Eis aqueles que são, de momento, os meus livros de cabeceira. Nove. Nunca mais, raramente menos.
Alguns destes já os li. Dois exemplos: Amantes e Inimigos, de Rosa Montero, e Contos, de Machado de Assis (quase escondidos na imagem). Estão sobre a mesa porque ando com vontade de escrever sobre eles.
O Intruso, de Faulkner, aguarda recomeço na página 100 (não quero incluí-lo na série Livros que deixei a meio). Releio assiduamente contos avulsos de Hemingway. Camus, para mim outro autor de cabeceira, figura aqui já com vista ao centenário, a assinalar dentro de dias — tal como a excelente edição especial que a revista Le Point acaba de dedicar ao autor d’ O Homem Revoltado.
Bestiário, Crime e Castigo e Laranja Mecânica são as minhas próximas prioridades em matéria de ficção, longa ou curta. Ultrapassadas entretanto por um dos mais belos romances de todos os tempos: O Leopardo, de Lampedusa. Releio-o com muito proveito e assumido prazer.
Dos objectos habituais na minha mesa de cabeceira faltam apenas uma pequena garrafa de água e o caderno de apontamentos que trago sempre comigo. A nota de 50 rupias surge por acaso: tinha acabado de encontrá-la entre as páginas de um livro que me acompanhou há uns anos numa longa viagem pela Índia.
O jornal é um recuerdo da mais recente goleada do Sporting no campeonato. A substituir por outro, não tarda nada.


Pedro, é esta a nova série colectiva?
A minha mesa de cabeceira tbém não se pode queixar: o último do Vargas Llosa que nem cheguei a começar, pois entretanto iniciei o Castle Rock, da Alice Munro, que interrompi (mas quero acabar, juro!) para ler o Amada Vida que estou quase a acabar.
É que queria ler contos, mesmo contos, e o Castle Rock é mais uma viagem em busca dos antepassados.
Tenho ainda o “Here and Now”, cartas entre Coetzee e Auster; o “El Amor de Mi Vida” da Rosa Montero e os “Selected Poems of Emily Dickinson” para ir saboreando.
Da Granta 2 apenas li o Editorial e achei extraordinário o Carlos Vaz Marques não ter livros em casa quando era criança.
E agora é o director da Granta. Ainda o admiro mais por isso!
🙂 Antonieta
Sim, Antonieta. É a nova série colectiva do Delito. Também fala de livros, embora de outra forma.
Pedro,
nem a mesa de cabeceira seria uma boa mesa sem Camus.
Já agora, responda-me a uma dúvida: parece-me que vejo ali uma notita. Será que é um ritual de relaxamento ou funciona como um espanta-espíritos? 🙂
Nada de espanta-espíritos, Antonieta…
Como refiro no texto, tinha acabado de encontrar aquela nota num livro em que peguei ao fim de vários anos. Um livro que tinha levado na bagagem durante uma viagem à Índia. Daí aparecer-me aquela nota de 50 rupias.
Tenho este hábito. Vou guardando notas, cartões de restaurantes, recortes de jornal, bilhetes de cinema ou de avião ou de comboio nos livros que vou lendo. Por vezes, anos depois, faço estas “descobertas” engraçadas.
Pedro, este anónimo não sou eu.
Deve ser alguém que se esqueceu ou não quer assinar…
Antonieta
Ah, pois. Fica então o esclarecimento à consideração da(o) anónima(o) que se esqueceu de assinar.
Estranho tantos livros de cabeceira… por cá só o desassossego de Bernardo Soares tem direito a longa permanência, os outros são passageiros, embora a bíblia já tenha tido o mesmo privilégio.
Camus está na lista de espera para me voltar a reconciliar com escritores franceses, pois uma coisa é ser contra o preconceito, outra é vence-lo e desde que passei por Quebec City e Montreal não tem sido fácil…
Os livros estão divididos em três grupos: os que acabei de ler e sobre os quais quero escrever; os que leio ou releio; e os que lerei imediatamente a seguir.
Em média, três por grupo. Não mais. Claro que há sempre um que se destaca. É aquele que leio com mais interesse num determinado momento. Agora é ‘O Leopardo’, já quase no fim.