
Fui ver ao cinema ver o filme Mata-os suavemente, com Brad Pitt, Ray Liotta e James Gandolfini. O filme é absolutamente espantoso, não apenas pelo trabalho extraordinário dos actores, mas principalmente pela forma como retrata uma América praticamente moribunda durante a grande crise de 2008. A história é sobre um assassino a soldo, que vai fazendo o seu trabalho enquanto o país assiste ao gasto de 800.000 milhões de dólares do orçamento americano para evitar a falência dos bancos. Vamos assistindo pelo caminho aos discursos de Bush, explicando que não gostava dessa decisão mas que era obrigado a tomá-la devido à irresponsabilidade dos banqueiros. Em contraponto surge a campanha eleitoral de Obama a prometer um futuro melhor, mas em que ninguém acredita, sabendo quais as consequências daquela decisão. Na altura não pude deixar de sorrir, pensando como é parecido o discurso actual dos políticos portugueses, lavando a sua consciência em torno do Orçamento de 2013, ao dizer que por muito mau que seja não têm outra alternativa senão aprová-lo.
O título original do filme “Killing them softly” é ambíguo. Remete em primeiro lugar para uma frase do assassino sobre os seus métodos de trabalho: “I like killing them softly, from a distance“. Os seus assassínios são, no entanto, brutais, nada tendo de suave. Mas ao mesmo tempo, enquanto no filme ouvimos os discursos dos políticos americanos temos igualmente a sensação que não se apercebem de que os seus cidadãos estão também a morrer (nada) suavemente em consequência das medidas que aprovam.
O filme tem uma cena que corresponde à maior crítica da América que alguma vez vi surgir num filme. Enquanto o assassino está discutir com o mandante o pagamento dos seus serviços, surge na televisão o discurso de vitória de Obama em Chicago, apelando à união de todos os americanos e exaltando a grandeza dos valores da América. O assassino comenta então que esses valores nunca existiram. O país tinha sido criado com base numa fraude de Thomas Jefferson, que embora proclamasse que todos os homens nasciam iguais, ele próprio era proprietário de escravos, alguns deles seus próprios filhos, que não se importava que vivessem na escravatura. Thomas Jefferson não passava assim de um snob rico, que não queria pagar os impostos que devia. E por isso na América não se podia esperar nada de ninguém: “This is America and in America you are on your own. America is not a country, it’s just a business“. Mas se a América é isso, o que será afinal a União Europeia?

Mt bom post . Um País que se consegue auto-analizar, com arte, mesmo que via -aparentemente- mortes gratuitas, … está vivo.
À medida que deslizava pelas palavras neste seu post, ia pensando: “They are killing us softely with their songs”.
Bem, mas que não se perca o ânimo porque isto atenua-se com outra cançãozita. Aqui vai:
http://www.youtube.com/watch?hl=en&v=yd__DR377Ks
Bem lembrado, mas a adaptação ao título da letra da Roberta Flack fica assim:
Strumming their pain with his fingers
singing their life with his words
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly with his song
They heard he sang a good song
they heard he had a style
and so they came to see him
and listen for a while
And there he was this young boy
a stranger to their eyes
Strumming their pain with his fingers
singing their life with his words
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly with his song
They felt all flushed with fever
embarrassed by the crowd
They felt he found their letters
and read eachone out loud
They prayed that he would finish
but he just kept right on
Strumming their pain with his fingers
singing their life with his words
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly with his song
He sang as if he knew them
in all their darkness fair
and then he looked right through them
as if they weren’t there
and he just kept on singing
singing clear and strong
Strumming their pain with his fingers
singing their life with his words
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly with his song
Strumming their pain with his fingers
singing their life with his words
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly
He was strumming their pain
He was seeing their life
killing them softly with his song
killing them softly with his song
telling their whole life with his words
killing them softly with his song
Por favor, leia-se softly.
O postal é, pelo menos, tão bom como o filme.
Comparar os USA com a “união europeia” feita a golpes de má fé (lembro-me do episódio do escroc giscard dos diamantes a retirar os auscultadores nas reuniões para a “constituição europeia” para poder dizer que não ouvira), lembro-me do escroc Sócrares a dizer que vergara a Polónia e pasmo de posts como este.