Há quem tenha nenhuma; eu tenho duas que também não o são.
No subúrbio lisboeta a última prateleira da estante que fica acima da cama contém livros de trabalho, algumas colectâneas de ficção, crónicas e poesia. Em termos historiográficos, o segundo volume da História da Vida Privada em Portugal, coordenado pelo Nuno G. Monteiro e dirigido por José Mattoso; é a época que mais desconheço, a Idade Moderna, aquela que mais subestimei durante e depois da licenciatura – agora, como dizem os primos brasileiros, vou correndo atrás do prejuízo. Um pouco mais abaixo está o volume do Luís Salgado de Matos sobre A Separação da Igreja e do Estado em Portugal, outro acerca da Questão Religiosa no Parlamento (1935-1974), da Paula Borges – República e Estado Novo, os tempos que mais me interessam.
Há depois uma rima de pequenos Essenciais da INCM mesmo abaixo daquela gambiarra ultrabarata e suficientemente eficaz do ikea, de Averróis a Adolfo Casais Monteiro; gosto muito da simplicidade nada desprendida da correcção científica que demonstram quase todos os opúsculos desta colecção. Constam ainda um Mazagran, de J. Rentes de Carvalho, e as Fábulas de Jean La Fontaine (uma das poucas obras que releio). Depois vêm os chamados novíssimos, Daniel Faria e Pedro Mexia: a Obra Completa de um, a Vida Oculta de outro.



Ana Cláudia nesta época em que já não existe vida privada e em que vejo que a estudas, não percas a História da Vida Privada – cinco volumes – dirigida por Philippe Aries e Georges Duby, editada entre nós pelo menos a que tenho – pela Afrontamento.
Li-a há alguns anos e repesquei-a agora para um trabalho que me encomendaram. Vale mesmo a pena!
Helena, A obra de Ariès e Duby (que só parcialmente li) tem ela própria um percurso curioso: começou como desafio de Michel Winock a Philippe Ariès, sobreviveu à morte deste durante o desenrolar do projecto e, trinta anos depois do seu início, continua a dar origem a iniciativas de espírito similar. As ideias contagiosas são coisa do melhor!
Não conhecia esse do Luiz Pacheco. Vou procurar quando por aí. E é bom ver a leitura de Manuel Antunes
Leituras a dobrar portanto, Cláudia. Privilégio teu. E nosso, enquanto leitores do que vais escrevendo (sempre pouco, para o meu gosto).