As abelhas e Assunção Cristas


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Através de ligações colocadas no facebook chego a esta página do Bloco de Esquerda. Como sempre duvido deste locutores, populistas demagogos, procuro confirmar o conteúdo da notícia. Faço-o na SIC. Nas páginas em português não há muito mais informação substantiva actual. Mas fica o fundamental: as causas para a surpreendente e avassaladora hecatombe das abelhas europeias estão encontradas, um trio de pesticidas (Imidacloprid, Clothianidin e Tiametoxam).  Os indícios científicos são relativamente explícitos, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (que julgo ser um organismo consultivo das instituições europeias) também o considera.

Houve agora uma votação no seio da Comissão Europeia intentando banir estes pesticidas, protegendo a população das abelhas. Mas neste processo não só se introduziram “nuances” (daquelas que minoram os efeitos positivos almejados – no caso julgo que, pelo menos, restringindo a proibição a culturas directamente procuradas por abelhas), como sete países se recusaram a votar favoravelmente, impedindo uma maioria qualificada na votação que permitiria uma rápida, abrangente e eficaz política de protecção.

Portugal, que neste assunto se representa pela ministra Assunção Cristas, numa questão desta gravidade ecológica decidiu … abster-se. Em defesa das indústrias produtoras (Bayer, Syngenta), pedindo (tal e qual num blockbuster americano) “mais estudos”, o velho argumento dilatório. Mais não percebo, pois a imprensa apenas reproduz um qualquer despacho noticioso – e não há um jornalismo “europólogo” em Portugal. Por exemplo, qual a razão efectiva de se constituirem “blocos” de países numa votação destas? Um voto atlântico (abstenção  junto à Grã-Bretanha) contra um voto continental (a Alemanha, casa da Bayer já agora, votou favoravelmente o banimento dos químicos em causa)?  

É sabido que nestas coisas há sempre uns tontos idólatras do mercado livre contra as restrições do demo estatal, que vociferam contra as protecções ecológicas. Virão resmungar contra o catastrofismo, virão com o sarcasmo eunuco apoucando as “abelhas”. A questão é simples, são precisos mais estudos? Façam-se. Primeiro trancam-se os pesticidas, depois estuda-se. Se se infirmar a causalidade volta-se a utilizar. Perde-se dinheiro? Paciência. E é também sabido que nestas coisas de cutucar os grandes interesses industriais a pressão sobre os governos e governantes é enorme.


Sem rodeios, numa questão desta importância e com este conteúdo a atitude do governo português é vergonhosa. Inadmissível. É de exigir um volte-face, e um imediato empenho no combate a esta “guerra química”. E que caia a ministra Cristas, aqui face de uma política tacanha e selvagem. Não há “política real” que justifique tamanha mediocridade, tamanha inconsciência.

E para que não se diga que quero a cabeça (metaforicamente, por enquanto) de Cristas por  “indignismo” oposicionista, recordo que há dois anos bloguei apelando ao voto no seu partido, que há pouco tempo aqui no DO apelei a que Portas fosse içado a PM. E que há um mês calei, meio por fastio meio por patriotismo, a minha irritação aquando da visita de Cristas a Maputo. Uma viagem risível, que “correu mal” (na suave linguagem diplomática), uma pura pantomina. Mais uma do pacote da indigência política, pois nisto da incompetência para as relações externas e da falta de sentido de estado, a gente está mais do que habituado a encontrá-las nos políticos içados ao poder. Cristas foi, aqui, mais um exemplo dos passeios tontos.

Mas agora, com esta asquerosa abstenção, ultrapassou os limites da mediocridade. Que vá já a ex-ministra. E com o ónus da indecência. A colher o desprezo dos compatriotas. Das várias “cores”. (E com menos um voto, com toda a certeza. O meu.)

11 comentários em “As abelhas e Assunção Cristas”

  1. As abelhas são tão pequeninas… Ninguém lhes liga. Mais abelha, menos abelha… Ainda por cima, são perigosas, podem picar. Quem quer saber das abelhas?

    E assim vai este mundo…

    1. Revela alguma falta de informacao. Mas as abelhas sao responsaveis pela polonizacao de muitas plantas. Sem abelhas nao ter8ia muitas das coisas de que hoje em dia disfruta na vida.
      As abelhas produzem cera e mel…
      Aconselhava-a a informar-se pois pequenina parece-me a sra e quem liga a coisas pequenas?

  2. Nota de rodapé:
    Os produtos fitofarmacêuticos servem para mais do que matar abelhas e dar lucros à Bayer e Syngenta…
    Imagine-se que, apesar de se ter esquecido de o mencionar, são ferramentas de produção… De comida…
    A simples eliminação de um fitofármaco pode destruir completamente uma determinada cultura, se não houver alternativas eficazes a um preço comportável…
    É normal que se tenha esquecido, a Europa no geral e Portugal em particular têm o hábito de se esquecer deste pormenor quando tomam este tipo de decisões, deixando os seus produtores sem acesso à produção de determinadas culturas e/ou, numa séria desvantagem competitiva com os seus concorrentes…
    Mas isso, claro, não interessa nada, muito menos num país como Portugal… Os alemães que se preocupem, de qualquer forma, vão ser eles a pagar…

    1. Se está preocupado com a produçao de alimentos (legitimamente) preocupe-se com o desaparecimento das abelhas, responsáveis pela polinizaçao da maioria das culturas. Nao se preocupe que existem muitas alternativas a estes pesticidas. Já alternativas às abelhas é que nao.

      Peço desculpa pela ausência do til, ausente do teclado que estou a usar.

      1. Este sistema de comentário do Sapo é um bocado irritante. O meu anterior (desabrido) comentário é dedicado a João P. Pereira e não ao comentário que se lhe segue

  3. Boa notícia, recebi ontem por mail, em português do Brasil:

    Cara comunidade da Avaaz,

    Conseguimos! A Europa acabou de votar uma proibição aos pesticidas de abelhas! Grandes empresas como a Bayer lutaram com toda força contra a proposta, mas o poder popular, a ciência e a boa governança foi mais forte!! Vanessa Amaral-Rogers, da organização especializada em conservação, Buglife, disse:

    “Foi um voto apertado, mas graças à enorme mobilização dos membros da Avaaz, criadores de abelhas e outros grupos, nós vencemos! Não tenho dúvidas sobre o quanto as enchentes de telefonemas e emails enviados aos ministérios, as ações presenciais em Londres (Reino Unido), Bruxelas (Bélgica) e em Colônia (Alemanha), e a gigante petição com 2.6 milhões de assinaturas foram responsáveis por esse resultado. Obrigado Avaaz e a todos que trabalharam tão arduamente para salvar as abelhas!”
    (…)
    Forte defensor das abelhas, Paul de Zylva, chefe da Unidade de Polinização e Pesticida da organização Amigos da Terra, disse:

    “Obrigado aos milhões de membros da Avaaz que se mobilizaram online e nas ruas. Sem dúvida, a enorme petição e as campanhas criativas da Avaaz ajudaram a pressionar pela proibição dos pesticidas, complementando o nosso trabalho e o de outras ONGs.”

    Chegou a hora de festejar a conquista desse espaço para uma das criaturas mais importantes e preciosas de nosso planeta. Entretanto, a proibição da UE durará apenas dois anos até ser revisada. (…).”

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