Diz o artigo 16.º 1 q), do Regimento da Assembleia da República, sobre as competências do seu Presidente, que compete ao titular deste cargo “manter a ordem e a disciplina, bem como a segurança da Assembleia, podendo para isso requisitar e usar os meios necessários e tomar as medidas que entender convenientes”. Quando, nos últimos tempos, alguém apupa uma intervenção de um membro do Governo, as galerias são imediatamente evacuadas, escorraçando-se o Povo da sua Casa, como se de cães se tratassem. Já hoje, quando um conjunto de polícias aplaudiram o Ministro da Administração Interna, nada aconteceu. Aplaudir é tranquilo, é um balão de oxigénio para os carbonizados pulmões do Governo. Já apupar, ou grandolar, é chato, abre telejornais, e desgasta. (E não, não me interessa que não fosse Assunção Cristas a presidir aos trabalhos, naquele momento.) Assim se trabalha na Casa da Democracia.
PS. É giro ver que a reacção dos polícias foi um momento de aplauso do populismo, porque o Orçamento de Estado para 2014 aumenta os cortes e nada muda no estatuto desta classe. Os próprios dirigentes sindicais esclareceram, no fim, que aquele aplauso havia sido uma espécie de equívoco…

Dois pesos, duas medidas. Nada de novo, André, infelizmente. Curioso mesmo, para não chamar outra coisa, é os senhores polícias, agentes ou o que lhes queiram chamar, aplaudirem este governo, porque lhes dá uma benesse. Vendem-se por pouco.
É pior que isso, Leonor. O Governo não lhes deu nada para além de uma declaração onde reconhece que têm de ter um estatuto diferente. Até os dirigentes sindicais ficaram embaraçados. Foi ridículo…
Bingo!