12 comentários em “As canções do século (1160)”

  1. Belíssima escolha: é simplesmente a maior cantora de jazz de sempre. Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald podiam ter um instrumento mais potente — e tinham –, mas Billie Holiday tinha a precisão e a capacidade de improviso de um instrumentista, bem como um timbre único, não se confundindo com ninguém. Ainda hoje é das poucas cantoras que reconheço de imediato, não necessitando de mais de 2 ou 3 segundos de audição. Acresce que o seu contributo, através de cantores como Sinatra, para o formato canção como o conhecemos hoje, é incomensurável.

    1. Plenamente de acordo, Carlos. Nomeadamente com o contributo que Billie Holiday deu – a par do Sinatra, precisamente – para o formato de canção, tal como o conhecemos hoje. Nomeadamente pelo seu inconfundível fraseado, algo que muitos ainda hoje tentam imitar sem conseguir.

      Não por acaso, Billie Holiday é uma das ‘clientes’ mais assíduas desta série. Já por cá passou, além deste tema, com outros nove.
      Recapitulando: ‘The Man I Love’; ‘The Very Thought of You’; ‘Don’t Explain’; ‘You’ve Changed’; ‘Strange Fruit’; ‘Solitude’; ‘My Man’; ‘I’m a fool to want you’ e ‘You go to my head’.

      E aproveito a deixa para cumprimentá-lo pelas suas escolhas musicais, de que sou ouvinte assíduo.

      1. O próprio Sinatra, muitas vezes, em entrevistas, reconheceu a influência que Lady Day teve na sua maneira de cantar. O fraseado, claro, a opção pelo “singing behind the beat”; e tentam quase todas, muitas nem sabendo que o fazem — pensam estar a imitar, por exemplo, a Carmen McRae (outra cantora maravilhosa), desconhecendo como esta foi influenciada pela Holiday.
        Quanto às minhas escolhas musicais, agradeço as suas palavras. O objectivo é partilhar o que me dá prazer escutar.

  2. Excelente escolha. Billie Holiday é mais uma das minhas favoritas. Inconfundível aos primeiros segundos de audição. A bem da verdade, a nossa rádio enferma de uma escassa oferta de jazz, com excepção de alguns tempos da Antena2 , o panorama é mau. Saudades da “Rádio Europa” que deixou um imenso vazio aos apreciadores deste tipo de música e que até hoje não foi preenchido. Falta de meios e/ou de alguma sensibilidade (gosto) por este tipo de música?

    1. O nome não é lá grande coisa e a música também difere um bocado da que a Radio Europa transmitia, mas há a Smooth FM.

      1. De facto, Ana, não percebo como é que a nossa rádio, agora tão preocupada com os sacrossantos ‘nichos de mercado’, tarda tanto em descobrir o ‘nicho de mercado’ do jazz. Com tanta gente que tem o culto deste género musical, lamentavelmente ainda tão arredado do chamado grande público.
        As pessoas não ouvem porque não conhecem e não podem conhecer porque não há onde escutar. Gera-se assim um nó cego que custa muito a desatar.
        Felizmente existe a Net. E os blogues também cá estão para isso.

    1. ‘You’ve Changed’. Obra-prima fabulosa. Da fase crepuscular de BH. De facto, já com uma voz capturada pelas mil armadilhas da vida – mas com uma interpretação do outro mundo. Sofrida, dolorosa, existencial.
      Uma maravilha.

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