– Boa tarde, serviço de escutas da NSA, em que lhe posso ser útil?
– Estou sim, daqui fala a Angie, és tu Barack?
– Peço desculpa Sra. Merkel, mas temos aqui uma pequena confusão nas linhas. Eu vou passá-la para o telemóvel do senhor presidente.
– Mas eu liguei-lhe directamente para o telemóvel, queria perguntar se me têm o telemóvel sob escuta.
– Senhora Merkel, por favor, nunca faríamos isso. Ter acabado nos nossos serviços foi… hmmm…. um engano. Uma consequência do shutdown, nada mais… É isso… Vou passar a chamada.
– …
– Sim? Daqui fala Barack.
– Barack? Aqui é a Angie. Que coisa é esta? Afinal temos os dois os telemóveis sob escuta da NSA?
– Sim, nem queiras saber. Da última vez que quis encomendar uma pizza não me deixaram. Disseram-me que na pizzaria trabalha um tipo chamado Mohammed e que não podia encomendar ali.
– Mas isso não pode ser. Vou fazer queixa nas Nações unidas!
– Estás a gozar não? Se lhes ligas levas com uma musiquinha do Barry White e uma voz da NSA a dizer que a tua chamada está a ser autenticada e que quando puder te passam ao Ban.
– Há alguma forma de falarmos sem sermos ouvidos?
– Creio que há uma hipótese, mas não sei se temos um fio longo o suficiente…

Nos tempos que correm, só os nomes Hussein, Osama ou Obama, seriam critério típico de escuta… certamente mais do que Angela ou Merkel.
Teve piada os EUA remeterem a resposta para o presente e futuro, dando outro contexto ao passado, em particular, aos “barulhinhos” que Cavaco e Pinto Monteiro ouviam nos telelés.
De qualquer forma, a única novidade no assunto é ter aparecido nos jornais, obrigando a novo folclore. O projecto Echelon tem barbas de 1988 e já foi alvo de discussão na UE em 2000/01, sem que isso alterasse nada. Aliás, em 2001, com o 9/11, as coisas agravaram-se substancialmente, porque a informação off-the-record, poderia passar a on-the-record.