O Panteão nacional


fiodeprumo,

Já nem sei que diga do despropósito das intervenções de grandes figuras com responsabilidades políticas. Agora, a segunda figura da Nação volta a embrulhar o seu discurso, ao pronunciar-se sobre a ida de Eusébio para o Panteão nacional. Ora para um correcto esclarecimento do assunto, deverá ter-se em conta que:

1. As chamadas honras de Panteão encontram-se hoje reguladas pela Lei nº. 28/2000, de 29 de Novembro, aprovada na sequência do falecimento de Amália Rodrigues. Esta legislação é bem mais clara do que aquela que até então se aplicava, datada de 1836 e de 1916.

2. Actualmente as referidas honras são da competência exclusiva da Assembleia da República que as aprova sob a forma de resolução, nunca antes de um ano após a morte do cidadão a distinguir.

Assim, tendo Eusébio ficado sepultado numa campa, deverão  decorrer os prazos legais para que o corpo possa ser exumado em condições de ser trasladado. Julga-se que serão, pelo menos, cinco anos.

3. Admitir reunir grupos parlamentares ou falar de custos cujos montantes poderiam justificar o recurso a eventuais patrocínios que reduzissem o impacto que tal honra implicaria no orçamento da Assembleia, não abona muito a favor de quem tem responsabilidades políticas ou de relevância pública.

4. Em clima de grande tensão emocional e envolvendo matérias delicadas, o caminho mais aconselhável é sempre o da contenção verbal.

 

7 comentários em “O Panteão nacional”

  1. Nem é preciso perguntar a Mário Soares o que pensa ele disso.

    Artº 2
    1 – As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.

    Adivinha-se que a vírgula vai ser aproveitada para deturpar o texto, mais uma vez mal-redigida (propositadamente?). Mas eu sintetizo:

    a) exercício de altos cargos públicos
    b) altos serviços militares
    c) expansão da cultura portuguesa
    d) criação literária, científica e artística
    e) defesa dos valores da civilização

    Encaixem lá o “self-serving” futebol nisto, se conseguirem.

  2. Muito bem… eu, não diria melhor e sou bom!

    Sugiro que a Assembleia se debruce sobre a hipótese de se criar o Roubalhão/ onde se depositariam os maiores vultos nacionais da vigarice , como por exemplo, Alves dos Reis, Zé do Telhado… ( únicos condenados judicialmente), ficando para o próximo século a deposição das urnas dos BPNS e outros!
    Sugiro a antiga cadeia do Limoeiro… tendo como símbolo 5 robalos entrelaçados!

    Boa ideia?

  3. Helena,

    Depois de tudo o que já li e ouvi, o melhor mesmo será deixá-lo descansar.
    Ele detestava este tipo de polémicas, que certamente consideraria sem sentido, e a última coisa que quereria era ser motivo de discussão e divisão entre portugueses. Que descanse em paz e um dia, se quiserem trasladá-lo para algum lado, o melhor será fazê-lo para um espaço com dignidade no Estádio do SLB , que era onde ele se sentia bem. Quem quiser que vá lá e que compre bilhete.
    Sempre renderia mais algumas receitas ao clube e ao fisco do que no Panteão. E ninguém ficava zangado.

  4. Bom, se Eusébio, o melhor jogador Moçambicano de todos os tempos, tem lugar no Panteão. Ronaldo tem que reservar já a sua campa com vista para o mar. Mas como ele é uma figura ligada ao Sporting é capaz de ficar de fora desta lista. Mas o que mais me espanta é que uma figura como José Saramago, seja tão mal tratado neste País. Enquanto o jogador da Bola Eusébio seja um herói. Provavelmente é mais fácil conseguir tirar proveito político, em volta da grande figura do Benfica, do que de J S M.

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