas vezes, no carro, a cassete (isto é anacronismo) do concerto no “central park”. Até sei onde agradecem aos departamentos de policía e dos bombeiros. Creio que a cassete tem mais de 25 anos…

  3. Acontece-me o mesmo no tema “Sete Mares” dos Sétima Legião que tinha gravado numa cassete, a partir de um disco que também não estava nas melhores condições.
    Quanto ao disco deste fantástico concerto acho que, apesar de ter rodado tantas vezes, nunca se riscou… Não sei como estará agora, depois de tanto tempo sem ser tocado…
    Há anacronismos que sabem tão bem. 🙂

  4. Mais do que isso, quando eu me começo a aperceber que o meu exterior não corresponde ao interior, que continua a ver-me como o eterno teenager, é quando verifico que esses Discos de que me lembro serem a novidade, já são clássicos, lançados à mais de 30 anos …. bye bye love, bye bye happiness…

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