47 comentários em “Desculpa, Madiba!”

  1. Engraçado como ninguém se lembrou de exigir ao Senhor que coach-surfs em Belém que apresentasse as suas e nossas desculpas a tempo de serem ouvidas e aceites por Mandela. Só se passaram 25 anos, que é lá isso?

    1. A memória dos Povos é demasiado selectiva, Maria Dulce Fernandes.
      O problema é que a selectividade da memória não diminui a vergonha acerca do que se fez. Obrigado pelo seu testemunho.

  2. Fazes bem em recordá-lo, André. Convém de vez em quando exercitar a memória.

    Votámos ao lado de Ronald Reagan e Margaret Tatcher .

    Tal como hoje, Cavaco Silva consegue sempre estar do lado errado da História. Por opção.

  3. é a gentinha que o país elege:
    “Ontem, Ana Gomes recordou outro episódio. Quando a antiga diplomata estava em Genebra, houve, em 1989, uma votação das Nações Unidas sobre as crianças vítimas do apartheid. As instruções que vieram de Lisboa, do governo de Cavaco Silva, foram, mais uma vez, para votar contra. E foi esta, em geral, a posição portguesa.”

    http://expresso.sapo.pt/cavaco-silva-hoje-e-quando-era-dificil-estar-do-lado-de-mandela=f844751#ixzz2mgheLj6M

    1. Cada vez mais acho que nós gostamos é de gente desta, Inês. “Estadistas” física e politicamente parecidos com o Professor António. Talvez daqui a umas gerações os nossos genes se libertem desta atracção.

  4. Uma vergonha de homem que não será mais que uma anotação de rodapé na história do nosso país.

    Um presidente que nos envergonha. Hoje e Ontem.

    Curioso apenas que esta informação quase não tenha tido relevo nas notícias e que ninguém ainda tenha confrontado o “Presidente” com isto…

    1. O objectivo deste post era um bocado esse, JP. Iniciar uma partilha, ampliando outras vozes que pudesse ter algum impacto e alertar quem leia este blog. Gostava de ver um jornalista fazer-lhe essa pergunta… Um abraço.

  5. É verdade, sim senhor. Faltou na altura um Manuel Maria Carrilho, aquele que se recusou em votar, para director da UNESCO, tal como o Sócrates lhe mandou, num sujeito que tinha dito que queimaria pessoalmente os livros israelitas que encontrasse na Biblioteca de Alexandria.

      1. Não tem de quê. Todavia, informo que o processo de digestão do político em apreço já foi concluído. Sou totalmente alheio ao facto de ele teimar em boiar no horizonte. Mas concedo que, em termos de sacrificar princípios a valores, na política externa portuguesa, e em especial nas relações com África, ele não foi nem melhor nem pior que os outros. Abraço e bom fim-de-semana.

  6. Não é verdade:
    (a) Release immediately, unconditionally and effectively Nelson Mandela and all other political prisoners, detainees and restrictees;

    Votámos a favor:
    http://unbisnet.un.org:8080/ipac20/ipac.jsp?session=138628SPB2299.2823&profile=voting&uri=link=3100028~!2520~!3100029~!3100070&aspect=alpha&menu=search&ri=2&source=~!horizon&term=A%2FRES%2F42%2F23G&index=Z791AZ

    1. O que eu disse é verdade, sim. São votações diferentes.
      Fiz questão de colocar o link da United Nations Bibliographic Information System. Pode negar, mas não me parece que adiante muito. História é história. Lamente-a, não a deturpe.

      1. A raiva entolda o espírito e parece-me que Mandela sabia isso muito bem.
        Parece-me também que o mais adequado seria PT ter votado da mesma forma que os nossos parceiros europeus, isto é, abstendo-se. Mas votar contra, explicando em declaração de voto de forma bastante clara porque o fez, votando no mesmo dia outra resolução com o mesmo objectivo, mas mais consensual para os europeus, não é, nem de longe, o crime que o André quer pintar.

        http://expresso.sapo.pt/portugal-votou-a-favor-e-contra-mandela=f844893

  7. Sem pretender desculpar Cavaco Silva (de quem não gosto nada), faço notar que Portugal tinha e tem uma enorme comunidade de emigrantes na África do Sul, os quais provavelmente se sentiam muito bem com o regime de apartheid reinante. Portugal não tem interesse em hostilizar essa comunidade de expatriados, muitos dos quais ainda mantêm relações com Portugal.
    Faço também notar, como o Sérgio Correia, que Portugal votou ao lado de países como os EUA e o RU. Os ares desse tempo eram, simplesmente, diferentes dos atuais.
    Foi por ter perdoado estas coisas, e outras piores, que Mandela foi grande.

    1. Luís Lavoura, não consigo aceitar uma linha de raciocínio dessas. Há valores que são universais e absolutos, e que não podem ser relativizados em circunstância alguma. Ainda que se quisesse pensar dessa forma, o caminho seria o da abstenção, e nunca o da negação de direitos humanos básicos. Se calhar, com uma abstenção, este post seria diferente, ainda que a atitude fosse igualmente lamentável.

  8. Já nada me surpreende sobre o Cavaco, o homem tem o estranho dom de fazer convergir sobre a sua pessoa tudo o que é mau e podre no ser humano.

  9. Primeiro, o presidente na altura era Mário Soares. Depois li o seguinte (se bem que não obtive confirmação da votação ainda): Portugal votou contra a secção A da resolução, mas votou a favor da secção G (a resolução está aqui http://www.worldlii.org/int/other/UNGARsn/1987/27.pdf). Segundo Belém (isto é o gabinete de Mário Soares, presidente) a razão deste voto seria porque a secção A não renunciava à violência. A Secção G, que Portugal votou a favor, também obrigava à libertação de presos políticos (incluindo Mandela).

    De qualquer maneira, não vehjo como neste case se pode acusar Cavaco Silva e não acusar Mário Soares do mesmo.

    1. Não é o Presidente da República quem define as orientações políticas neste tipo de matérias, muito menos os sentidos de voto. A diplomacia internacional não é feita e conduzida a partir de Belém, como saberá.
      Portanto os 123 países que votaram a favor estavam todos errados, quem esteve bem foram Portugal, Reino Unido e Estados Unidos, com os fabulosos e exemplares estadistas que, ao tempo, os lideravam…

      1. O presidente tem um papel na politíca esxterna, e ainda mais em 1987. De qualquer forma, Portugal votou a favor da resolução G, como pode ver: http://unbisnet.un.org:8080/ipac20/ipac.jsp?session=138628SPB2299.2823&profile=voting&uri=link%3D3100028~%212520~%213100029~%213100070&aspect=alpha&menu=search&ri=2&source=~%21horizon&term=A%2FRES%2F42%2F23G&index=Z791AZ

        No seu artigo artigo 4.a), a resolução G (http://www.un.org/en/ga/search/view_doc.asp?symbol=A%2FRES%2F42%2F23&Lang=E&Area=RESOLUTION) diz: “Release immediately and unconditionally Nelson Mandela and all Political Prisoner’s”

        A ideia de que Cavaco e Soares não teriam coordenado este voto de política externa é irreal, e apenas serve para fazer demagogia de blog sem estudo dos factos.

          1. Olhe que a explicação do voto na altura veio também do gabinete do presidente. Os historiadores com acesso a esses dados poderão um dia tirar essa teima exactamente. Mas até prova em contrário, este voto veio do governo Português de 1987, cujo primeiro-ministro era Cavaco Silva, e cujo presidente era Mário Soáres, ambos com responsabilidades formais em política externa. Tem alguma declaração oficial de Mário Soares na altura a ir contra este voto? Se houver algo, então mudo o que disse. Se não houver, penso que todos os que estão agora a fazer ataques exclusivamente a Cavaco, deveriam também atacar Soares. Note também que toda a Europa se absteve na votação da resolução A—a forma hipócrita de fazer a mesma coisa.

            O que aconteceu com a votação na C nada tem a ver com o que estamos a discutir: a falsidade do seu argumento de que Cavaco teria votado contra a libertação de Mandela. Como Portugal (o governo com pimeiro-ministro e presidente incluidos) votou na G favoralmente, votou explicitamente a favor da imediata libertação de Mandela e todos os presos políticos. Quanto à C, isso é outro assunto. Suponho que as razões teriam a ver com a enorme comunidade Portuguesa lá, mas eu nunca estive aqui a defender o voto de Portugal. Simplesmente tenho estado a notar a) que Portugal não votou contra a libertação de Mandela e b) a demagogia de separar a reponsabilidade de tal voto entre primeiro-minstro e presidente.

          2. Cavaco Silva explicou hoje o voto contra, se calhar, para seu desespero. A protecção da comunidade portuguesa foi mais importante que os mais básicos direitos humanos. Foi disto que se tratou, embora não só, mas já nem entro por aí. O resto é areia atirada para os olhos das pessoas.

          3. O André é que continua a atirar areia aos olhos das pessoas: Portugal não votou contra “os mais básicos direitos humanos” como é factualmente demonstrado pelo voto na resolução G. A diferença entre resolução A e G é unicamente que a primeira defende o direito à luta armada pelo ANC, e a segunda não. Em tudo o resto são idênticas: condenação e exigência de fim do Apartheid, bem como a libertação imediata de Mandela e de todos os presos políticos. Portanto, se o André disser que Portugal votou contra o direito à violência do ANC, está correcto. Mas se diz que Portugal votou contra os direitos humanos, ou contra a libertação de Mandela (a sua afirmação inicial), está factualmente errado. Não é uma questão de opinião. A votação nas duas resoluções o demonstram.

            Já agora, a abstenção de todos os países europeus na resolução A, demonstra que este países, na sua ambiguidade habitual, votaram nem contra nem a favor do direito à violencia do ANC. Isto é, o tipico e hipócrita Nim da Europa nestas coisas (tipo Palestina, etc.)

            Finalmente, continuo à espera do tal comunicado, de 1987, do então Presidente da Républica Mário Soares, veementemente contra o voto do seu País na ONU e defendendo o direito à violência do ANC. Pode ser que apareça…

  10. Nesse dia Portugal votou contra a resolução A/RES/42/23A e votou a favor da resolução A/RES/42/23G. Ambas as resoluções defendiam, entre outras coisas, o fim imediato do Apartheid e a imediata libertação de Nelson Mandela. Vá ler o documento que tão acaloradamente a Leonor Barros pôs no comentário ao seu post e veja na letra “G” o que é que lá está escrito, e depois venha para aqui fazer demagogia barata. Também não era possivel o presidente da Républica de então, Mário Soares, desconhecer como Portugal iria votar nestas resoluções. Mas claro, temos de proteger a reputação do “nosso” Mandiba, não é?

    1. Demagogia barata é ignorar a “A”, como se nunca tivesse existido, só porque mais à frente está uma “G”. Eu não ignorei a “G”, por isso não ignore a “A”, se faz favor.
      Não tenha medo de discutir e fundamentar objectivamente porque se votou contra a “A”, ou a “C”, já agora…

      1. Esta imensa masturbação colectiva anti Cavaco chega a ser doentia. Já aqui foi explicado porque é que o governo e a PRESIDÊNCIA DA RÉPUBLICA , em 1987 decidiram como é que o representante de Portugal na ONU deveria votar estas resoluções. Se o sr André Couto não quer perceber, é problema seu. Por mim pode levar a taça; o que não pode é distorcer o que se passou há 26 anos, e querer convencer-nos que é a verdade.

        1. Cavaco Silva explicou hoje o voto contra, se calhar, para seu desespero. A protecção da comunidade portuguesa foi mais importante que os mais básicos direitos humanos. Foi disto que se tratou, embora não só, mas já nem entro por aí. O resto é areia atirada para os olhos das pessoas.

  11. Admirável post.

    Só não consigo descortinar a razão (ões) que levaram alguns países altamente e secularmente democráticos a absterem-se na votação duma resolução tão evidente e humanitária:
    – Austrália /Áustria/ Bélgica/ Canadá/ Dinamarca/ Finlândia/ França/ Republica Federal Alemã/ Irlanda/ Luxemburgo/ Malta/ Holanda e Nova Zelândia/ Suécia.

      1. Claro que sei:

        Nem sim nem não, talvez… porém!

        Eu disse e repito: Perante uma resolução – mais do que Humanitária, não devia haver abstenções.

        Nesta votação foi Portugal que votou contra. Não Cavaco Silva…. como o foi o Reino Unido e EUA

        Os representantes na ONU votam em nome do País… é ele que está registado em acta… e ele era composto ( no topo da hierarquia) por Mário Soares / Cavaco Silva.
        Porquê só o Cavaco?

        Gostaria de saber a sua opinião sobre esta interrogação.

  12. Escreveu pouco, mas disse tudo daqueles que nos representam e de nós mesmos. Infelizmente, não foi só esta atitude, pois ainda hoje ouvi Ana Gomes denunciar, outro triste episódio no tempo do mesmo senhor, sobre o apartheid e as crianças.

  13. Caro Luis Rocha

    Mário Soares era o PR …. Como diz o” postista” não era ele que conduzia a politica externa.

    Só que, nada consta nas suas longas memórias e entrevistas, que se tenha demarcado dessa votação.

  14. Resumindo foi um erro dos Aliados aliarem-se a Estaline para destruírem Hitler.
    Isto se quiser manter a coerência.

    Concordo.

  15. Caro André Couto,
    Creio que já seu para perceber os “reais” contornos do acontecimento histórico que abordou no seu post. Eu e outros, seguindo o exemplo de Mandela, estamos dispostos a desculpar a sua precipitação. Porem, não lhe ficaria nada mal, a Si, admiti-la. Ele (Mandela), no seu lugar, fá-lo-ia com toda a certeza.
    A Vieira

    1. Não tem de me desculpar nada, porque eu não me penitenciei e reafirmo tudo o que escrevi. Mandela nunca foi contra a constatação de factos, por isso ponha de parte a postura de moralista e o sentimento de quem pode falar por ele, por favor.
      Obrigado pelo seu testemunho.

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