Vampiros


imagenscomhistoria,

Este post da Ana Gomes é de leitura obrigatória. Essencial para perceber a utilidade e as funções de alguns conselheiros de imprensa que, como borboletas saltitantes, alternam  entre a profissão de jornalistas e de bufos, na volatilidade dos minutos. Também já fui alvo da cobardia de alguns  bufos e sei o que isso custa.

Mas a leitura do post também ajuda a perceber a minha posição face ao caso Lopes da Mota. 

32 comentários em “Vampiros”

  1. Nesta matéria temos opiniões diferentes, Carlos. Defendo que Lopes da Mota, em nome da ética republicana, devia auto-suspender-se da presidência do Eurojust enquanto decorresse o inquérito, mantendo naturalmente as funções enquanto procurador. É precisamente o mesmo princípio que me leva a defender, desde o Verão passado, a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado.

    1. Temos opiniões diferentes e não vejo mal nenhum nisso, Pedro, porque a pluralidade do Delito é que o torna diferente dos outros.
      Quanto à ética reoublicana, Pedro, é que não pude deixar de esboçar um sorriso. Que ética republicana existe em Portugal, meu caro? Que político ou magistrado a pode invocar? Muito poucos, infelizmente
      Admito que Lopes da Mota se deva demitir-se se, em consciência, pensa que é culpado. Caso contrário, não vejo razão para tal. Ainda não sei em que circunstâncias é que invocou o nome de Sócrates e o Sol merece-me a credibilidade de outros jornais. Lamento, como jornalista, ter de dizê-lo, mas aprendi ao longo dos anos como se “fabricam” notícias nas redacções à volta de uma chávena de café, quando estão em causa determinados interesses.
      Tornei-me mais céptico do que S. Tomé. Nada como ter sido alvo-vítima desses joguinhos de jornalistas que se tornaram lacaios dos partidos, para deixar de acreditar na nobreza da nossa profissão. Porque, ao contrário do que aprendi, muitos jornalistas , hoje em dia, já não procuram a verdade. Procuram o poder a qualquer preço.
      Bem, é melhor ficar por aqui…

      1. De facto, Carlos, ainda bem que há opiniões diferentes e aqui sabemos conviver com elas, o que não tem acontecido noutros lados (vai por aí uma autêntica guerra civil em certos blogues…)
        Quanto a ética republicana, eu não digo que ela exista. Pelo contrário, lamento que não exista – e daí criticar a permanência de DL no Conselho de Estado, sem com isso beliscar a presunção de inocência de que goza. Já António Vitorino, pelo contrário, deu um bom (e raro) exemplo de ética republicana ao demitir-se de ministro, no governo Guterres, quando o nome dele surgiu associado a irregularidades que mais tarde não se provaram. Até por isso ele tem hoje uma autoridade reforçada para escrever o que escreveu sobre Lopes da Mota.

        1. A guerra Jugular/Cinco Dias até seria de ir às lágrimas de riso, não se desse o caso de ser tão ridícula, mas enfim, eles lá sabem…
          Concordo com o que dizes em relaçãoa António Vitorino. Quando soube da notícia estava no aeroporto de Ezeiza e comentei para uma amiga: fizeram um grande favor ao Vitorino. deram-lhe pretexto para ela mandar às malvas o governo que só lhe está adar prejuízo.
          Que fique bem claro, Pedro: não estou a defender Lopes da Mota. Defendo apenas o princípio da presunção de inocência pelas razões que já te expliquei num comentário a outro post Que não posso aplicar a DL, por uma razão simples. Seja ou não inocente, mentiu à comissão de inquérito da AR – o que é grave- e, só por isso, defendo que se devia ter demitido.

      2. Desculpem interromper e já interrompendo:
        “porque a pluralidade do Delito é que o torna diferente dos outros”. E não só. E não só. O DO é plural sim, mas, sobretudo, é feito por gente. E não por criaturas etéreas que só lêem coisas que mais ninguém lê, só vêem e ouvem coisas que mais ninguém vê ou ouve, que só falam de assuntos que não lembram a mais ninguém, que sempre souberam de forma inequívoca desde pequeninos o seu perfeito lugar no mundo e nunca tiveram dúvidas dos passos a dar. Criaturas etéreas que tomam seriedade por sisudez permanente. Criaturas etéreas que em cada frase, ponto ou reticência, não se cansam de proclamar como habitam ininterruptamente o sublime! Como se isso fosse possível. E como se não soubessemos todos que todos somos portadores de uma deliciosa humanidade, imperfeita, que nos torna aprendizes constantes. No delito eu aprendo, porque me apetece ler, mesmo que, nem sempre me identifique com o que é escrito.

        :))

          1. 🙂

            [E está lá uma jarra com flores muito bonitas, tudo pintado pela Sibylle Szaggars (esposa …. do que já foi lindérrimo Robert Redford), com uma flor para si]

          2. Mas é um sorriso lindooooooooooooo franco, satisfeito, genuíno , sei lá… rsrsr

            É que às vezes fica-se sem palavras, ó ó, se fica!

            :)))

          3. (Vejo-me obrigado a partilhar o presente, sem sequer saber qual é a florzinha que sobra só para mim.)

            Agradeço desvanecido, Maria do Sol.

          4. Ohh Está a perder qualidades. Ou a ganhar. [Em boa verdade ser completamente previsível…] Esmerei-me eu com a explicação da esposa e niente!

            :))

  2. Concordo com o Pedro, Carlos. Mas não sei se lhe chamaria “ética republicana” ou “ética”, simplesmente. É uma questão de carácter, de honra e de brio pessoal, em qualquer regime e em qualquer circunstância: afastar-se voluntariamente, para não prejudicar a instituição de que se faz parte, e depois voltar em glória quando for provada a sua inocência, se for caso disso. O problema é que já não há muito quem tenha estas atitudes. Dias Loureiro é um triste exemplo da falta de carácter que vai por aí.

    Quanto aos jornalistas, quero acreditar que não são todos como dizes. Sei que conheces melhor esse ambiente por dentro do que eu, mas recuso acreditar numa generalidade tão categórica.

    1. Se leres bem o que escrevi, Ana, verás que não generalizo. Conheço, felizmente, muitos jornalistas honestos ( a esmagadora maioria) , mas também conheço alguns casos de gente que se serve do jornalismo e está a mais na profissão. Eu sei que bufos e oportunistas há em todas as profissões, mas custa-me vê-los no jornalismo.
      Quanto à “ética” é um conceito que caiu em desuso. Seja republicana ou “tout court”. Ha cerca de dois anos publiquei um trabalho sobre a evolução do conceito de étiac e cheguei a conclusões muito tristes. O próximo post que vou escrever tem a ver com esse assunto, espero o teu comentário.

      1. Tens razão, não generalizas. Devo ter-me deixado influenciar por outro comentário, noutro post, em que te mostras desencantado com aquilo em que se tornou a tua profissão. E admito que tenhas razões para esse desencanto, afinal essa falta de ética nota-se em todas as profissões hoje em dia.

        É um tema eterno, que merece bem um (ou muitos) post. Fico à espera do teu próximo, que comentarei com muito gosto. As opiniões divergentes, aqui no Delito, não dão direito a guerras nem a facadas nas costas… ainda bem!

        1. Por nos respeitarmos mutuamente e aceitarmos as opiniões divergentes é que este blog vale a pena, Ana.
          Sim, é verdade que estou desencantado com o jornalismo, embora continue a pensar que os jornalistas são os menos culpados pelo (mau)jornalismo que hoje em dia se faz em Portugal.

      2. A Ana tem razão, Carlos. Não é preciso o Pedro lembrar a “ética republicana”: a ética devia chegar por si só. Vou aguardar com interesse o teu ‘post’ sobre isso.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *