“A manifestação de indignados convocada para este sábado em várias cidades do país acabou por ter pouca expressão. Foi na cidade do Porto que se concentrou o maior número de pessoas, frente à câmara municipal, mesmo assim não chegaram a ser cem participantes. Em Coimbra ou Portimão a adesão foi também fraca, assim como em Lisboa, onde estiveram apenas três pessoas. E foram as mesmas três que se mantiveram na praça dos Restauradores, das três às quatro da tarde.»
Notícia do Jornal da Noite da SIC

Será que a SIC deu uma vista de olhos pelos blogs, a praça pública da nossa era? Ou a SIC abre os olhos ou ninguém lhe dará importância.
Quanto a mim, esta notícia foi elaborada com óbvia perspectiva irónica. Nem poderia ter sido outra a intenção.
Tão simbólica quanto a manifestação de 15 Set 2012.
Se a intenção da SIC era mostrar que as manifestações sem aval da estrutura partidária/sindical/mediática não funcionam, parece tê-lo mostrado. Também mostrou que a SIC sabia da manifestação e não achou importante divulgá-la, apenas fez notícia do fraco resultado.
Mostra mais, torna evidente que a estrutura perdeu pontos de descompressão. A população parecerá muda, porque não tem formas de expressão, de divulgação, não tem participação nem alternativas de sistema político.
Os veículos de comunicação servem outras bocas e ouvidos, pelo que tenderá a haver uma alienação, visível pela falta de presença, contraponto do arrasto com palavras de ordem, que serve outra alienação.
Porém, não é por estar muda que não muda.
Pelo contrário, a população tornar-se-à mais imprevisível, e começamos a entrar no mundo da Lei de Murphy.
Esta manifestação ilustra um fim de percepção causa-efeito… e deveria ser menos surpreendente a Gaspar ter 1 milhão de manifestantes em Setembro, do que ter apenas 3 manifestantes em Fevereiro… (a menos que já tenham todos emigrado!)
Uma coisa é canalizar acções, outra coisa é canalizar vontades. E numa situação de desorientação, descrença, as acções sofrem todo o tipo de contratempos devido às falhas nas vontades.
Por isso, não é pela população estar muda, que nada muda.
Concordo em absoluto com o que refere, a ciência já estudou isso:
“Uma coisa é canalizar acções, outra coisa é canalizar vontades. E numa situação de desorientação, descrença, as acções sofrem todo o tipo de contratempos devido às falhas nas vontades”.
Parece-me que se esquecem como surgiu a “Primavera Árabe”.
Então mas a população precisa que as manifs sejam divulgadas pelos telejornais? Estava eu crente de que até aos últimos 10 anos todas as revoluções e manifestações se deram sem qualquer tipo de telejornal ou divulgação que não o passa-palavra – veja lá que no 25 de Abril nem um único panfleto foi distribuído. E agora, que há mais redes sociais do que manifestantes, tipografias e telemóveis a culpa é da desorientação e da SIC. Claro. Faz sentido. Quando se falha o golo, a bola é que é cúbica.
… o q queres, sabemos bem.
Vai rever os noticiários nas semanas anteriores ao 12:3:2011 ou ao 15:9:2012.
Qual é a manif espontânea antes do 25:4:1974?
No dia 25 de Abril cantou-se o Grândola Vila Morena. A rede social funcionou bem.
Grândola, por Amália:
http://www.youtube.com/watch?v=AUWPh_M3j Tw
3 pessoas nem para jogar à sueca dá.
se tivessem esperado até às quatro e um quarto talvez aparecesse mais alguém nos Restauradores.