Aplaudir é tranquilo


André Couto,

Diz o artigo 16.º 1 q), do Regimento da Assembleia da República, sobre as competências do seu Presidente, que compete ao titular deste cargo “manter a ordem e a disciplina, bem como a segurança da Assembleia, podendo para isso  requisitar  e  usar  os  meios  necessários  e  tomar  as  medidas que  entender convenientes”. Quando, nos últimos tempos, alguém apupa uma intervenção de um membro do Governo, as galerias são imediatamente evacuadas, escorraçando-se o Povo da sua Casa, como se de cães se tratassem. Já hoje, quando um conjunto de polícias aplaudiram o Ministro da Administração Interna, nada aconteceu. Aplaudir é tranquilo, é um balão de oxigénio para os carbonizados pulmões do Governo. Já apupar, ou grandolar, é chato, abre telejornais, e desgasta. (E não, não me interessa que não fosse Assunção Cristas a presidir aos trabalhos, naquele momento.) Assim se trabalha na Casa da Democracia.

PS. É giro ver que a reacção dos polícias foi um momento de aplauso do populismo, porque o Orçamento de Estado para 2014 aumenta os cortes e nada muda no estatuto desta classe. Os próprios dirigentes sindicais esclareceram, no fim, que aquele aplauso havia sido uma espécie de equívoco… 

3 comentários em “Aplaudir é tranquilo”

  1. Dois pesos, duas medidas. Nada de novo, André, infelizmente. Curioso mesmo, para não chamar outra coisa, é os senhores polícias, agentes ou o que lhes queiram chamar, aplaudirem este governo, porque lhes dá uma benesse. Vendem-se por pouco.

    1. É pior que isso, Leonor. O Governo não lhes deu nada para além de uma declaração onde reconhece que têm de ter um estatuto diferente. Até os dirigentes sindicais ficaram embaraçados. Foi ridículo…

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