
Não sinto qualquer pena pela saída de Vítor Gaspar. A meu ver, já vai tarde. Esta carta de demissão é, no entanto, a demonstração cabal do absoluto défice de coordenação política do Governo. Passos Coelho sustentou até ao limite do sustentável um Ministro das Finanças que não acertava uma, para vê-lo fugir precisamente na altura em que a troika vai começar mais uma avaliação. E não arranja mais ninguém para o substituir do que a Secretária de Estado que tem estado debaixo de fogo por causa dos swaps. Pareceria uma brincadeira de mau gosto se o assunto não fosse sério de mais. Vítor Gaspar era o verdadeiro Primeiro-Ministro deste Governo. Agora que se foi embora, é mais que altura de Passos Coelho o seguir. Porque já toda a gente percebeu que com estes protagonistas não vamos a lado nenhum.

Olha, um post de Mário Soares aqui no DdO.
Há um pormenor nessa carta de Vítor Gaspar que merece ser reproduzido:
“A ausência de um mandato para concluir atempadamente o sétimo exame regular não me permite agora continuar a liderar a equipa que conduz as negociações com o objectivo de melhor proteger os interesses de Portugal”.
Penso também que Portugal mais uma vez na sua história conseguiu concentrar nas instituições representativas deste povo, onde se inclui a Presidência da República, elementos que possuem, de todo, um total desfasamento intelectual sobre a realidade que se vive interna e externamente.
A atitude deste governo (incluindo inicialmente a coligação), patrocinada por um PR que deveria estar a contar histórias de sua juventude aos netos, foi em larga medida um dos maiores ultrajes que sofremos em nossa vida.
Não foi suficiente o mau exemplo de Sócrates, para eles era necessário demonstrar que pior ainda eram capaz de fazer.