O ataque do Porto ao Sporting


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Há dois meses, a propósito da novela Bruma, aqui ecoei as minhas suspeitas de que o jovem jogador iria para o Porto, o que mostraria o intento portista de praticar o clubecídio. Pois tão arruinado foi o Sporting pelas suas últimas direcções que recrutar-lhe agora, gratuitamente, os jovens jogadores só pode denotar uma vertigem assassina, a vontade de exterminar o clube enquanto grande instituição desportiva nacional. Como é sabido tal acabou por não acontecer, Bruma partiu para a Turquia e os interesses do Sporting, enquanto clube formador, foram defendidos.  Mas a trapalhada não tinha terminado. Nesse conflito o “inefável” apoderado de Bruma tinha também retirado dois outros jovens prometedores jogadores do clube, Cassamá e Sambú. Assinaram agora pelo F.C. Porto. O que mostra algum fundamento da minha suspeita: o andradismo manobrava na sombra, ambiciona o clubecídio, e nisso terá também namorado o outro membro do trio.

Mas mais do que o interesse por prometedores futebolistas o ocorrido, isto do Porto ir contratar dois miúdos de 15 e 16 anos em conflito com o seu clube formador (apesar de todos aqueles pactos inter-clubes, de que se lê nos jornais), não passa de uma demonstração de força, um marcar de terreno. E faz-me lembrar um velho episódio, tão parecido é ele.

Em princípios da década o charmosista Julio Iglesias atacou o mercado americano anglófono, desembarcando em força. O velho elefante ripostou. Poderoso ainda, e tanto que já sem precisar de encomendar aquelas antigas “propostas irrecusáveis”, mas já no ocaso (pois isso manda a lei da vida), Sinatra decidiu marcar o território, a demonstrar que a “voz”, o “charme”, o “Papa” era ainda ele, e aquele o seu reino. E fez a sua demonstração de força, chamou o grande treinador Quincy Jones, um “special one”, convocou as figuras menores do panteão, assim reduzido a sua corte de figurantes. E fez isto, o seu último trabalho a solo, que mais explícito não podia ser:

 

Frank Sinatra – LA Is My Lady

Depois continuou. Naquela obrigatória decadência da idade que só os admiradores (eu um deles) não queriam notar, preferindo olhar (ouvir) para trás. Pois a força, essa, enorme, vencedora, já tinha estado. 

 

Frank Sinatra – The Lady is a tramp

I’ve Got You Under My Skin – Frank Sinatra | Concert Collection

7 comentários em “O ataque do Porto ao Sporting”

  1. Está a dar-nos música? Ah, ainda os violinos no telhado…
    O Sinatra deu 15-0 ao Iglésias. O Sptng à beira do Porto já nem existe, ainda desde 1996 seguramente.
    É isso que quer concluir?

    1. Literalmente falando estou a partilhar música …
      Concordo, parcialmente, com o que diz sobre o Sinatra e o Iglesias. Eu diria até que o primeiro deu 150-0 ao segundo.
      O Sporting existe. Não me apouca em nada o sportinguismo dizer que existe no meio de uma enorme crise. [Há coisas que me são muito mais importantes. Mas esta também me é importante.] E, sim, em grande parte uma crise brotada desde meados de 1990s, como diz. Julgo que deixa implícita uma opinião, dada a data que avança, e se for o caso também concordo, devida a desvairadas direcções.
      Penso ser óbvio o que quero concluir. MAs talvez não o tenha conseguido, acontece.
      Cumprimentos, obrigado pelo comentário.

  2. Da vossa crise importa-me pouco, embora a perceba – é bastante a imagem do País e do desgoverno, penso ser consensual. Aliás, os vossos vizinhos são talvez quem mais se assemelha ao desgoverno, neste caso com a desfaçatez do PS que se sabe. O Sporting ainda tem noção do ridículo em que caiu, parece-me.

    A data de 1996 é a marcar quando, a todos os títulos, o Porto superou o Sporting: mais títulos, mais pontos no total dos campeonatos and so on.

    Isto dos miúdos não interessa a ninguém e só interessará se um dia vierem a ser alguém. Como não se vê muita gente da “Formação/Academias” singrar, por muito que por Alcochete encham o peito, estão a fazer tempestado num copo de água.

    Mas como os insultos do vosso Vale e Azevedo são pérolas, pois nada como acusar os outros de serem malcriados. Depois, como bons rufias, criam “ambiance” com um mês de antecedência.

    Também vão aprender, como os vossos vizinhos, que não há imitações de Pinto da Costa. E se copiam o choradinho do Rui Prantos sobre os “métodos” de há 20 ou 30 anos, já sabem que o anacronismo só tem lugar nos museus. Hoje vamos no 3.0 and counting.

  3. (antes de ter entrado o comentário anterior, se chegar a ser publicado) 🙂
    Já agora, para não se fazer de virgem ofendida…

    Sabe de onde chegou o William Carvalho? E o seu irmão João?

    Não sabe porque não quer ou é mesmo ignorante?

    Soube de o FC Porto se queixar e os blogs portistas se incomodarem com o assunto?

    Mais valia ficar calado. Mas a tentação é irresistível, né?

    Papagaios e calimeros são assim. Tristes.

    1. Lamento a demora da entrada do se anterior comentário. Como compreenderá isto deve-se ao hábito de que no DO cada um edita os comentários aos seus postais, e não passei aqui anteriormente. Desejo-lhe um bom fim-de-semana, esperando, é claro, a derrota do seu clube. Coisa que, sabemos bem, não é muito comum. Mas nunca desesperando ….
      Quanto ao resto que avança está bem, a cada um a sua causa transcendente.

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