Esta coisa da divisão de metade dos subsídios em duodécimos faz-te sentir como um peru de aviário na engorda? Pois fica sabendo que é completamente abusivo afirmar-se que a preocupação do governo com o teu rendimento líquido mensal é semelhante ao desvelo que o criador de perus dedica às aves da sua criação. É certo que, num e noutro caso, sabemos como as coisas terminam. Na criação de perus, com o abate. Na relação tributária, com a execução orçamental (ao que parece, por motivos humanitários, em matéria de imposto sobre o rendimento acabaram com os abatimentos). É verdade, também, que o método é semelhante. O criador de perus divide o alimento em rações. Vítor Gaspar dilui afanosamente os subsídios em duodécimos. Todavia, o paralelismo termina por aí. Desde logo, tu não tens verrugas ou carúnculas coloridas na cabeça e não podes abrir a cauda em leque. Em todo o caso, se tens ou podes, o melhor é ires tratar disso. Por outro lado, o criador tem um interesse egoísta mas genuíno em manter as aves gordinhas e com saúde. O governo, em contrapartida, pretende apenas que tenhas a quantidade de alimento necessária para te manteres vivo até pagares os impostos. Nem mais, nem menos. Aliás, se for possível, menos.


O melhor mesmo era manter o sistema como está. As pessoas são demasiado estúpidas para se habituarem a receber por 12 meses. É preferível tratá-las como jumentos do que como perus…
Como é óbvio, o pagamento de subsídios não tem, agora que é indiscutível que integram a retribuição, qualquer justificação racional. Todavia, é importante notar que o mesmo paternalismo que justificava a solução é aquele que dita agora que se apresente a alteração como profundamente ligada à preocupação com a situação dos portugueses. Talvez fosse melhor investir o tempo a racionalizar, por exemplo, o ensino superior público, não?
A analogia implícita, a meu ver, está perfeita, excepto num ponto.
É que, enquanto o criador de perus, se preocupa em, com o lucro obtido com a venda dos animais engordados, renovar o stock.
Para o ministro Vitor Gaspar, a manutenção da espécie não lhe ocupa os escassos neurónios que demonstra possuir, em matéria de carácter social.
Sustentabilidade, deve ser algo que no conceito de Vitor Gaspar, só faz sentido no ambiente do parlamento europeu, ou do banco central europeu, para onde provávelmente tornará, após mandar esta merda toda pós escambau.
Isto se o escambau estiver disponível para nos receber.
Pois é mermão, mas falta uma coisita nesta equação: O Vitinho é um tradicionalista, ele sabe que o peru é morto de véspera. Preparemo-nos para o fim do mundo, dos perus!
Em casa da minha avó tinham, pelo menos, o cuidado de embebedar os perus. Por aqui, nem um copo de água da torneira.
Isso agora depende. Obama, por exemplo, indultou dois perús dois.
Não quero ser mal interpretado, mas creio que Vitor Gaspar tentará assegurar condições semelhantes às da Grécia, digo, para todos os perus. Isto é, não há indultos para ninguém.
Os sacanas querem diluir os duodécimos para a taxa especial de 3,5% apanhar um bolo maior. fdps.
Hmmm.
Realmente, como é que alguém no seu perfeito juizo, terá entregue o seu voto a esta gente…
De facto. Só compreensível por a alternativa ser o Coiso, como é que ele se chama?
Pois, se não conhece as alternativas, é natural que a qualidade da decisão não seja a melhor.
A democracia é tramada.
A democracia não é o problema, a forma como ela é condicionada é que é pior, faz algum sentido andar há anos a votar em coisas com as quais discorda, só por preconceito ? isto é que é irónico, é caso para dizer, “aguenta e não chora” afinal foi voluntariamente que se puseram nesta situação.
A culpa é então dos eleitores e não dos partidos que não os conseguem convencer da bondade das soluções que lhes são propostas…
Sem dúvida, se há partidos que são chamados os do “arco de governação”, não o são por decreto ou por tomada de poder pela força. São porque os eleitores os escolhem, o rumo que seguimos são os que a maioria escolheu, é verdade que há forma de levar as pessoas a determinadas escolhas, a criar preconceitos. Tem vários exemplos, nem precisa de sair do seu blogue, quando se vê jornalistas que, por baixo de uma capa de isenção, deturpam as realidades de forma intencional e tendenciosa, é natural que muita gente vá ao engano. Mas se entre ficar abrigado ou sair para a chuva, escolheu a segunda hipótese, não fique tão revoltado por se ter molhado, a escolha foi sua.
Tivessem votado no Exmo Sr Engº Arqº Prof Dr Pinto de Sousa e já nada disto acontecia.
Um argumento um tudo nada paralizante da discussão, CV. Como o Coiso, como é que ele se chama?, era pior, temos de admitir tudo a estes. E ainda agradecer-lhes.
Em verdade verdadinha só comentei isso devido ao comentário anterior.
Ok, camarada.
Então foi mesmo tempo perdido, o comentário anterior não fazia apologia do Sócrates.
Fazia, sim, senhor. A única alternativa era o tal Coiso.
Pelos vistos não foi votar, no boletim havia mais alternativas, eu sempre votei e felizmente nunca votei em nenhum desses 3.
A analogia é muito fraca. O perú, contrariamente ao que acontece aos contribuintes portugueses, não sabe o que lhe vai acontecer e é bem tratado até ao último momento. A haver síndrome do perú, o seu papel só pode ser representado pelo primeiro ministro e seu ministro das finanças.