Há uma amiga que se fará à estrada, rumo a Faro, para se “despedir do homem que foi a grande referência da sua vida”.
O pai.
Estou tão longe, o céu está carregado de nuvens, não se vêem os morros, as favelas parecem presépios e a ideia está tão gasta que me mete pena só de a escrever.
Ser amigo é cuidar. É estar. É ouvir. Ser amigo é saber ser amigo. É perceber a fragilidade do outro e dizer-lhe que é uma rocha. É mostrar-lhe as brechas quando se sente uma rocha. Ser amigo é difícil, a mais complexa forma de amor. A melhor.
A minha amiga vai perder o pai.
No ano passado, perdi o meu avô. Outros perderam amigos, familiares, filhos, vizinhos. É a vida, dizem.
É pena que a vida seja isto.

É muito triste perder-se alguém de quem se gosta e de quem se ama, mas mais triste é perder-se um filho. Perder-se um filho , para alguém sem princípios, má, egoísta, sem escrúpulos, maquiavélica e execrável ,que levou o filho doce, sempre presente que até então tinha princípios, regras e que acima de tudo sonhava com uma carreira… Ela levou-o, domou-o e ele deixou de ser ele para passar a ser ela. Do bom, passou a ser mau e o mais grave odeia os bons e deleita-se com os maus. Assim perdemos o filho, e o irmão, restando-nos a raiva, o desespero do vazio e de sabermos que embora esteja vivo nos matou para sempre ,na vida dele…
Por favor:
Ambrósio….
— Senhora!
— Muda de conversa!
— Tomarei a liberdade, senhora!
— Vamos falar e coisar coisas doces!
— Isso mesmo, Ambrósio…. que se lixe a crise!