Os melhores filmes de 2012 – parte 3


enlil,

“O povo português revelou-se o melhor activo de Portugal”

Qualquer médico que vá à televisão predispõe-se a dizer coisas como “foi diagnosticada no paciente uma patologia de índole cutânea” só para complicar a frase “o doente tinha comichão”. Quando ele assim fala não é a nós leigos e abstractos que se dirige mas aos seus colegas de serviço que não o levariam a sério se se exprimisse doutro modo. Um dia numa viagem com um emérito gestor ele propôs que “consolidássemos as malas num dos quartos” antes de fazer check out no hotel. Pobre prisioneiro do seu linguajar, que já dele não se libertava mesmo em situações profanas.

A máxima em epígrafe, proferida com o crispado e possível enlevo, como o maior elogio ao seu alcance, é toda uma autópsia da mentalidade reduzidíssima do sr. Vítor Gaspar. Adeus ó personalismo cristão, sus ao humanismo existencialista, arreda-te ó cidadania iluminista; pela voz do Ministro passámos a existir meramente na coluna dos activos na folha de excel, como mais uma variável no cálculo.

 

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