Houve um tempo em que se gozava muito com os turistas japoneses por dispararem com as suas Minoltas e Nikons sobre tudo o que mexia. Agora esse frenesim passou a ser global. Com os telemóveis fotografa-se tudo, até a roupa nas montras (fiquei a saber através de uma reportagem de rua que vi na televisão).
Este frenesim nipónico corrompe o que deveria ser sempre a nossa relação com a fotografia: uma selecção criteriosa das imagens ou momentos que queremos resgatar do fluxo temporal contínuo, desafiando as leis do espaço e do tempo.
A banalização da fotografia está a roubar a alma aos retratos.


Não vejo qual seja o problema de fotografar roupa nas montras. De vez em quando fotografo montras, como se pode constatar com este query: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/searc h?q=montra
Bom, não expliquei que nessa reportagem a pessoa em causa explicava que fotografava as montras para depois em casa verificar com que peças do seu guarda-roupa combinavam as roupas das fotos. Nada tem a ver com o propósito que o levou a fotografar aquele conjunto de montras no Cairo. A intenção faz a diferença.