Sem medo nem vergonha


Teresa Ribeiro,

Ouvi ontem no programa da SIC Notícias “Negócios da Semana” o empresário têxtil Luís Guimarães dizer que a carta aberta que escreveu a este governo jamais escreveria ao anterior por receio de represálias. O comentário, vindo de uma pessoa que se queixa do actual executivo, era suficientemente insuspeito, por isso deixou-me a pensar. Medo? Lembrei-me então de vários casos que ocorreram no tempo de Sócrates. O do professor da Dren Fernando Charrua, que levou a uma condenação do Estado, o do blogger António Balbino Caldeira, o afastamento de Mário Crespo do JN, da Manuela Moura Guedes da TVI, do José Manuel Fernandes do Público. Penso que nunca um governo moveu tantos processos contra jornalistas como o de Sócrates. Medo? O Luís Guimarães não aprofundou. Pena. Gostaria de saber pormenores, porque ter medo de falar é muito grave.

Por coincidência, na manhã seguinte o homem aparece. E nem sequer está nevoeiro. Alcandorado à posição de senador – não é o que todos eles passam a ser quando se tornam comentadores? – vai falar ao povo da tribuna da RTP, a televisão do Estado. Feito Gungunhana, diz aqui em baixo o Rui? Se a sua presença na pantalha aproveita ao governo é porque se revela um tudo nada aviltante para a maioria dos portugueses. Ele, como não é ingénuo, sabe-o e ainda assim quer falar, sem vergonha e presumo que sem medos. Isso, devo dizer, é exactamente o que mais me revolta o estômago.

19 comentários em “Sem medo nem vergonha”

  1. Um dia destes… a coisa vai dar para o torto! Esta gente vive e não quer deixar viver. Esta gente julga-se intocável, poderosa na sua teia de interesses corporativos em que todos se protegem uns aos outros. E porque façam o que fizerem, nunca são julgados. Porque a justiça do voto, de 4 em 4 anos, nunca fará justiça enquanto por uma vez, pela primeira vez um destes senhores não for chamado a prestar contas pelos danos causados ao país, a Portugal e aos Portugueses, que têm suportado estoicamente os desmandos da gentalha. É tempo de um grupo de Homens Bons, Honestos, Competentes, Patriotas, acima de Partidos e de Clientelas Partidárias e Económicas se erguer e conduzir o País. Só assim voltará a haver confiança, só assim voltará a haver futuro. Porque senão, um dia destes…o Povo vai sair à rua, não para se manifestar para para exigir que contas sejam prestadas. Portugal precisa de um governo apartidário, que não governe de acordo com os interesses próprios e em função dos calendários eleitorais. Chega! Basta! Queremos o nosso país! Queremos construir um país diferente! Queremos um Portugal de Portugueses e para os Portugueses!

  2. RTP-Refúgio de Trampa Putrefacta.
    Seja que for o autor desta golfada imunda aqui leva.
    Eu não quero acreditar. A RTP, a nossa RTP que sustentamos vai servir-nos um embalsamado ainda salpicado de fresco com o nosso sangue? Que nojo!
    Perante uma cag@da destas toda e qualquer revolta violenta é legítima. Ponham-se a pau senhores que se julgam intocáveis. Quando menos esperarem vão levar porrada de criar bicho. Sadam foi enforcado por bem menos.
    A petição só assina quem quer e o programa do dito vê quem quiser, mas eu é que não tenho que pagar.

  3. Relvas é maçon. Sócrates, se não é ele mesmo, é genro de um.
    O país é tratado como uma quinta privada que serve para a maçonaria presentear os seus.

  4. Será que toda a m**** que acontece neste malfadado país é culpa do governo? Não será uma forma de alijar culpas e crimes alheios?

    Penso eu de que…!!!!

  5. Estou ansioso por ouvir José Sócrates na RTP.
    Estou ansioso por ver o entrevistador que lhe calha. Estou ansioso por saber o que tem a alegar em sua defesa.
    Até agora, tem sido acusado ( e condenado) na praça pública, mas nunca nos tribunais (nem sequer foi alguma vez constituído arguído).
    Será interessante ouvi-lo como cidadão comum acusado.
    Estranho a Petição Pública que pede para o silenciar. Afinal queremos ou não queremos transparência?…

      1. Essa das 27 perguntas que ficaram por fazer, é cómica e ridícula.
        Ao fim de 4 anos de investigação, os senhores magistrados não tiveram tempo de convocar José Sócrates para responderem às 27 ou às 100 perguntas que quisessemfazer?
        Se não queriam vê-lo na frente, porque não o interrogaram por escrito?
        Recusou-se José Sócrates a comparecer ou a responder por escrito?
        Que eu saiba nunca os srs magistrados tentaram sequer.
        Como investigadores, sabiam de antemão as respostas.
        Como não conseguiram acusá-lo, deixaram no ar suspeições.
        Na minha opinião, deram uma de incompetência e mau profissionalismo.

        1. Bem me parecia que a sua ânsia de transparência não passava por querer saber a verdade sobre um caso de retalho à medida de uma Zona de Protecção Especial para lá poder ser construído o que foi.

          1. Não conheço a situação, por isso é-me difícil comentá-la. Lembro-me de que foi aflorada no programa a que assisti e se aquilo que foi dito corresponde à verdade não me choca. Parece que é uma ponta de um pavilhão que invade a zona limítrofe de uma área protegida, não é?

          2. Julgo que este comentário é-me dirigido.
            Na verdade, gostava de saber a verdade sobre um caso de retalho à medida de uma Zona de Protecção Especial para lá poder ser construído o que foi.
            Mas não tenho meios nem competência para analisar o caso.
            Julgo que pertence à Justiça e aos Ministérios da Tutela, esclarecerem a situação.
            Espanta-me que, ao fim de tantos anos de ver diariamente José Sócrates acusado e condenado na Comunicação Social, com desvelo especial pelo Correio da Manhã e pela TVI, ainda não o tenham levado a Tribunal. Nem mesmo depois de Paula Teixeira da Cruz estar no Ministério da Justiça.
            Ela que tanto escreveu e acusou José Sócrates, enquanto comentadora dos josnais e nas TV’s.

  6. A ver se entendo, se as pessoas tinham assim tanto medo, sinceramente não parecia, nem parece, quando se fala no nome Sócrates todos se erguem, e não me parece que por medo, medo sinceramente tem-se e sente-se agora, a todos os niveis, medo da justiça, da saúde e mesmo a nivel das empresas, comparar niveis de liberdade e medo do anterior executivo com o que se vive agora é obsceno, e tipicamente ao nivel da insensibilidade do discurso do actual primeiro ministro, que diz coisas como que o despedimento de milhares de pessoas não é um drama, pode ser uma oportunidade , como quem diz que alguém que tenha um acidente de automóvel não deve ficar triste pois pode ser uma oportunidade de trocar de carro, quer um conselhoamigo dedique-se á pintura….

    1. Não misture alhos com bugalhos. Falava de liberdade de expressão, do medo de falar, assunto que vem muito a propósito agora que Sócrates vai começar agora a exercer a sua.

  7. Por falar em medo , o que sentirá agora o Empresário Textil que disse na Sic Noticias na 4ª Feira o que muita gente sentiu na altura em que ele o sentiu?

    E mais o que sentirão agora muitos que no passado lhe estendiam a passadeira vermelha e assim que puderão viraram o bico ao prego como se nada fosse!

    No meio deste circo o mexilhão continua a pagar e não bufar pelo menos até ver mas pessoalmente penso que até isso não vai mudar porque a malta além de ser burra e gostar de novela é masoquista.

    Venha de lá essa liberdade de expiação.

  8. Googlando (relvas jornalista antena 1) aparece logo a referência que Relvas não demitiu Pedro Rosa Mendes da Antena 1 por causa duma reportagem sobre Angola.

    O actual governo também não demitiu uma jornalista do público chamada Maria José Oliveira.

    Tão pouco o governo demitiu o Nuno Santos, director de informação da RTP, na sequência do visionamento duma manifs.

    Com apenas 2 anos este governo jã não demitiu 3 jornalistas. Tenho a certeza que se durasse tanto tempo como o governo do Sócrates iria não demitir um número igual ou maior de jornalistas.

    1. Que eu saiba, o actual PM nunca moveu um processo-crime a nenhum jornalista, ao contrário do antecessor.

      Que eu saiba, o actual PM nunca criticou em congressos do seu partido jornalistas e órgãos de informação, ao contrário do que fez Sócrates, pondo as massas ululantes contras esses jornalistas e esses órgãos de informação.

      Você diz que forma opiniões com base na documentação que recolhe no Google. Pois se googlou bem, terá verificado que:

      – Nuno Santos saiu pelo seu pé, tendo-se demitido do cargo de director da RTP “de consciência tranquila”, como na altura fez questão de assinalar:

      http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=2901447&seccao=Media

      – Maria José Oliveira saiu por iniciativa própria do ‘Público’, alegando ter perdido a confiança na direcção do jornal:

      expresso.sapo.pt/maria-jose-oliveira-despediu-se-do-publico=f730820

      – Pedro Rosa Mendes produzia uma crónica semanal, sob contrato de colaboração, para a Antena 1, tendo cessado essa colaboração no termo do contrato, tal como vários outros, no âmbito das normais rotações de colaboradores existentes em todos os órgãos de informação, pois não existe nenhum com vínculo vitalício aos referidos órgãos.

      Recordo-lhe que este caso foi alvo de uma deliberação da ERC que atribuiu a responsabilidade da decisão ao director de informação da RDP, João Barreiros, no uso das suas competências legalmente definidas.

      “O Conselho Regulador conclui que os elementos recolhidos no presente processo não permitem dar por provado que a cessação do ‘Este Tempo’ [o tal espaço de crónica] resultou, directamente, do desagrado provocado pela crónica de Pedro Rosa Mendes”. Foi esta a conclusão da ERC, votada por unanimidade:

      http://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM5OiJtZWRpYS9kZWNpc29lcy9vYmplY3RvX29mZmxpbmUvMTkzOS5wZGYiO3M6NjoidGl0dWxvIjtzOjIzOiJkZWxpYmVyYWNhby0yY29udC1yMjAxMiI7fQ==/deliberacao-2cont-r2012

      Quando se quer ver, não há como ir ao Google para chegar aos factos. Tal como eles se passaram mesmo, não como imaginamos que se tenham passado.

  9. Porque é que os meus colegas (que se consideram de esquerda) acham que devemos consumir produtos portugueses? (Independentemente da relação preço/qualidade). Será que a esquerda actual é nacionalista e xenófoba? Será que um agricultor espanhol é menos “boa pessoa” que eu? (que tb sou agricultor). Ou será porque os colegas (e a população em geral), não pensa e não quer pensar? Eu, com as minhas paranóias, sou maluco? Ou será que as pessoas que se dizem de esquerda, são-no porque “é moda” e a “direita é………” enfim, qq coisa que não percebem e não pensam para perceber? Quantos colegas de “esquerda” fazem elogios à “moda” (Portugal Fashion) e ao consumismo e geral?
    Porque é que criticam o José Socrates ao ser convidado para comentador (da televisão pública)? Ainda não perceberam que a maioria da população o quer ouvir? Caso contrário, porque é q o convidaram se não tivesse audiência? Querem algo mais democrático do que isso? Será a esquerda (de facto) bolchevista para sermos obrigados a engolir “propaganda”?
    Eu cá, libertário, faço o que entendo. Considero, como sempre considerei, que o Estado é o maior inimigo da liberdade. Não, não é a religião, eu até sou ateu.
    Virem para pos canais privados. É caro? Mas todos pagamos para a TV pública!
    Que raio de raciocínios.
    Por favor!!

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