Um telemóvel histórico


Ana Vidal,

“Foi através do meu telemóvel. É um momento histórico, que eu conservarei para sempre na minha vida.”

 

(António José Seguro, sobre a reconciliação de Mário Soares e Manuel Alegre)

 

Quem dá o que tem, a mais não é obrigado. À falta de obra que fique para a história, Seguro deixará ao partido e ao país… um telemóvel.

10 comentários em “Um telemóvel histórico”

  1. Este rapaz “com o prazo de validade de um iogurte”, vai passar à montureira dos trastes gastos e sem valor.

  2. Vou ser realista (e pouco meigo, paciência): quem conhecer um pouco – um poucochinho – da vida, está farto de saber que reconciliações assim acontecem quando se aproxima o fim. As pessoas (eu incluido, obviamente, quando a altura chegar, e já faltou mais) pretendem morrer em paz, o que facilita (e muito) essas coisas.

    O Seguro nunca consegue passar a barreira da patetice oca.

    1. E desde quando Soares acredita que se aproxima o fim?
      Há dois momentos que marcam o estilo do Tó Zé, e são televisivos. Aquele em que se abeirou de entrevistadores e entrevistado e quando respondeu aos jornalistas após a derrota de Sócrates, abandonando a sede de candidatura.
      Por isso o telemóvel assenta-lhe muito bem!

    2. Não sei o que motivou a reconciliação, mas ainda bem que se entenderam. Dois velhos amigos de candeias às avessas é sempre um espectáculo triste. A questão aqui não é essa, mas sim o patético e abusivo aproveitamento político que o Seguro fez de um episódio privado.

      1. Claro que tem razão. O que eu pretendi frisar é que há alturas na vida em que existe uma predisposição para essas coisas acontecerem (recorde-se que Soares vai nos 88 e Alegre nos 76, e também que o primeiro esteve doente e ainda não reapareceu), e que não é um pató como o Seguro (que não será sequer íntimo de qualquer um) que milagrosamente as provoca.

      2. Subscrevo tudo o que escreveu, Ana. E acrescento: parece razoável pensar que a idade, a consciência da finitude e a doença de Soares possam ter encorajado a reconciliação. Que assentará certamente em décadas de amizade – se as más memórias alimentam o ressabiamento, às boas vai-se buscar forças para a reaproximação, mesmo quando se afigura difícil. Quanto ao telemóvel, Seguro (o tal que discursou no elevador do Altis, em 2011, ainda o cadáver de Sócrates tugia) que o meta num sítio que eu cá sei. A vibrar, de preferência.

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