Mandaram o tipo à África do Sul, é jornalista. À porta do hospital onde Mandela agoniza diz o tal jornalista português que se coloca a possibilidade de se terminar o apoio artificial, tecnológico, à vida do velho líder. Mas tomar essa decisão enfrenta um problema, diz-nos, com ar semi-pesaroso semi-analítico. E explicita o tal problema, como se pedindo a nossa compreensão para aquele peculiar contexto cultural, quiçá muito africano: é que na “tribo” de Mandela só se pode fazer isso, cessar o apoio artificial à sobrevivência, a pedido do próprio. Ora como Mandela está (já) impedido de o fazer só resta uma solução. Que a família tome essa decisão.
Ocorre-me que na minha “tribo” também é assim.
Não sei quais serão as regras, morais e legais, para estes casos lá na “tribo” do energúmeno jornalista. Nem os da “tribo” (selvagem, canibal, ágrafa decerto) dos seus espectadores, consumidores dos seus anunciantes.
Que “tribo” de gente.


Ahahah … primeiro ouviu a palavra “tribo”, depois deve-lhe ter dado o sol na moleirinha 🙂
Se o José Pimentel Teixeira vai por esse caminho, nunca mais pára. Pelo caminho de encontrar disparates nas falas dos “jornalistas de facto”!
Mas não digo isto “para o desanimar”, porque não se propõe ser exaustivo nesta denúncia – seria irrealista.
É no que dá o jornalismo a prazo.
Acredito que sim, mas vejo pouca tv portuguesa e esta apanhou-me já destreinado. Salvaguardando o difícil trabalho dos jornalistas, não só porque ou falam a quente ou escrevem a correr, mas também porque são, por definição, generalistas, incorrendo sempre, para quem esteja mais próximo do assunto ou contexto abordado, em generalizações ou simplismos.
Neste caso, e agradecendo todos os restantes comentários, nem me vou por aqui a falar dos pressupostos que “tribo” carrega (não estou numa de politicamente correcto, apenas é um conceito tão batido que surpreende que ainda seja assim usado, uma “africanice” pois ninguém fala em tribo galesa ou basca, já agora). Mas transcrevo um comentário deixado no FB à ligação para este postal: “Faz-me lembrar os miúdos que cá, em Portugal, em 1973, me perguntavam se eu tinha que passar pelo meio dos leões para ir para a escola!” – acho que esta minha amiga disse tudo sobre isto.
Tirando um ou outro indivíduo, os disparates nas Tevês são permanentes, contínuos e em catadupa sequencial uns atrás dos outros Rodrigo devolvo para ti obrigado Clara. No outro dia era “cativar o interesse”.
Adoro o seu mau-humor.
A minha “tribo” envergonha-me demasiadas vezes. Acabaram com os correspondentes locais e os “enviados especiais”, esses seres iluminados, com honrosas excepções, não fazem a menor ideia daquilo que estão a falar. O compromisso com a credibilidade e o rigor parece ser uma relíquia nos tempos que correm.
Eheheh, a tribo da indigência intelectual…