A Noruega difere muito de Portugal. Por ser monarquia. Por não ser membro da União Europeia (hipótese de adesão duas vezes rejeitada em referendo). Por ter moeda própria (a coroa norueguesa é uma das mais sólidas do mundo). Por ter pleno emprego (só 3% da população activa está desempregada). E sobretudo por ser o sétimo maior exportador de petróleo mundial (receitas que totalizam 1/4 do PIB do país, o segundo com maior rendimento ‘per capita’ da Europa). As coisas são o que são.
Claro que difere, mas é só para termos a noção que se governa bem sem descontentar. A monarquia não tem nada a ver para tal. A Finlândia é uma república está na UE e governa-se bem. Isto é uma questão de mentalidades de povos e políticos.
São casos diferentes. Convém não esquecer que entre 1993 e 1997 a Finlândia sofreu uma gravíssima crise, que levou o desemprego a disparar até aos 18%, à necessidade imperiosa de conter o défice e à suspensão de vários benefícios do “estado social”. Teve de reconverter a economia, alterando o modelo tradicional, e conseguiu novos índices de crescimento ao apostar forte na engenharia electrotécnica e nas tecnologias da informação: a recuperação deveu-se em grande parte ao sucesso da Nokia como marca de prestígio mundial.
“Teve de reconverter a economia, alterando o modelo tradicional, e conseguiu novos índices de crescimento ao apostar forte na engenharia electrotécnica e nas tecnologias da informação: a recuperação deveu-se em grande parte ao sucesso da Nokia como marca de prestígio mundial.” Por cá, o que é que se faz para levantar a nossa economia? Nada de nada, antes pelo contrário tira-se, corta-se e nada mais. Como pode alguém ficar contente com governantes destes? Sim, existe diferença: A corrupção se existe é mínima e os governantes governam em função do seu povo, aqui governam em função deles mesmos. Quando se visita estes países têm-se a noção que tudo é perfeito que tudo está no sítio e que não temem o amanhã………
Não lhe retiro razão, Ana Isabel. Mas temos sempre a tentação, sobretudo quando conhecemos um país só como visitantes esporádicos, de olhar para eles vendo o copo meio cheio — ao contrário do que sucede quando encaramos o nosso próprio país. Os países nórdicos têm também problemas. Alguns deles bem graves, alguns deles incomparáveis com os nossos. Para pior. Não tivemos por cá, felizmente, um morticínio comparável com o que sucedeu na Noruega, em 22 de Julho de 2011, quando 77 pessoas foram assassinadas por um indivíduo de extrema-direita: um sinal evidente de que a sociedade norueguesa está longe da perfeição que muitos lhe atribuem. Os partidos e movimentos xenófobos, extremistas, anti-imigrantes, ganham terreno um pouco por toda a Escandinávia, como uma espécie de panela de pressão que vai fervendo, e começam a ter considerável expressão eleitoral. É o caso do partido dos Verdadeiros Finlandeses, populista e nacionalista, que recolheu quase 20% dos votos, tornando-se o terceiro maior no parlamento de Helsínquia. Ou o partido de extrema-direita Democratas Suecos, que fez eleger 20 deputados nas últimas legislativas, obtendo 5,7% dos votos, com um discurso abertamente xenófobo. Ou o Partido do Povo dinamarquês, com características semelhantes: é já o terceiro maior no país, com 12,3% obtidos nas legislativas de 2011, tendo conseguido eleger 22 deputados. Por cá não há nada disto. Um facto a valorizar se quiseremos ver o copo meio cheio.
Não há por enquanto!… A Noruega não tem culpa de ter um cidadão louco que lhe dá para fazer uma matança, sem dó nem piedade. Não é só por visitar esses países que tenho essa sensação, mas por falar com eles e ver as diferenças abismais entre eles e nós. Na Noruega basta ver o palácio real, onde não há ostentação, antes pelo contrário é bastante modesto e isto nós não vemos.
É interessante ver como se toma as crises económicas como parte da governação. É verdade que uma má governação pode levar a uma crise – sobretudo por excesso de gastos – mas a economia não depende da política, que tem ouro âmbito de acção. Isto nos países que não são socialistas.
A economia não depende só da política mas depende também da política. E, muitas vezes, só precisa que a política não atrapalhe.
Pura verdade. Mas isso é coisa que quem está na oposição faz sempre por ignorar. Tanto agora como nos tempos de governos anteriores, a oposição entende invariavelmente que todas as reformas se têm de fazer por entendimento e consenso entre as partes interessadas.
E a verdade é que alguns dos políticos hoje em dia mais celebrados foram, no seu tempo, imensamente criticados. E desagradaram quando entenderam ser necessário em prol do bem-comum. Um Lincoln, por exemplo, acabou assassinado. Um Churchill ouviu críticas de todo o género vindas dos mais diversos sectores, a começar pelas fileiras do Partido Conservador, que liderou durante anos.
O que presumi deste aforismo, assim de rajada, é que estamos a ser bem governados já que o descontentamento é muito e não subjectivo. Será que presumi bem? Que se lixe, é apenas uma espécie de adágio e vale o que vale tal como as folhas excel limpinhas e as estatísticas compostinhas. Certo certinho e, certamente, muito mais certeiro, é que ninguém fica contente quando mal governado, muito menos ainda quando muito bem desgovernado. Este sim, no meu entender, seria o mote para um provérbio actual, sagaz e popular. Mas do que falamos é de aforismos, coisa fina.
em latim deve ficar insuperável.
tentei o googlum translatore, e deu isto…
NEMO bene regit SINE PATROCINIUM
não deve ser bem isto, mas o latim dá sempre aquela erudição qb
Em latim soa muito melhor.
não é isso eheeh. O que está escrito em latim é: ninguém reina bem sem protecção.
Assim uma D. Maria do Patrocínio.
Parece que será mais: nemo sine nolui regit
Soa ainda melhor.
Felix qui potuit rerum cognoscere causas
“Felix” fico eu com tanto latim.
Governa-se sem descontentar, isso pode ter a certeza, é só dar um salto até à Noruega, países circundantes e não só…….
A Noruega difere muito de Portugal. Por ser monarquia. Por não ser membro da União Europeia (hipótese de adesão duas vezes rejeitada em referendo). Por ter moeda própria (a coroa norueguesa é uma das mais sólidas do mundo). Por ter pleno emprego (só 3% da população activa está desempregada). E sobretudo por ser o sétimo maior exportador de petróleo mundial (receitas que totalizam 1/4 do PIB do país, o segundo com maior rendimento ‘per capita’ da Europa).
As coisas são o que são.
Claro que difere, mas é só para termos a noção que se governa bem sem descontentar. A monarquia não tem nada a ver para tal. A Finlândia é uma república está na UE e governa-se bem. Isto é uma questão de mentalidades de povos e políticos.
São casos diferentes. Convém não esquecer que entre 1993 e 1997 a Finlândia sofreu uma gravíssima crise, que levou o desemprego a disparar até aos 18%, à necessidade imperiosa de conter o défice e à suspensão de vários benefícios do “estado social”.
Teve de reconverter a economia, alterando o modelo tradicional, e conseguiu novos índices de crescimento ao apostar forte na engenharia electrotécnica e nas tecnologias da informação: a recuperação deveu-se em grande parte ao sucesso da Nokia como marca de prestígio mundial.
“Teve de reconverter a economia, alterando o modelo tradicional, e conseguiu novos índices de crescimento ao apostar forte na engenharia electrotécnica e nas tecnologias da informação: a recuperação deveu-se em grande parte ao sucesso da Nokia como marca de prestígio mundial.” Por cá, o que é que se faz para levantar a nossa economia? Nada de nada, antes pelo contrário tira-se, corta-se e nada mais. Como pode alguém ficar contente com governantes destes? Sim, existe diferença: A corrupção se existe é mínima e os governantes governam em função do seu povo, aqui governam em função deles mesmos. Quando se visita estes países têm-se a noção que tudo é perfeito que tudo está no sítio e que não temem o amanhã………
Não lhe retiro razão, Ana Isabel. Mas temos sempre a tentação, sobretudo quando conhecemos um país só como visitantes esporádicos, de olhar para eles vendo o copo meio cheio — ao contrário do que sucede quando encaramos o nosso próprio país.
Os países nórdicos têm também problemas. Alguns deles bem graves, alguns deles incomparáveis com os nossos. Para pior.
Não tivemos por cá, felizmente, um morticínio comparável com o que sucedeu na Noruega, em 22 de Julho de 2011, quando 77 pessoas foram assassinadas por um indivíduo de extrema-direita: um sinal evidente de que a sociedade norueguesa está longe da perfeição que muitos lhe atribuem.
Os partidos e movimentos xenófobos, extremistas, anti-imigrantes, ganham terreno um pouco por toda a Escandinávia, como uma espécie de panela de pressão que vai fervendo, e começam a ter considerável expressão eleitoral. É o caso do partido dos Verdadeiros Finlandeses, populista e nacionalista, que recolheu quase 20% dos votos, tornando-se o terceiro maior no parlamento de Helsínquia. Ou o partido de extrema-direita Democratas Suecos, que fez eleger 20 deputados nas últimas legislativas, obtendo 5,7% dos votos, com um discurso abertamente xenófobo. Ou o Partido do Povo dinamarquês, com características semelhantes: é já o terceiro maior no país, com 12,3% obtidos nas legislativas de 2011, tendo conseguido eleger 22 deputados.
Por cá não há nada disto. Um facto a valorizar se quiseremos ver o copo meio cheio.
Não há por enquanto!… A Noruega não tem culpa de ter um cidadão louco que lhe dá para fazer uma matança, sem dó nem piedade. Não é só por visitar esses países que tenho essa sensação, mas por falar com eles e ver as diferenças abismais entre eles e nós. Na Noruega basta ver o palácio real, onde não há ostentação, antes pelo contrário é bastante modesto e isto nós não vemos.
É interessante ver como se toma as crises económicas como parte da governação.
É verdade que uma má governação pode levar a uma crise – sobretudo por excesso de gastos – mas a economia não depende da política, que tem ouro âmbito de acção.
Isto nos países que não são socialistas.
A economia não depende só da política mas depende também da política. E, muitas vezes, só precisa que a política não atrapalhe.
Pura verdade. Mas isso é coisa que quem está na oposição faz sempre por ignorar. Tanto agora como nos tempos de governos anteriores, a oposição entende invariavelmente que todas as reformas se têm de fazer por entendimento e consenso entre as partes interessadas.
E a verdade é que alguns dos políticos hoje em dia mais celebrados foram, no seu tempo, imensamente criticados. E desagradaram quando entenderam ser necessário em prol do bem-comum. Um Lincoln, por exemplo, acabou assassinado. Um Churchill ouviu críticas de todo o género vindas dos mais diversos sectores, a começar pelas fileiras do Partido Conservador, que liderou durante anos.
Já está mais que na hora de alguém descontentar os contentes.
Interessante trocadilho.
Mas o facto de ter descontentado alguns ou mesmo todos não garante que se tenha governado bem!
De facto, isso não é garantia automática de governar bem. Cada caso é um caso.
O que presumi deste aforismo, assim de rajada, é que estamos a ser bem governados já que o descontentamento é muito e não subjectivo.
Será que presumi bem? Que se lixe, é apenas uma espécie de adágio e vale o que vale tal como as folhas excel limpinhas e as estatísticas compostinhas.
Certo certinho e, certamente, muito mais certeiro, é que ninguém fica contente quando mal governado, muito menos ainda quando muito bem desgovernado. Este sim, no meu entender, seria o mote para um provérbio actual, sagaz e popular. Mas do que falamos é de aforismos, coisa fina.
Estes aforismos visam situações gerais e abstractas. Como julgo que se percebe.