Contra os prognósticos das associações “pró-vida”, a legislação que permitiu às mulheres fazer a interrupção voluntária da gravidez no SNS não contribuiu para o aumento exponencial de casos. De acordo com as estatísticas aqui divulgadas também não é por motivos fúteis que as mulheres desistem de ter um bebé.
Agora que o novo Papa veio dar gás aos movimentos católicos que não se conformam com a despenalização do aborto, é bom lembrar que para prevenir este desfecho, melhor que pregar o evangelho ou lançar uma nova polémica será usar a sua influência na sociedade ajudando a criar condições às futuras mães para conciliar trabalho/ família e conseguir o seu sustento.


Teresa,
já que fala de influências, permita deixar aqui um estudo realizado até 2010. A redução de abortos em 2012 tem várias explicações: aumento da emigração, redução das condições de vida (quanto mais pobres menos abortos existem etc.)…
Espero que dê uma vista de olhos sobre os números onde se verificou o aumento de abortos, em particular por parte de classes mais instruídas.
É necessário dizer basta ao aborto caprichoso e irresponsável, mas também é necessário apoiar e informar. A informação e responsabilização social ajudará a minimizar o problema. Foi isso que fez Francisco, o papa. Ser contra o aborto não é ser insensível a questões que conduzem a este flagelo. Recomendo que leia o discurso do papa sobre a política e a atitude dirigida aos pobres (os pobres de hoje têm um rosto diferente do que nos era habitual).
http://www.federacao-vida.com.pt/estudos/F PV%20AB%202010.pdf
Caro anónimo, agradeço a informação que me enviou. Não consegui abrir o pdf por embirração espero que momentânea do meu PC, mas respondo-lhe já, arriscando algumas interpretações que espero não lhe acertem ao lado.
Ao referir esta notícia sabia ao que me arriscava, ou seja, sabia que inevitavelmente alguém me responderia com dados estatísticos de sinal contrário.
Também no artigo que citei se adianta que existe uma percentagem de mulheres que reincidem frequentemente nas IVG. Como não podia deixar de ser, é uma percentagem baixa, porque recorrer à IVG como método contraceptivo é de uma tal violência que só se pode explicar por falta de discernimento e/ou informação. Porque aborto “por capricho” não existe. Ninguém se submete por capricho à violência física (já nem falo da psicológica, que se presta mais a polémicas).
Quanto à relação que o “seu” estudo estabelece entre número de abortos e nível de rendimentos, contradizendo a notícia que divulguei, gostaria de responder melhor depois de o ler. É que há pobres e pobres. Ricos e ricos. Há “ricos” que só o são por comparação com os imensamente pobres. Esses, gente de classe média, procuram não ter filhos acima das suas possibilidades, porque os filhos são caros e o Estado só apoia quem vive na miséria.
Vejo que arriscou mesmo, Teresa. Convém abrir o relatório.
Verifico que a Teresa consegue ser mais cândida em suas interpretações que os crentes e, apesar de ser crente, não gosto muito de me colar a algum tipo desses outros. Mas olhe que há aborto caprichoso, e também nas classes ditas ricas. Quanto aos pobres, essa outra miséria, gostaria que a Teresa um dia observasse bem os pobres na América Latina, África, Ásia, e alguns países europeus (exceptuandop-se alguns exemplos: na Roménia, na época de Ceausescu, os abortos eram por encomenda. Como método contraceptivo. Mas a história não fica só por este país) etc…
Escreve em seu comentário sobre a classe média; a quem se refere, a pais ou filhos solteiros da classe média?
Ainda quanto à questão do aborto caprichoso, pretendi somente separá-lo do aborto desesperado. É esta situação que merece ser alvo de profilaxia social, por ser uma atitude desesperada. Mas não separemos a questão do aborto dos aspectos substantivos. Despenalizar o aborto, em certas circunstâncias, é uma coisa, vulgarizá-lo como direito é outra.
Não me comovem os pobres que se multiplicam como coelhos, pelo contrário, afligem-me. Regra geral é por ignorância que não fazem planeamento familiar e as condições em que criam os filhos são degradantes.
Não sei o que para si é um aborto caprichoso. Eu reitero o que disse. Serão residuais os casos em que tal qualificativo se possa aplicar numa decisão que envolve sofrimento físico, psicológico e riscos para a saúde. Como disse num outro comentário, não é exactamente o mesmo que ir ao ginásio.
Quando falei da classe média referia os casais férteis que evitam os filhos por falta de recursos económicos.
Finalmente não queria deixar de referir um outro ponto: se afirma que “despenalizar o aborto em certas circunstâncias é uma coisa, vulgarizá-lo como direito é outra”, então estamos de acordo no essencial.
Se no essencial estamos de acordo, afinal o que nos divide? Procurar justificar o injustificável com apelos à dor? Afinal essa dor é evitável, porque o aborto não é uma inevitabilidade. Não me venha dizer que no caso português o problema reside na dificuldade de acesso à informação e/ou ao planeamento familiar como refere.
Evitar filhos por dificuldade em criá-los é uma coisa, abortar para não ter que os criar é outra.
Evitar filhos por dificuldade em criá-los é uma coisa, abortar para não ter que os criar é outra – concordo mais uma vez.
O problema quando se discute este assunto é que tendemos a extrapolar as afirmações das pessoas com quem debatemos. Não me excluo desse risco, evidentemente. (já consegui abrir o relatório. Não me levou a reconsiderar nada que lhe tenha dito antes)
Bem, concluo então que o seu post, na parte em que faz suas dissertações, possui matéria inconsequente.
O que justificou o meu post foi sobretudo a campanha que o Papa quer lançar agora pela “protecção jurídica do embrião”, algo que cheira de longe a manobra para torpedear as leis que despenalizam a IVG.
Respeito as posições da Igreja, mas não tolero estas persistentes tentativas de as impor à sociedade civil.
A igreja é parte da sociedade. A Teresa vê a Igreja como algo destituído de razão, palavra e intervenção nesta polis. Creio que a Teresa está a dizer que essa sociedade civil é dona da casa. Mas engana-se, deve haver protecção jurídica para o embrião, para evitar que aquilo que se deve defender como despenalização em circunstâncias muito próprias se transforme numa prática em que se colocam vidas no corredor da morte.
Por outro lado, não se esqueça que da Igreja, enquanto detentora dos Sacramentos, também vem o perdão, mas não se confunda o perdão com adesão.
Por último, aquilo que temos não é uma despenalização da IVG como refere, surge antes como um incentivo à desresponsabilização sobre a vida a que outros têm direito. Por isto mesmo estamos perante duas realidades que devem ser defendidas: o direito à vida e o direito a viver.
Pois, é aqui que os nossos caminhos se separam. Reconheço o direito da Igreja à intervenção, mas usando a sua expressão, a sociedade civil é que é a dona da casa, sim. Caso contrário viveríamos numa teocracia. Deus nos livre!
Considero a nossa lei sobre despenalização da IVG justa e equilibrada. Defende qb os direitos dos seres humanos em gestação e das grávidas. Nesta matéria é impossível atingir o pleno, logo resta-nos o bom senso, ou seja, o equilíbrio entre o direito à vida e o direito a viver.
Reclamar a protecção jurídica do embrião é, obviamente, uma forma de voltar a por tudo em causa. Por que não então respeitar o consenso alcançado e actuar por outras vias, através da evangelização, do apoio à maternidade, um caminho que de resto a Igreja tem prosseguido com imenso mérito, mas também pressionando os governos a facilitar a conciliação trabalho/família através de medidas consequentes?
A sociedade civil é o conjunto de pessoas e instituições que, em diálogo, apresentam suas propostas e visões. O quadro que lhe revelei no link leva-nos a debater outras questões, por exemplo: sobre a formação, informação e responsabilização. O modelo da IVG que hoje está em vigor determina arbitrariamente o direito à mulher sobre a decisão de vida e de morte, nem o homem é consultado nessa decisão jurídicamente vertida. Estamos perante uma discriminação grosseira.
O que diz na última parte de seu comentário é o que já vem sendo feito. Não se esqueça que a Igreja são pedras vivas, e não são os sacerdotes (bispos, papas e religiosos) que determinam a sua existência. Somos todos nós. Por outro lado, a questão da evangelização que coloca situa-se a um outro nível. Evangelizar é anúnciar a Boa Nova (que significa evangelho) é levar esta novidade, que se chama Jesus (a Sua proposta), ao coração e mente de todas as pessoas. Mas parece-me que a Teresa retira essa capacidade à Igreja, porque a considera fora da sociedade civil.
Obviamente que a igreja faz parte da sociedade civil, mas representa apenas uma parte, não o seu conjunto. Foi isso que quis dizer.
Sobre a discriminação grosseira: É a mulher que engravida e não é justo tratar o seu corpo e espírito como se de um recipiente se tratasse. É a natureza que faz esta “discriminação”, anónimo. E o que a lei permite não é o direito arbitrário da mulher sobre a vida e a morte, pelo contrário, estabelece limites. Quanto a mim, sensatos.
Teresa, tirando os casos de violação, a mulher engravida também porque quer. E parece-me que agora quer ser detentora de algo que a ela não lhe pertence, ou seja, assumir-se como geradora em exclusivo da vida. O parceiro transforma-se num mero instrumento que se limita a depositar no “recipiente” aquilo que a Teresa pretende dizer pertencer à mulher em exclusivo, a vida. Há arbitrariedade, sim.
A lei, perante a morte, não estabelece limites. Permita que lhe faça a seguinte pergunta: Um dia a menos ou a mais, ou até uma semana a menos ou a mais para a IVG determina o quê? Abortar com um dia ou uma semana a mais de gestação intrauterina, determinado pela lei será, que transforma o interior numa atitude correcta e menos dolorosa até para o feto? A lei é um absurdo e feita com pouca ou nenhuma cabeça.
Usaram a palavra despenalização para endrominar muita gente. Despenalizar o aborto em certas circunstâncias é uma coisa, legalizar a morte é outra.
Por favor, onde se lê “que transforma o interior…” leia-se que transforma o Anterior.
Bem dito.
Sou claramente a favor da despenalização, o que não quer dizer que seja a favor do aborto a não ser em situações especiais, caso a caso. E acredito que só campanhas de informação constantes, insistentes e bem feitas levarão a melhores resultados (e não viciados). As razões do não aumento da prática são inúmeras, Teresa. Por exemplo, num país como o nosso, o estigma – que ainda existe, é inegável – continua a ser um argumento forte para não se fazerem abortos às claras, de forma legal. E os outros não entram para as estatísticas.
Quanto ao papa e à igreja católica, é óbvio e compreensível que tenham uma posição inflexível neste assunto, que é o da preservação da vida. Não podem defender outra coisa. Espero mudanças importantes, mas não neste capítulo. Mas acho que não é justo dizer que a igreja católica nada faz pelas suas convicções ou que “não ajuda a criar condições às futuras mães para conciliar trabalho/família e conseguir o seu sustento”. Há muitos movimentos e associações de voluntários ligados à igreja que fazem isso mesmo, com bastante mérito e resultados práticos. Por mim, gostava era que fossem menos doutrinários e mais capazes de entender os problemas reais das mulheres que “escolhem” o aborto como solução. Nem tudo é inconsciência, irresponsabilidade ou egoísmo. Há condições de vida e desesperos que não passam pela cabeça da maioria dessas pregadoras da virtude, cujas vidas estão geralmente muito longe desses limites. Mas enfim, cada um faz o que pode e aquilo em que acredita. Nada fazer é bem pior.
Absolutamente de acordo, Ana. O resumo que deixas sobre este tema, tão complexo, é de um equilíbrio notável.
Obrigada, Fernando. Tento ser justa, só isso.
“Por mim, gostava era que fossem menos doutrinários e mais capazes de entender os problemas reais das mulheres que “escolhem” o aborto como solução. Nem tudo é inconsciência, irresponsabilidade ou egoísmo. Há condições de vida e desesperos que não passam pela cabeça da maioria dessas pregadoras da virtude, cujas vidas estão geralmente muito longe desses limites” – quanto ao que dizes nestas linhas, estamos de acordo.
E também estou longe de substimar o papel social da igreja. Mas não é a inventar bloqueios jurídicos como o que o Papa vem agora propor que se resolve a questão do aborto.
É contra estes métodos de luta que me insurjo. A Igreja não tem o direito de impor à sociedade civil as suas normas.
E já agora, ´não é só a igreja católica que tem o exclusivo das posições anti IVG. Obviamente que seria uma flagrante contradição doutrinária a Igreja cristã, em todas as suas denominações, mostrar-se tolerante face ao aborto.
E claro, Ana, que também sou a favor da despenalização em certos casos, não do aborto.
Teresa, a igreja não “impõe” as suas normas à sociedade civil, não estamos no Irão. Assume e propõe a defesa – jurídica também, porque não? – do mais fraco, como lhe compete, partindo do princípio (que nem sequer põe em dúvida) de que uma vida começa no momento da concepção. Não vejo nenhum problema ou causa de polémica nessa atitude, francamente.
E claro que o problema do aborto não se resolve com bloqueios jurídicos, tal como não se resolve com a despenalização ou com a penalização. Seriam precisos muitos recursos, vontade política para investir em campanhas de informação e, sobretudo, muita clareza de espírito para resistir aos fundamentalismos que há dos dois lados da barricada. Mesmo assim, tudo isso levaria muito tempo até haver resultados visíveis. E só para melhorar a situação, nem sequer para resolvê-la de vez.
Só agora vi este teu comentário, Ana. Há umas horas respondi a uma outra pessoa que entrou aqui na caixa o que penso acerca da campanha papal para a protecção jurídica do embrião e que é o seguinte: parece-me óbvio que se trata de uma iniciativa destinada – não só mas também – a pôr em causa as leis de despenalização do aborto, votadas e aprovadas democraticamente. E isso, por mais que perceba as motivações católicas, não posso aceitar.
Desculpa a insistência, Teresa, mas também repito o que já disse: a igreja deixa bem clara uma vez mais a sua posição sobre o assunto, e está no seu pleno direito de fazê-lo. O que entendo que não pudesses aceitar seria a cedência da sociedade civil a essa posição, depois de ter aprovado democraticamente a despenalização. Mas isso não aconteceu nem me parece que venha a acontecer. Foi debaixo dessas mesmas pressões que a lei foi aprovada, afinal.
Só que eu entendo esta proposta relativamente à protecção jurídica do embrião como uma manobra evidente para voltar a pôr em causa o equilíbrio estabelecido através de leis que considero justas. E isso é continuar a guerrilha, procurando impor a todos o que apenas aos católicos diz respeito. Como se estas leis obrigassem as católicas a abortar.
E se pusermos o problema ao contrário (a vida infelizmente tem-nos dado algumas lições. Convinha que aprendessemos). Descriminalizado o aborto, não é possível que este possa tornar-se compulsório, em certos casos? Há países que o praticam, já.
Podemos ter compreensão para as condições que levam ao aborto, mas este pode ser um caminho facilmente trilhado pelos teólogos dos números, que nos governam a todos. Julgo que o Papa está a pensar muito mais nestes casos que ferem também a liberdade da mulher.
Bem visto !
O aborto é assunto muito delicado pois envolve duas pessoas e infelizmente surge associado por vezes a radicalismos sejam eles contra ou a favor.
Hoje em dia nas ditas sociedades modernas e progressistas que vivem para o hoje e nunca para o amanhã os valores da ética e da vida são cada vez mais postos em causa minando lentamente as bases dessa sociedade em todos os aspectos e se hoje se começa assim como se acabará amanhã.
Penso que a anterior lei era correcta e equilibrada e o que devia ter sido feito era continuar a massificar o planeamento familiar , campanhas de formação junto dos jovens e optar por uma solução pela positiva dos casos detectados ou seja garantir que as Mães em risco de abortar por dificuldades socioeconómicas recebiam o apoio para o não fazer.
Aborto compulsório? Como se fosse uma espécie de desporto? Fazer uma IVG não é o mesmo que ir ao spa.
Foi a Teresa quem falou em desporto e não faço ideia se é o mesmo que ir ao SPA (para quem faz 7 abortos porque a pílula engorda, deve ser), mas na China ele é, na prática, compulsório. E quando uma mulher aborta porque a sua carreira não permite que engravide, é compulsório.
Julgo que compulsório não significa que a mulher o faça de livre vontade, mas obrigada (e estava a pensar no Estado e nas empresas), pelo que a comparação com o desporto e o SPA, que é da sua responsabilidade, parece-me perfeitamente descabida.
Tem razão, Xico. Li “compulsório”, mas respondi-lhe como se tivesse escrito “compulsivo”. São duas situações distintas, que suscitam comentários muito diferentes.
Falando então em aborto compulsório: na China, como se sabe, estão com sérios problemas demográficos, por causa da lei do filho único, estabelecida nos anos 70. Não só aceleraram o envelhecimento da população, como criaram um forte desequilíbrio entre a população dos dois sexos.
Penso que o mau resultado deste género de manipulações tem feito a sua pedagogia, desencorajando as políticas oficiais que vão nesse sentido. A China ainda não revogou essa lei, mas foi criando com o tempo uma série de excepções para compensar os danos e aliviar a pressão social.
Considero, Xico que o problema da conciliação trabalho/família, que de resto referi no post, deve combater-se através de reformas que dêem às mulheres melhores condições para acumular os dois papéis e não criminalizando o aborto em qualquer circunstância.
Também sou contra a criminalização. O que escrevi foi como reflexão, e julgo que a preocupação do Papa vai nesse sentido, aberta a caixa de Pandora, como justificar medidas abusivas por parte dos governos e empresas. Já perdemos há muito a inocência para saber o que pode vir por aí e de boas intenções está o Inferno cheio.
Não sou a favor da criminalização. E também gostava de ver reformas. Mas não acredito na bondade dos poderes do mundo actual. Há coisas que não nos atrevíamos a pensar quanto mais verbalizar, e no entanto, já há filósofos que falam e escrevem que matar crianças pode ser legítimo, por exemplo. Em certas culturas isso não é mal visto como nas nossas sociedades. Por isso se não conseguirmos traçar fronteiras, jamais saberemos onde parar. Essa a minha preocupação.
Talvez desse resultado usar a sua influência junto da Troika…
Não acredito na força da lei, para mim quanto menos leis melhor. Mas sou contra as atitudes. Acredito no livre arbítrio e na culpa. O aborto é apenas a maneira de alguém não assumir as consequências dos seus actos. Se deve ir para a cadeia, não me interessa. É apenas alguém que que não consegue assumir as consequências dos seus actos. E sei perfeitamente que há mais homens nessa situação. São todos pessoas em quem eu não confiava, porque quando alguém não se assume perante um filho, cumprirá perante quem?
E essas considerações também se aplicam, segundo o seu ponto de vista a mulheres que foram violadas, ou que correm risco de vida se não interromperem a gravidez?
Gostei do post, Teresa.
Proibir é muito fácil.
E fácil, facílimo, é ser (ou melhor, dizer ser) pró-vida.
Obrigada, Cristina.
18408 mortos em 2012 a maioria assassínios sem penalização alguma – uma vez que boa parte não teve justificação.
Justificação aceitável são risco para a mãe e violação.
Pior pagamos todos o assassínio uma vez que pagamos impostos que a maior minoria definiu.
Objecção de Consciência é impossível quando é contra a Esquerda.
Onde é que diz que não contribuiu exponencialmente?
Onde é que diz que não é por motivos fúteis?
Aliás escolher o Publico – ou outro jornal português que se recusam noticiar o caso Gosnell com excepção do Expresso e na página opinião, mas se fossem 3 ou 4 bébés mortos a tiro já seriam primeira página- é sintomático.
Por que motivo quem argumenta contra a lei que despenaliza o aborto em certos casos mistura tudo? Embriões, com fetos e fetos com bebés, IVG feitas de acordo com a lei e abortos clandestinos realizados nas mais chocantes condições? Não conseguem defender os seus pontos de vista de outra forma? Assim parece.
Talvez conseguíssemos defender os nossos pontos de vista de outra forma, quando a Teresa conseguir explicar, no que ao direito à vida diz respeito, o que diferencia um embrião de um feto, um feto de um bebé, um bebé de uma criança, uma criança de um adulto, um adulto de um velho, um velho de um moribundo. E enquanto tentar fazer isso, misture as suas convicções com questões de impostos, estado social, crise, etc. com um estado que precisa de controlar a sua despesa. É que se não conseguir fazer isso, como é que vai exigir ao Estado o direito a não perder o emprego para engravidar, e o direito a tratamentos inúteis para um moribundo.
A classificação dos estádios de desenvolvimento de um ser humano em gestação foi alheia às discussões sobre a despenalização da IVG. Há critérios estritamente científicos que determinam fronteiras específicas entre esses estádios. Assim, um embrião não é igual a um feto e muito menos a um bebé. Da mesma forma que um ovo não é uma galinha, nem um pinhão é um pinheiro.
Impedir a reprodução de um conjunto de células no início de uma gravidez não é o mesmo que “assassinar um bebé”. Afirmar o contrário não me parece intelectualmente honesto.
“na época de Ceausescu, os abortos eram por encomenda. Como método contraceptivo” escreveu um ignorante anónimo.
Pois na época de Ceausescu o aborto era estritamente proibido. Era um crime grave, assim como o uso de contracepção. Estritamente proibidos em nome das políticas natalistas. De resto todas as ditaduras t~em como ponto de honra políticas natalistas. Mas Ceausescu levou isso ao extremo. Brigadas de médicos visitavam regularmente fábricas e escolas para fazer exames ginecológicos ás mulheres para rastrear as gravidezes. Motivo? Impedir abortos clandestinos. os contraceptivos eram ilegais. O país de Ceausescu seria um verdadeiro paraíso para o cãndido anónimo e o seu séquito de pasmados leitores de relatórios imaginários.