No Forte Apache, Alexandre Poço agradece a Vítor Gaspar ter cortado 13 mil milhões de euros da “despesa pública”. A minha posição em relação a este governo penso que será perfeitamente conhecida, pelo que não preciso de a explicar. Ainda assim, tentando colocar-me do lado de quem entenda que o estado precisa de emagrecer brutalmente, não consigo ver como se pode dizer que Gaspar cortou 13 mil milhões à despesa pública. Gaspar cortou benefícios sociais que eram fundamentais para uma vida condigna (leia-se, para além da simples subsistência) de milhões de portugueses. Aumentou impostos de forma inadjectivável. Despediu (ou fez despedir) uma enormidade de pessoas que eram úteis e produtivas (aqueles que são “indespedíveis” é que costumam ser não produtivos). Fez tudo quanto pôde para expulsar jovens. Vendeu os anéis do estado ao preço da uva mijona e com jeitinho aos amigos enquanto que manteve todos os poços sem fundo (como certos bancos cujo nome por pudor não refiro). Tudo isto sem sequer fazer uma reforma estrutural de jeito que se visse e sem realmente tocar nas PPPs.
Agradecer a Gaspar? Os países do norte da Europa podem agradecer o jeitinho (mais tarde falo disto). Já qualquer português que não seja uma caixa de ressonância deste governo só pode queixar-se dele. Se quer agradecer, agradeça aos portugueses que empobreceram brutalmente para “poupar” os tais 13 mil milhões. A Gaspar, Alexandre Poço poderá provavelmente agradecer outras coisas. O percurso já foi mais que certificado por Sócrates e Passos Coelho. Talvez por ele chegue um dia a PM.

Felizmente vamos sentir uma enorme diferença (para melhor, claro) quando o Tozé chegar a PM.
Não não vamos, mas que relevância tem isso para o que escrevi?
Em completa empatia; muito obrigado pelas suas palavras; conhecemos o mesmo Portugal, o Real.
Fique bem.
David
Nem mais. Esses 13 milhões só doeram a alguns, é por isso que esse senhor agradece. Nada lhes dói enquanto forem os outros a pagar.
Bem, por acaso anda por aí pela internet o meu irmão mais novo, a quem o Gaspar foi ao (parco) bolso forte e feio, a agradecer apesar das dores.
Não, não vão por aí que não vão a lado nenhum.
Agradeceria se o sacrifício dos portugueses, a miséria para que foram atirados e as restrições que estão a passar surtissem algum efeito e contribuíssem para um Portugal mais sólido, honesto e justo. Prescindiria de parte do meu salário se essa parte ajudasse quem precisa e contribuísse para minorar o sofrimento alheio e para a melhoria deste país. Não é o caso. Não agradeço.
Nem eu lhe sugeri que agradecesse. Digo simplesmente que presumir que quem agradece o faz porque nada lhe dói, em vez de ser porque é um idiota, por exemplo, é.. digamos… poucochinho.
Aí está a diferença: posso achar que quem reage de x maneira é porque a ‘crise’ lhe passou ao lado mas não adjectivo dessa forma quem pensa de forma diferente de mim.
Muito sinceramente sei que há muita gente que agradeceu o esforço a Vítor Gaspar. Não são idiotas nem capachos, são pessoas que sofrem e acreditam que esse sofrimento irá melhorar o país e que acreditam na seriedade e competência de Gaspar. É muitas vezes uma questão de Fé, mas compreendo-os.
Já Alexandre Poço parece-me outra louça. Dá-me mais a sensação de ser simplesmente caixa de ressonância à espera de uma posiçãozinha de assessor.