Devo confessar que me não entusiasmava muito ir ver o Lincoln. Mas como todos estavam interessados e eu adoro deslocações em bando familiar lá fui.
O filme, baseado no romance “Team of Rivals: The political genius of Abraham Lincoln”, de Doris Goodwin, é realizado por Spielberg e centra-se nos últimos quatro meses de vida do Presidente, nomeadamente na sua luta pela 13ª Emenda que ilegaliza a escravatura e fim da Guerra Civil Americana.
Conta com um belíssimo naipe de actores de que destaco em particular uma Sally Fields espantosa, um Tommy Lee Jones no seu melhor e um David Strathairn impecável. Qualquer destas interpretações, sendo embora secundárias, emprestam ao filme uma aurea muito particular.
Resta o inglês Daniel Day-Lewis, um grande actor, com quem não simpatizo porque “absorve” todos os papéis que desempenha. Ora aqui é, de novo, isso que sinto. Ele cola-se de tal modo a Lincoln que é impossível dissociar um do outro. Trata-se de um desempenho fora de série, mas para mim é excessivo. Não sei dizer melhor!
A história remete-nos para a luta que permite que a América tenha, hoje, um Presidente como Obama e ajuda-nos a compreender – sobretudo àqueles que como eu, assistiram à marcha do Black Power – as razões pelas quais isso se tornou possível.
Duas notas finais importantes. Uma, a de Spielberg não esconder que para a escravatura acabar, houve que corromper. Outra, a estranha coincidência de, naquele país, os presidentes mais progressistas acabarem assassinados…
É necessário ver o filme e é possível que ganhe vários Óscares de interpretação. Duvido que ganhe na realização. Gostei de ter ido, mas algo gorou as minhas expectativas. O mais certo é que tenha sido o facto de ali se perceber muito bem como funciona a máquina do poder político. E de ela me desagradar profundamente…


Este ainda não vi. Ontem foi dia de ir ver o Hitchcock, outro sério candidato a ganhar os óscares de interpretação. Gosto de “filmes de actores”, acima de todos os outros.
Querida Helena, não podia concordar mais contigo e também eu fui em bando familiar:) beijo
Concordo plenamente. Só uma correção é Daniel Day Lewis. Abraço!
olá,
O Sr. é Daniel Day-Lewis e não David… um excelente ator por sinal, nunca desilude.
Pequena gafe: Daniel Day-Lewis, não David.
“a estranha coincidência de, naquele país, os presidentes mais progressistas acabarem assassinados…”
Até parece que Kennedy era progressista…
Por ex. Nixon até se pode dizer que foi mais que Kennedy…
Houve ainda mais dois Presidentes assassinados.
No total Republicanos 3 , Democratas 1.
Caro Lucky
Muito obrigada pela contabilidade esclarecedora, pese embora o meu conceito de progressista não esteja ligado a essa dicotomia partidária que refere.
Jimmy Carter ainda está vivo, por exemplo!
para a escravatura acabar, houve que corromper
Não é tão sabido quanto deveria ser que a política dos EUA no século 19 era do mais corrupto que há. E que isso em pouco ou nada prejudicou o extraordinário desenvolvimento do país.
Hoje em dia os EUA pregam a eliminação da corrupção nos países em desenvolvimento, quando eles próprios tinham enorme corrupção no mesmo estádio do seu desenvolvimento.
Caro Luis Lavoura
Tinham?! E os Madoff são de quando?
Anita, Maria, José
Muito obrigada pela correcção. Isto é o alemão a visitar-me…