Leio a última crónica do Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios, onde escreve: “O país não reforma bem sem a esquerda e a direita sentadas ao centro. E nem Passos nem Seguro estão a mover um grama da montanha que ergueram entre si”. E lembro-me do que o primeiro ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, que lidera uma coligação de seis partidos, da direita à esquerda, disse há dias sobre a governabilidade do seu executivo, em entrevista ao Expresso: “Não temos nenhum compromisso ideológico e o único elo que nos une é o pragmatismo e o sentido de responsabilidade. Todos sabemos que temos de fazer compromissos, por isso definimos os objectivos, discutimos as medidas concretas para os atingir e comprometemo-nos com elas. Não há outra solução”.
Depois medito no que diria Mr de La Palisse sobre este assunto. Certamente qualquer coisa como “Portugal não é a Finlândia porque a Finlândia não é Portugal”.
(na foto, Passos com Katainen, durante a recente visita a Portugal)


Excelente post.
Note-se ainda que a Finlândia é um país com menor população do que Portugal mas que mesmo assim sustenta seis partidos no governo (fora os da oposição). Portugal nem na Assembleia da República tem tal número de partidos. O que mostra bem a pobreza da paisagem partidária portuguesa.
O que faz falta em Portugal é, precisamente, uma cultura de pragmatismo.
Citando um célebre par de gémeos e grandes investigadores, eu diria mesmo mais: a Finlândia não é Portugal, porque Portugal não é a Finlândia!
O mister La Palise deve dizer mais do que isso, talvez qualquer coisa assim: porque são finlandeses e não tugas .
Escolha é ideologia.
Governar é discriminar.
Pragamatismo é conversa fiada para todos ao molho.
Ou na Finlandia pensam todos o mesmo ou na Finlandia o Estado é pequeno que as suas escolhas não afectam a vida de muitos.
Grande dedo na ferida, Teresa.
(Mas parece que estamos todos sob uma epidural…)