No mais recente dos seus sempre muito apreciados artigos do Diário de Notícias, Mário Soares faz um tardio, embora merecido, elogio a Ramalho Eanes, seu antecessor no Palácio de Belém. E revela mesmo ter votado em Eanes, não só para o primeiro mandato, em 1976, mas também para o segundo, quatro anos depois. “Tivemos divergências depois da reeleição do presidente em quem aliás votei”, escreve o antigo Chefe do Estado.
Neste ponto, Soares parece desmentir Soares. É que no segundo volume da excelente entrevista biográfica que concedeu a Maria João Avillez, o ex-líder socialista revela ter votado então num general, mas não chamado Eanes.
“Em quem votou?”, perguntou-lhe a jornalista. Resposta de Soares: “No general Galvão de Melo. Foi um voto de protesto, completamente inútil. Também poderia ter votado em Pires Veloso [outro general], com quem aliás simpatizo. Ou em branco. A questão dirimia-se entre dois [Eanes e o general Soares Carneiro], nos quais, em consciência, não podia votar.” (Soares-Democracia, p. 125, Círculo de Leitores, 1996).
Fico na dúvida: em que Soares devo acreditar? No de 1996 ou no de 2013?

SÓ 2 exemplos da coerência e verticalidade politica de Mário Soares:
Preambulo da Constituição: – Abrir caminho para uma sociedade socialista”
–Temos de meter o Socialismo na gaveta”
Diz a Constituição: – ” Cabe ao Estado promover politicas de pleno emprego”
— Não é ao Estado (Governo) que compete arranjar empregos, isso é com as empresas”
Entrevista à RTP ( Aquando da 2ª vinda do FMI)
Sã ocoerentes entre si. Menos com a defesa da Constituição. Embora a segunda afirmação possa ser considerada como não contradizendo a constituição. Políticas de pleno emprego não é exactamente o mesmo que “arranjar empregos”.
Apanha-se mais depressa um mentiroso… que um decrépito senil e vice-versa
— “Fico na dúvida: em que Soares devo acreditar? No de 1996 ou no de 2013?”
Sugiro que não acredite em nenhum deles.
Na minha modesta opinião não devia acreditar nem no Soares de 1996 nem no de 2013.
Pedro, se me permite uma sugestão, não acredite em nenhum. De cada vez que Soares diz uma verdade, cai-lhe um dente.
Acho extraordinário nenhum jornal ter pegado nisto. Se fosse com outro político qualquer, não faltariam as luminárias do costume a chamar-lhe tudo.
Podem dizer que é mentiroso que é isto, ou aquilo, se mentiu ou não, no actual momento pouco interessa. Quem nunca pecou que atire a primeira pedra, é que não há ninguém perfeito. Devemos preocupar-nos é com as mentiras deste governo isso sim e não nos iludirmos. É pena que hajam tão poucos Mário Soares que apesar da idade, ainda tem força para lutar por um povo massacrado, endividado, faminto, pobre, desesperado, desalojado. Homem que pode ter defeitos como qualquer um de nós, mas que toda a sua vida lutou em prol da democracia. A sua experiência de vida é uma graduação. Com os anos vamos afinando o sentido comum e somando experiências de vital importância «O jovem conhece as regras, mas o velho as excepções» Olivier wendell Holmes, médico norte americano. Por essa razão, antigamente «os velhos» das tribos eram os que aconselhavam e decidiam, baseando-se na sua experiência acumulada como ponto de partida, sobre os aspectos fundamentais da comunidade. Não nos podemos esquecer que Mário Soares é um velho, com muita experiência acumulada, ao longo da sua vida recheada de bons e maus momentos.
“É pena que hajam tão poucos Mário Soares que apesar da idade, ainda tem força para lutar por um povo massacrado, endividado, faminto, pobre, desesperado, desalojado.” —
Acho muito bem que Mário Soares defenda a Birmânia. A questão é que Cavaco não tem nada a ver com aquilo.
O Cavaco jurou cumprir e fazer cumprir a constituição, então faça aquilo para que foi eleito e não sirva somente como ornamento da república.
Querias dizer, Maria, “aquilo que para que foi eleito”, mas apenas aquilo que tu entendes que deve ser feito, e não o que ele (ou eu) entenda.
Como eu te entendo…
“O Cavaco jurou cumprir e fazer cumprir a constituição, então faça aquilo para que foi eleito e não sirva somente como ornamento da república.” Não é o que eu entendo que ele deve fazer, mas o que ele tem obrigação de fazer que é muito diferente.
Já houve o “pai dos povos” e temos agora “o pai da democracia”.Os jornalistas que agora o promovem não o podem confrontar com as opiniões que ele defendeu quando assinou dois pedidos de empréstimo?
Se me pergunta, em que Soares deve acreditar, se no de 1996 ou se no de 2013, eu respondo: em nenhum!
Recordo-me de Eanes, um homem sério e íntegro, ter declarado que tinha perdido a consideração (ou termo equivalente, não posso precisar) por Soares depois de ter lido o livro de Rui Mateus (esta parte posso assegurar), livro esse que misteriosamente foi feito desaparecer das livrarias.
Ao Soares de freio nos dentes dos dias que correm, que agrava o seu aldrabismo contumaz, não se deve ligar nenhuma.
Pelo seguro não acreditar em nenhum, que o da Aula Magna causou indignação acompanhada de vómitos.
Eu penso que em nenhum… penso que ele sempre votou nele próprio, mesmo quando não era candidato. Aliás, penso que para ele, a democracia é Mário Soares.
Bem observado, Carlos.
A verdade é que não precisamos destes lordes para nada; a nossa vida está demasiado politizada—os políticos e a política ocupam demasiado espaço na praça pública. Para ter chefezinhos e mitologias não precisamos de República.
Uma curiosidade. Acabo de ver no jornal da 1 de uma televisão a missa desse tal Soares na Aula Magna, e macacos me mordam mas eu vi que enquanto ele falava no perigo de uma nova ditadura aparecerem grandes planos de notáveis figurantes que são seguidores de regimes totalitários. Raios me partam!
se o objectivo do post foi provocar um exorcismo colectivo da malta raivosa anti soares, cumpriu plenamente o objectivo. cada um vota onde quer e diz o que lhe apetece, ainda para mais alguém que não recebe lições de democracia da carneirada que nunca precisou de mexer uma palha para o derrube da ditadura e de lutar pelo regime democrático onde ainda, apesar de tudo, vivemos. já o governo desdiz-se todos os dias mas a carneirada lá vai cantando e rindo
O governo desdizer-se provoca imensa indignação, já a exibição de uma mentira descarada de um ex-PR apenas excita a cambada de energúmenos raivosos anti Soares. É a cegueira voluntária que temos.
Pedro,
vamos lá ver se nos entendemos. O Pedro tem de acreditar nos dois, porque as circunstâncias e os momentos são diferentes.
Sim, Vento, lá isso é verdade. Ainda não me tinha ocorrido.
Acredite nos dois que é bem melhor que acreditar em toda esta gente que não cumpre nem faz cumprir a constituição, garante da democracia. Se alguém mente descaradamente é este governo que são um grupo de incapazes de fazer algo de louvável neste país……..
É pena que só haja um Mário Soares e não hajam mais. Goste-se ou não, é daqueles homens que ficará imortal porque os lutadores e os grandes pensadores que vivem na busca do bem comum, jamais morrerão, mas ficarão para sempre imortalizados. Goste-se ou não
Aqui estão as irmãs gémeas da Maria, que são as mais novas – a Inês e a Ana. Que sejam muito felizes…
Curioso, tanto Ana como Maria afirmam “é pena que não hajaM mais”…
Curioso, eu tenho exactamente a mesma opinião delas.É pena que não hajam muitos Mário Soares, venham eles………..
talvez não tenham presentes as cronicas do comendador sobre o Solares nos discursos demanha no gremio literario e a tarde na reuniao de sindicalistas. Era um retrato fiel do “pai” da democracia e que nunca foi desmentido pelos factos ; e olhe que sou velho sufeciente para ter acompanhado a pide e toda a revolução chegada do conde Solares e o arquirival Cunhal.