Acabo de ser apanhada de surpresa pela notícia da morte do pintor Eduardo Nery, estou chocada e triste. Era um amigo. Ainda na passada semana passei uma tarde com ele no seu atelier de Campo de Ourique, e estava tão entusiasmado a preparar a exposição da sua maravilhosa colecção de arte africana que nem parecia estar doente. Mostrou-me os belíssimos protótipos de um novo serviço que desenhou para a Vista Alegre, já em fase de ajustamentos finais. Conversámos sobre um prefácio que ele ia fazer para um livro meu sobre Magritte, um pintor que ambos admirávamos. Não haverá prefácio, não haverá mais conversas sobre arte, viagens estéticas, poesia. Felizmente que ainda viu oficialmente reconhecida a sua vasta obra com uma medalha presidencial. Até sempre, Eduardo.

Notícia triste.
Um beijinho, Ana.
🙁
Sempre me questionei sobre o motivo da longevidade dos pintores, muito superior à de músicos e escritores, e apenas equiparável à dos arquitectos.
Aí estão, para demonstrar esta tese, Georgia O’Keeffe (que morreu aos 98 anos), Maria Keil (97 anos), Kokoschka (94 anos), Chagall (93 anos), Júlio Resende (93 anos), Tiziano (91 anos), Picasso (91 anos), Abel Manta (91 anos), Andrew Wyeth (91 anos), Miró (90 anos), Victor Pasmore (89 anos), Miguel Ângelo (88 anos), Emil Nolde (88 anos), Arpad Szenes (88 anos), Henrique Medina (87 anos), Vedova (87 anos), Ingres (86 anos), Max Ernst (85 anos), Monet (86 anos), Frans Hals (84 anos), Matisse (84 anos), Hopper (84 anos), Dalí (84 anos), Thomaz de Mello (84 anos), Degas (83 anos), Vieira da Silva (83 anos), Goya (82 anos), Carlos Botelho (82 anos), Braque (81 anos), Duchamp (81 anos), George Stubbs (81 anos), Sá Nogueira (81 anos), Munch (80 anos), Bonnard (79 anos), Corot (78 anos), Renoir (78 anos), Kadinsky (78 anos), Malhoa (78 anos).
Ou, entre os vivos, Pomar (87 anos), Cargaleiro (85 anos), João Abel Manta (84 anos), Arnulf Rainer (83 anos), Jasper Jones (82 anos).
E tantos, tantos outros.
Caso para dizer que, no caso de Eduardo Nery (que conheci em Macau, onde está representado com um largo painel de azulejos no aeroporto), a sua morte foi bem prematura…
Tem várias obras em espaços públicos em Lisboa, designadamente uma por onde passam diariamente milhares de pessoas – refiro-me aos azulejos da estação de metropolitano do Campo Grande.
Ao menos morreu em plena actividade e cheio de projectos ainda por realizar – como bem sublinhas, Ana.
Mas que extraordinário levantamento, Pedro! Confesso que nunca tinha pensado nessa questão da longevidade dos pintores, que até contraria a lógica se pensarmos que a maioria deles trabalha em condições muito pouco saudáveis: ateliers gelados e húmidos, cheiro de tintas e diluentes tóxicos, pouco conforto físico, etc.
Quanto ao Eduardo Nery, tem uma obra de grande dimensão (reconhecida há muito internacionalmente) e também de grandes dimensões, com vário exemplos grandiosos em Lisboa. Eu gosto muito dos quadros e dos azulejos dele, mas era também um fotógrafo excelente e um coleccionador apaixonado. Tenho muita pena de que tenha morrido tão novo e sem ter visto exposta finalmente, depois de anos a lutar por isso, uma parte significativa da sua vasta colecção de arte africana. Espero que a exposição de mantenha, valerá muito a pena visitá-la.
Tenho falado de vez em quando sobre o Magritte: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/searc h?q=magritte
E fiz um post com umas tantas fotos de obras do Eduardo Nery: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2013/0 3/eduardo-nery-1936-2013.html
Desculpe não ter respondido antes aos seus comentários. Obrigada pelos seus links, fez de facto uma bela homenagem ao pintor Eduardo Nery.