Deixa-me viver. Não te entrances nos meus dias, estou-te a pedir. Não vês que não consigo carregar-te? É muito peso, é longa a história, e duro lamber as chagas. Na verdade, nem sei se sou capaz de te enfrentar, de te olhar nos olhos, de te ver de frente. Fazes-me pena, trazes-me raiva, mostras-me coisas que eu não quero, lembras-me o que eu gostava de esquecer. Lembras-me, eu já sei. Deixa-me lá continuar a disfarçar que sou mais um, igual a tantos outros da manada. Que gosto de andar aqui na multidão, de ser um cidadão progenitor, um empregado disciplinado e cumpridor. Larga-me, rogo-te. Fecha-te a sete chaves em sossego, não me forces a fazer-te essa vontade. Não posso, sinto isso, não consigo. Tem dó, alma perdida, pára de segredar constantemente a mesma coisa, que nada querias com esta vida. Não vês que eu era fraco e nem te ouvia? Como hei-de consolar-te, já não sei. Como hei-de dominar-te, ainda talvez… um dia, se lá chegar, vou procurar-te. E tentar saber ao que chegaste, o porquê, a razão de tanta urgência. Prometo, juro e quem sabe, firmamos um acordo. Que eu viva inteiramente ao teu jeito, que te ame loucamente como anseias, sem as reservas desta mente maltrapilha, carregada de obtusos pensamentos, que adiam e adiam os tormentos. Aguenta-te alma, mais um pouco. Espera que chegue o tempo que nos junte. Que haja coragem para termos esse encontro. Fatal, eu sei, como o destino.


Veri naice!!!
Então, d’aqui vai, com os cumprimentos da gerência:
Reencontros…
Vejo-te, em escadas de pedra abandonada.
Faltam pedaços, momentos de ti e de mim.
Há muito que abandonámos essa estrada,
Chegámos ao início, recomeçando do fim.
Reencontrámos nossos olhares perdidos,
Em longínquos sonhos abandonados.
Relembrámos pensamentos esquecidos,
No espaço, entre nossos corpos abraçados.
Vindo de dentro das nossas almas,
Vimos luz e fogo nos olhares.
Sentimos no peito imensa calma,
Nos corpos a imensidão dos mares.
Volta, dissemos tu e eu,
De olhar fixo na distância.
O tempo que passou, não se perdeu,
Nos teus braços voltarei a ser criança.
Et voilá…
;)))
Uaaa, você dá-lhe 🙂
Qual é o seu blogue, ó poeta? Clico em si, mas nada.
E oiça, oiça (como diz o Paulo Portas), não vou passar os dias a agradecer-lhe. Saiba que lhe estou sempre, sempre grata. Porque em mim ou nos outros, nunca existe deserto. Você vem e faz um oásis, você chega e planta um cacto. É uma máquina, Bartolomeu. À sua!
Tás feita.
Porquê? Achas difícil ser desalmada? 😉
Não. Porque é difícil ser-se “almada”, como sei que tu és. 🙂