Enxovalhos


fiodeprumo,

“A austeridade destrói o País. ‘Troika’ fora de Portugal.” Foi com estas palavras inscritas em pequenos cartazes que o Presidente da República foi recebido esta manhã no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde está de visita, numa iniciativa organizada pelo Bloco de Esquerda e PCP, juntamente com os partidos do grupo da Esquerda Unitária (Syriza, Die Linke, Izquierda Unida, Front de Gauche).

                               (in Diário de Notícias)


Percebo, mas confesso humildemente que tenho mixed feelings relativamente a este  tipo de manifestações. Com efeito, quando sai para o estrangeiro, quer queiramos quer não, quer gostemos quer não, o Presidente da República personifica o país. Assim sendo, desagrada-me vê-lo ser recebido de forma hostil, porque, no fundo, sinto que é Portugal que está a ser maltratado. E quando são portugueses em funções oficiais no estrangeiro a faze-lo, ainda me causa mais incómodo. Percebo a “razão”, mas aceito com dificuldade o “modo” de actuação, sobretudo, na presença de estrangeiros

Quando as coisas se passam internamente o enxovalho é mais pessoal do que institucional. Posso ter dúvidas sobre o processo, posso mesmo entender que preferia que assim não fosse, mas não questiono, nem censuro quem se manifesta, desde que o faça ordeiramente e sem violência. Porque a paciência tem limites e estes, entre nós, há muito que foram ultrapassados. 

4 comentários em “Enxovalhos”

  1. Entendo inadmissível que DEPUTADOS usem esse tipo de protesto. Confundem manifs com actividade parlamentar. E não releva para o caso se gostamos ou não do inquilino do Palácio de Belém.

  2. Hmmmm… não sei qual é a multa que os eurodeputados vão receber!

    Saiu ordem para disparar, e agora quem disser, seja o que for, arrisca multa. Diz-se que também pode ser ordem de prisão…

    Quais são os países onde se proíbe e prende pessoas que manifestem o seu desagrado?
    – São noutro sítio, não é?
    – Têm aqueles regimes estranhos, com nomes feios, não é?
    – Então, estamos longe… não se passa nada!

    Quanto ao cidadão de Elvas, que se saiba o NIB dele, e talvez tivesse um totoloto de justiça popular…

  3. Acha Helena?

    Eu, por acaso, apesar de apenas ter visto um resumo, acho que aquele protesto não foi contra ele mas, sim, contra a receita de austeridade da troika. Ou seja, acho que até foi benéfico. E, para além do mais, surpreendentemente, o protesto até esteve em sintonia com o discurso de Cavaco Silva que, vá lá, até falou bem.

    Sou sempre muito crítica em relação à actuação dele mas, por uma vez, acho que esteve bastante bem.

    Apenas fico com os ditos mixed feelings em relação à saída do FMI da troika. Aliás acabei, até, de escrever sobre isso lá no meu canto. É que se a Europa não fosse uma amálgama sem cabeça, talvez fizesse todo o sentido não ter o FMI. O pior é que a Europa anda numa permanente deriva, a reboque da Alemanha. Por isso, em relação a isso, fico dividida. Mas, de resto, acho que Cavaco Silva esteve bem e aqueles cartazes até pareciam uma claque, a apoiarem o que ele dizia.

    Um abraço, Helena!

  4. Foi o que pensei logo,o post do “jeito manso” resume-o.
    A ideia de falar agora do FMI parece-me a despropósito,foi a burocracia europeia que o chamou para a assessorar nos resgates.O FMI só vai onde é chamado e não esqueçamos que o nosso país já o tinha chamado duas vezes sob a governação socialista que fez o que lhe mandaram e até teceu loas(como consta nos jornais da época)!No resto esteve bem o catedrático de boliqueime(o professor Alfredo de Sousa faz falta).
    Dizem que o actual “venerando”fala mal e a desoras?A alternativa era um tonitruante e fraco vate ou um talassa com obediência em qualquer loja(e sabe-se lá que mais).Venha o diabo e escolha.

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