O bicho do jornalismo instala-se e não desaparece. Às vezes adormece. Outras parece, morto. De repente, regressa. Anabela Mota Ribeiro é jornalista há mais de 15 anos, menos de 20, escreve ela. Na semana passada decidiu fazer um blog: http://anabelamotaribeiro.blogs.sapo.pt/
Escolhi-o para blog da semana por ter sorrido com a capacidade de reinvenção que a Anabela tem: uma jornalista free-lancer não tem uma vida fácil. Uma jornalista que nunca esteve ligada às redes sociais aparece com uma visão que é, ao mesmo tempo, um repositório de memórias, para dizer que o jornalismo não é efémero. E, por isso, aqui podemos encontrar entrevistas com anos e anos, boas conversas, com as mais variadas pessoas. O blog divide-se em itens e podemos seleccionar o que nos apetece na hora em que ali chegamos: cultura, duetos, lifestyle, negócios, política, sociedade, post-its, arquivo e um perfil da autora. Escreve:
“Há anos (são mais de 15 e menos de 20) que escrevo para jornais e revistas. Mais do que tudo, fiz entrevistas. Faço perguntas porque quero saber as respostas. Também porque é mais fácil a um jornalista freelance exercitar esse músculo. Mas pode ser que isto seja apenas uma parte, e não a mais significativa, da verdade. Talvez faça sobretudo entrevistas porque gosto de conhecer as pessoas num cenário de um para um, concentrar-me nelas, em quem são, ouvir a narrativa que fazem de si próprias”.
“Frequentemente perguntam-me qual foi a pessoa que mais gostei de entrevistar. Se foi um privilégio entrevistar o Plácido Domingo, por exemplo. Gostaria de citar o cirurgião plástico Ivo Pitanguy para responder a essa questão. “Algumas me decepcionaram, outras me enriqueceram, tudo isso faz parte da vida. Umas foram pacientes, outras foram amigas, outras foram circunstanciais… Mas estou sempre preparado para encontrar outra pessoa.” Pitanguy, como é sabido, operou “todo o mundo”. Mas disse-me que num momento de vulnerabilidade, não importa que a Clarice seja a Clarice Lispector. “Essas pessoas que você diz que poderiam ser importantes, quando estão dependendo, elas são tão dependentes quanto qualquer outra.” Todo mundo é, por instantes, um menino perdido numa noite escura. O importante é manter essa disponibilidade para o encontro. Com curiosidade. Sem preconceitos, sem juízos. Todos temos zonas de sombra e de glória. E estima e admiração não são sinónimos”.
Reconhecendo que o trabalho que fez, ao longo dos anos, tem irregularidades, Anabela Mota Ribeiro devolve-nos um olhar de época e um estilo de conversa: “Gosto de pensar que há uma identidade profissional que foi sendo construída, errando e acertando, à vista de todos, e que conto com a benevolência dos leitores para eventuais imprecisões e desnivelamentos.”
Todos os dias, existem novidades neste blog e, já que se atira às redes sociais, Anabela Mota Ribeiro já tem up-dates no twitter, para quem estiver interessado. Para quem gosta de jornalismo, aqui encontramos boas entrevistas, reportagens de viagem, crónicas e outras coisas. Para ir espreitando, portanto.
