A Comissão Barroso esteve muito bem representada


Rui Rocha,

Sóbrio e estruturado o discurso de Cavaco Silva nas comemorações do 10 de Junho. Só ainda não percebi se o fez na qualidade de Comissário para as Pescas e Assuntos Marítimos ou de Comissário da Agricultura e do Desenvolvimento Rural.

12 comentários em “A Comissão Barroso esteve muito bem representada”

  1. 10 de Junho de 2013:

    Tem muito a ver com este texto que transcrevo com a devida vénia”

    “Filhos do 25 de Abril
    26/04/2013 | 00:02 | Dinheiro Vivo

    A geração que fez o 25 de Abril era filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e permanente austeridade e da 4.ª classe antiga.
    Tinha crescido na contenção, na disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e Matemática.
    A minha geração era adolescente no 25 de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração.
    Enquanto os mais velhos conheceram dois mundos – os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução – nós nascemos logo num mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas.
    A grande descoberta da minha geração foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar. A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas.
    Eu acho que minha geração é a geração do “eu acho”. É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer – que não do fazer.
    É uma geração que apenas teve sonhos de desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço parte desta geração.
    Uma geração feita para as artes, para a escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa.
    Eu não confio na minha geração nem para se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está.”
    Pedro Bidarra
    Publicitário, psicossociólogo e autor
    Escreve à sexta-feira
    Escreve de acordo com a antiga ortografia

    1. Há aqui evidente contradição. Onde é que Portugal teve grandes empresários, como regra? E os exemplos paternos que refere andaram na escola do antigamente.
      Depois há-de explicar como é possível ser bom desportista, bom bailarino, actor ou um bom cantor e músico, sem disciplina, trabalho, cultura e honestidade?
      Um dos nossos grandes políticos, D. Diniz, era poeta. Churchill, um dos grandes políticos do século XX, era pintor e escritor (nobel de literatura), D. Luíz foi músico e D. Carlos, pintor. E ao que se diz, Luís XIV, grande político francês, era exímio bailarino.

    2. Pois , eu devo ser jovem como o autor do texto mas não me revejo nele (texto) !
      Concordo que o hedonismo domina muitos quadrantes da nossa actual geração mas ainda deve haver uns poucos (bastantes até que não estão contaminados) o problema é que foram forçados a sair de Portugal e os poucos que cá ficaram são esmagados pelo sistema descrito (e bem) acima.

      Aconteceu comigo uma vez ter-me “virado” a um superior para deixar o serviço (eram só + 15 min ) (num part-time) bem feito para o turno que iniciava daí a 8 horas e no dia seguinte recebi um amável telefonema do director da área a informar-me que prescindiam dos meus serviços.

      Ainda não mudei essa minha forma de estar pois gosto de dormir bem comigo mesmo e como ainda não passo fome , vou continuar assim pelo menos até ver.

      Quanto ao PR , só sente necessidade de justificar-se quem pelo menos reconhece no seu intimo os erros que fez e se o arrependimento mata-se já não tínhamos PR .

      1. William Wallace, para dizer o que querias, não se escreve mata-se, mas matasse.
        Todavia, fica a saber, que o que querias dizer é um disparate.

  2. Há bocado o PR disse –a propósito das Forças Armadas– que as instituições devem ser respeitadas na sua integridade original e não descaracterizadas. Pena que não pense o mesmo da Língua, que é uma instituição superior.

  3. Sendo também da geração do Sr. Anónimo, era já adulta quando Cavaco Silva foi 1.º Ministro. Felizmente ainda não tenho problemas de memória e por isso recordo com tristeza o que aconteceu nestes dois sectores da nossa actividade e reajo com indignação às palavras deste Presidente que foi 1.º Ministro e esteve no inicio do fim das mesmas, destas e outras! É verdade que outros lhe seguiram o trilho, mas mais verdade é que nunca outro teve as oportunidades e os meios de fazer pelo País o que ele não soube nem quis fazer. O politico que mais anos esteve no topo do poder, se não é “palhaço”, faz de nós palhaços!

    1. Sofia, estás desmiolada, o que acontece a muito boa gente, que só se lembra das coisas antigas, por vezes muito fantasiadas, e se esquece do que aconteceu mais recentemente.
      Mas também há que proceda assim por outros interesses…

  4. Meu povo e mermão, hoje venho aqui bastante humeldezinho dizer-vos que Cavaco Silva é um homem das arábias – ainda que eu prefira os arábicas, e se lhe adicionarmos um pouco de grãos de robusta, qb, também se arranja um bom café -. Nunca vi nenhum PR que tanta necessidade tivesse de se defender políticamente, ele que até nem gosta de se meter em politiquices.
    E mais não digo.

  5. A Constituição Portuguesa não ajuda o exercício do cargo de Presidente, nem o de Primeiro Ministro.

    Um tem, teoricamente, representatividade pelo facto de ser eleito directamente por TODO o universo eleitoral. Mas tem apenas o poder de fazer … o que quizer. Demitir o PM porque lhe apetece (ie. Sampaio), ou manter o PM porque lhe apetece (ie. o presente titular).
    As explicações, quando as há, só demonstram o absurdo vácuo do texto Constitucional.
    Restam, claro, “fezadas” pessoais.

    O outro, o PM, eleito por uma escassa minoria de devoradores de lentilhas, é que tem Poder: ie. assinar os Cheques da República, mesmo que carecas, e/ou para serem redimidos pelos filhos, netos e bisnetos (dos outros?).
    O resultado está à vista.
    Ps.- A Supra-Constituição, a Europeia, em vigor, (ie. colonização germânica) ajuda, prejudica ou serve de desculpa…?.

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